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Sé de Coimbra - detalhe

Designação

Designação

Sé de Coimbra

Outras Designações / Pesquisas

Sé Nova de Coimbra / Colégio de Jesus / Colégio dos Jesuítas / Igreja das Onze Mil Virgens / Colégio do Santíssimo Nome de Jesus / Catedral de Coimbra / Igreja Paroquial da Sé Nova / Museus da Universidade de Coimbra (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Sé, Catedral

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Coimbra / Coimbra / Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)

Endereço / Local

Largo da Feira (antigo)
Coimbra

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Despacho de 18-02-2010 do director do IGESPAR, I.P. a devolver o processo à DRC do Centro
Parecer de 20-01-2010 do Conselho Consultivo a propor que seja apresentada nova proposta
Proposta de 9-11-2009 da DRC do Centro para a ZEP dos imóveis classificados e em vias de classificação do Centro Histórico de Coimbra

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O Colégio de Jesus foi edificado durante a Reforma do ensino universitário levada a cabo por D. João III e orientada por Frei Brás de Braga, iniciando-se com a transferência da Universidade para Coimbra. Esta reforma contemplava não só a modernização dos estudos superiores, mas também a edificação de diversos colégios na cidade mondeguina que serviam para leccionar as disciplinas de base ou para albergar os estudantes (LOBO, Rui Pedro, 1999, pp. 7-8).
A Companhia de Jesus, implantada em Portugal desde 1540, mostrou-se muito "(...) interessada em obter influência sobre o ensino preparatório e universitário (...)" devido à necessidade de preparar os seus missionários para a evangelização no Oriente, pelo que o jesuíta Simão Rodrigues decidiu fundar em Coimbra o primeiro colégio da ordem em solo português (Idem, ibidem, p. 11).
A edificação do Colégio de Jesus foi iniciada em 1547, estando o edifício situado na Alta da cidade. A primeira fase das obras arrastou-se por vários anos, e em 1560 a planta original foi modificada de modo a adaptar-se melhor ao elevado número de religiosos que iriam habitar o complexo.
Embora não haja qualquer indicação documental sobre a autoria do Colégio de Jesus, sabe-se que o projecto foi delineado por um arquitecto régio. Edificado depois da construção da Igreja de São Roque de Lisboa, o colégio coimbrão apresenta um modelo que constituí uma "evolução operativa" do templo lisboeta, pelo que o seu risco foi muito provavelmente traçado por Afonso Álvares, autor da planta da casa-mãe jesuíta na capital (idem, ibidem, p. 31).
O conjunto edificado segue um esquema utilizado desde a Idade Média em edifícios utilitários, um corpo regular de planimetria cruciforme constituído por alas, onde se inserem as celas e os respectivos corredores, e pátios internos. Este modelo difere, em determinadas soluções adoptadas na prática, do projecto desenhado pelo arquitecto. As modificações prendem-se com questões concretas relacionadas com a implantação, orientação e disposição funcional do Colégio, demonstrando a "(...) flexibilidade das soluções construídas dos estabelecimentos jesuítas (...)", mesmo que a Companhia defendesse a promoção de um programa estruturado, racional e rígido para todas as suas obras (idem, ibidem, p. 14). O Colégio de Jesus foi muito alterado na segunda metade do século XVIII devido à reforma pombalina do edifício.
A construção da igreja do Colégio de Jesus iniciou-se somente em 1598, dando origem a um edifício muito diferente das plantas primitivas. Será Baltazar Álvares, "arquitecto oficial" da Companhia de Jesus em Portugal, o autor da nova planta do templo do colégio coimbrão, fortemente influenciada pelo modelo romano de São Vicente de Fora (Idem, ibidem, p. 32).
A planta segue o esquema em cruz latina abobadada inspirado em Il Gesú de Roma, apresentando um espaço interior de nave única dividida em quatro tramos, com transepto e capelas laterais intercomunicantes, e cruzeiro coberto por cúpula semi-esférica com lanternim. Resultante de uma campanha de obras morosa, a nave do templo só foi aberta ao culto em 1640, e o templo seria oficialmente inaugurado em 1698, cem anos depois do início da construção.
A fachada do templo, embora tenha sido terminada no século XVIII, apresenta-se também muito próxima do modelo maneirista de Il Gesú (Idem, ibidem, p. 33). Composta por dois corpos sobrepostos separados por uma cornija, tem no registo inferior cinco tramos divididos por pilastras toscanas. O frontispício é marcado pela robustez dos volumes e a verticalidade da estrutura, pontuada pela abertura simétrica de janelas e pela disposição de nichos com imagens de santos jesuítas, e lateralmente foram edificadas no final do século XVII duas torres recuadas em relação ao alçado, um elemento típico na arquitectura religiosa seiscentista, que marca um contraste entre a fachada da igreja coimbrã e o seu protótipo romano.
Catarina Oliveira
IPPAR/2005

Imagens

Bibliografia

Título

A Sé Nova de Coimbra: breve nota histórica e artística

Local

Coimbra

Data

1982

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Coimbra - guia para uma visita

Local

Coimbra

Data

2003

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

História da Arte em Portugal - o Renascimento e o Maneirismo

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Sé Nova de Coimbra

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

-

Título

Inventário Artístico de Portugal - Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre, Porto e Santarém

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Os Colégios de Jesus, das Artes e de São Jerónimo: Evolução e transformação no espaço urbano

Local

Coimbra

Data

1999

Autor(es)

LOBO, Rui Pedro

Título

Património Edificado com Interesse Cultural - Concelho de Coimbra

Local

Coimbra

Data

2009

Autor(es)

Câmara Municipal de Coimbra - Departamento de Cultura

Título

A Arquitectura do Ciclo Filipino

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

SOROMENHO, Miguel

Título

O desempenho dos revestimentos e acabamentos históricos na leitura do Património Monumental, Revista Estudos / Património, nº9, pp.100-108

Local

Lisboa

Data

2006

Autor(es)

PROVIDÊNCIA, Pedro