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Chafariz da Praça da Rainha - detalhe

Designação

Designação

Chafariz da Praça da Rainha

Outras Designações / Pesquisas

Chafariz da Praça da Rainha (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Chafariz

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Viana do Castelo / Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela

Endereço / Local

Praça da República
Viana do Castelo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 12-06-1973, publicada no DG, II Série, n.º 149, de 27-06-1973 (sem restrições) (a legenda da planta refere ZEP da Zona Arqueológica de Viana do Castelo, quando do diploma fixou a ZEP dos Paços Municipais, da Igreja de Santa Cruz (São Domingos), da Misericórdia, do Palácio dos Viscondes da Carreira, do Chafariz da Praça da Rainha, da Casa de João Velho, da Casa de Miguel de Vasconcelos, da Igreja matriz, da Fachada do prédio manuelino na Rua de São Pedro, 28, e do Forte ou Castelo de Santiago)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

No início do século XVI Viana possuía um chafariz na praça da vila que com o crescimento urbano da vila deixara de ter capacidades para abastecer a população. Desta forma, em 1553 os vereadores da Câmara de Viana decidiram contratar o mestre João Lopes o Velho «para praticar com ele o corrigimento do chafariz desta vila(...) porquanto o dito chafariz está de todo danificado e é necessário fazer-se de novo» (CARTEADO, 1979,p.30). Depois de assinado o contrato, João Lopes iniciou as obras de encanamento que permitiriam levar a água desde o lugar de Povoença até ao centro da vila. Esta fase das obras foi na realidade muito morosa, levando cerca de seis anos a completar toda a rede de canalização. Ainda em 1553, o concelho de Viana fazia uma petição a D. João III afim de obter da Coroa permissão para cobrar fintas à população como parte do financiamento da obra do chafariz. Em Outubro desse ano João Lopes tinha já «a pedra (...) junta para a dita obra» (CARTEADO, 1979,p.33). Três anos depois continuavam as obras de canalização, enquanto parte das peças que compõem a estrutura do chafariz estariam já feitas, pois a coluna que sustenta o conjunto das taças foi gravada com a data da sua execução, 1554. Em 1559, o projecto de edificação do chafariz sofreu uma mudança; em Abril desse ano uma acta da sessão da Câmara revela-nos que o Concelho ordenou «que se desse a obra do chafariz a João Lopes, filho de João Lopes, o Velho» (CARTEADO, 1979,p.34). esta mudança de dorecção das obras ocorreu na sequência da morte do mestre Lopes o Velho. No dia do Corpo de Deus a água chegou pela primeira vez ao chafariz, havendo uma intensificação das obras durante os meses de Verão de 1559, devido ao pedido de celeridade na sua conclusão por parte da edilidade. Apesar desta recomendação, as obras acabariam por se arrastar até ao mês de Dezembro, altura em que a obra ficava definitivamente concluída.
O chafariz do Campo do Forno obedece à linha estrutural utilizada por João Lopes o Velho nos fontanários anteriores: inserida num tanque circular, suporta um conjunto de três taças, que diminuem o seu diâmetro à medida que são colocadas mais acima, decoradas a toda a volta por carrancas de onde jorra a água. No primeiro registo, assente numa escadaria de quatro degraus, o tanque circular é dividido exteriormente em quatro secções iguais com molduras de diversos filetes decoradas por um friso denteado. No centro do tanque, emerso na água, assenta o pilar que suporta todo o conjunto. Sobre este pilar está disposta uma bojuda coluna estriada e decorada com folhagens, cuja base tem gravada a data 1554, inspirada no modelo de "columna monstruosa" apresentado por Diego de Sagredo na sua obra Medidas del Romano. A primeira taça, estriada na base, é rematada a toda a volta por dois frisos, sendo o superior decorado com motivos denteados semelhantes aos do tanque. Seis carrancas, representando figuras humanas, dividem o espaço externo da taça, servindo para escoar a água que corre para o tanque. No centro da taça assenta uma coluna decorada com florões, servindo de suporte à taça seguinte.O segundo vaso tem uma estrutura semelhante à taça anterior, distinguindo-se apenas nos motivos decorativos; aqui a decoração de carrancas foi substituída por quatro cabeças aladas.No centro desta taça assenta outra coluna rematada por quatro carrancas representando monstros grotescos que servem de vazadouro à água que escorre para a taça.O chafariz é rematado por um coruchéu esculpido em relevo com águias e folhagens, inserindo o escudo de Portugal.
Catarina Oliveira
IPPAR/2003

Imagens

Bibliografia

Título

Viana do Castelo

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

CALDAS, João Vieira, GOMES, Paulo Varela

Título

Archivo Viannense

Local

Viana do Castelo

Data

1891

Autor(es)

GUERRA, Luís Figueiredo da

Título

«Lopes-uma família de artistas em Portugal e na Galiza», Revista Guimarães n.º 96

Local

Guimarães

Data

1986

Autor(es)

REIS, António Matos

Título

A arquitectura de granito em Viana da Foz do Lima - Renascimento e Maneirismo no Noroeste português

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

OLIVEIRA, Catarina

Título

«O chafariz da praça», Cadernos Vianenses, n.º 3

Local

Viana do Castelo

Data

1979

Autor(es)

CARTEADO, Eugénio

Título

«A influencia dos modelos de João Lopes o Velho en tierras galegas nos albores do Barroco», Cadernos Vianenses, n.º 19

Local

Viana do Castelo

Data

1995

Autor(es)

GOY DIZ, Ana