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Misericórdia de Viana do Castelo - detalhe

Designação

Designação

Misericórdia de Viana do Castelo

Outras Designações / Pesquisas

Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Viana do Castelo / Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela

Endereço / Local

Praça da República, à Rua Cândido dos Reis
Viana do Castelo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 12-06-1973, publicada no DG, II Série, n.º 149, de 27-06-1973 (sem restrições) (a legenda da planta refere ZEP da Zona Arqueológica de Viana do Castelo, quando do diploma fixou a ZEP dos Paços Municipais, da Igreja de Santa Cruz (São Domingos), da Misericórdia, do Palácio dos Viscondes da Carreira, do Chafariz da Praça da Rainha, da Casa de João Velho, da Casa de Miguel de Vasconcelos, da Igreja matriz, da Fachada do prédio manuelino na Rua de São Pedro, 28, e do Forte ou Castelo de Santiago)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Fundada em Abril de 1521 a pedido da câmara vianenese, a confraria da Misericórdia de Viana da Foz do Lima iniciou em 1526 as obras de construção da "capella e caza" da irmandade, que ficaria situada na zona da Bemposta, no centro da vila (MOREIRA, Manuel, 2001). No ano seguinte João Enes edificava o portal e até 1535 as obras estariam concluídas. Apesar de em meados da centúria a Misericórdia de Viana estar em pleno funcionamento, persistia ainda o problema da falta de um edifício onde pudesse ser prestada alguma assistência hospitalar. Embora os irmãos patrocinassem obras de melhoramento tanto na casa do consistório como na capela, a irmandade não possuía hospital próprio, utilizando o hospital concelhio, situado na Praça da Erva (OLIVEIRA, Catarina,2002, pp.129-130). A irmandade só conseguiu solucionar este problema na década de oitenta, quando decidiu iniciar a construção de um hospital próprio, bem como uma nova igreja no Campo do Forno, a praça central da vila. A obra de edificação do hospital levou cerca de uma década a ser terminada, iniciando-se a abertura das fundações em 1585 e estando o complexo concluído em 1594.
Da autoria de João Lopes o Moço (OLIVEIRA, Catarina, 2002, pp. 132-134), o Hospital das Chagas da Misericórdia de Viana apresenta uma curiosa estrutura que não tem paralelo na arquitectura maneirista portuguesa. Com uma fachada monumental dividida em três registos que integram uma loggia e varandas, decoradas por figuras de hermes, cariátides e medalhões com bustos que representam figuras da época, o edifício da Misericórdia foi inspirado nos modelos arquitectónicos da Europa do Norte. As varandas, que se tornaram o seu elemento mais característico, são "uma das características mais maneiristas do edifício", uma vez que provocam um ideia de ambiguidade sobre a profundidade do seu espaço (SILVA, J.H. Pais da,1996,pp.222-223).
O programa decorativo, inspirado nas gravuras flamengas, apresenta uma estrutura repleta de figuras humanas e mascarões, e as coberturas dos espaços da loggia e varandas foram decoradas com motivos de ornamento rústico. Os arcos que abrem para a loggia assentam sobre uma colunata jónica cujas impostas são decoradas por bustos de homens de turbante. Junto à entrada para o interior do edifício foi inserida uma Mater Omnium, esculpida por Lopes o Moço. Nos registos superiores, correspondentes às varandas, foi explorado o "suporte animado", pilastras decoradas por hermes e cariátides que sustentam as estruturas, aplicados, respectivamente, no segundo e no terceiro registos, um elemento de bases vitruvianas inspirado na tratadística nórdica. Na zona inferior destes suportes foram esculpidos bustos de figuras trajadas segundo os costumes da época, que possivelmente representam os irmãos da Misericórdia que patrocinaram a obra (OLIVEIRA, Catarina,2002, p 142). Muitos destes suportes são decorados lateralmente por mascarões. A fachada é rematada por frontão triangular encimado por imagem de Cristo Crucificado ladeado pela Virgem e por São João. O portal lateral do edifício apresenta um programa decorativo igual ao da fachada, utilizando também o "suporte animado", com figuras de hermes cujos torsos são decorados por folhagens e com bustos na zona inferior das pilastras. Sobre o arco foi inserido um escudo com as Chagas de Cristo, numa alusão ao nome do hospital.
De clara inspiração nórdica, a Misericórdia de Viana da Foz do Lima apresenta-se como uma obra homogénea, afastada dos modelos vigentes na arquitectura portuguesa de então. Se à semelhança do que acontecia em muitas obras edificadas no Noroeste na segunda metade do século XVI, o programa decorativo foi inspirado nas gravuras flamengas, a estrutura do edifício, também derivada dos modelos flamengos, apresenta-se como inovadora e única no panorama da arquitectura maneirista portuguesa.
Catarina Oliveira

Bibliografia

Título

Viana do Castelo

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

CALDAS, João Vieira, GOMES, Paulo Varela

Título

«Lopes-uma família de artistas em Portugal e na Galiza», Revista Guimarães n.º 96

Local

Guimarães

Data

1986

Autor(es)

REIS, António Matos

Título

A arquitectura de granito em Viana da Foz do Lima - Renascimento e Maneirismo no Noroeste português

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

OLIVEIRA, Catarina

Título

Estudos sobre o Maneirismo

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

SILVA, Jorge Henrique Pais da

Título

O papel da Misericórdia no ordenamento da sociedade quinhentista de Viana, Iº Encontro das Misericórdias do Alto Minho

Local

Viana do Castelo

Data

2001

Autor(es)

MOREIRA, Manuel António Fernandes

Título

Arquitectura maneirista no Noroeste de Portugal

Local

Coimbra

Data

1996

Autor(es)

RUÃO, Carlos