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Capela de Nossa Senhora da Orada - detalhe

Designação

Designação

Capela de Nossa Senhora da Orada

Outras Designações / Pesquisas

Capela de Nossa Senhora da Orada (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Melgaço / Vila e Roussas

Endereço / Local

EN 301
Orada

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Em local ainda hoje ermo, a pequena ermida de Nossa Senhora da Orada impressiona pela relação (aparentemente estranha) de um templo cuidadosamente construído - e, até, de certo requinte arquitectónico e escultórico - e o carácter inóspito e isolado do local em que se implanta. Esta circunstância tem vindo a ser explicada à luz da santidade do lugar, que, na segunda metade do século XII, "seria já pólo de atracção e de dádivas que impulsionaram e ajudaram a sua construção" (ALMEIDA, 1986, p.56). O mesmo argumento estará na base do topónimo "Orada", local de oração e de romaria, cuja vitalidade chegou quase até aos nossos dias (ALMEIDA, 1987, p.180).
Para a qualidade da construção certamente terão contribuído os monges de Fiães, cenóbio vizinho, então ainda ligado à Ordem de Cluny, que terá mesmo patrocinado a edificação da ermida, conforme inscrição identificativa do prior daquele mosteiro (BARROCA, 2000, p.1232, insc. nº479). O projecto executado inclui-se nos derradeiros momentos do estilo românico, denotando já a recepção de alguns elementos góticos sendo evidente, nesse produto final, o contraste entre a relativa singeleza do plano e a exuberância e qualidade da decoração. Com efeito, a avaliação que a maioria dos nossos historiadores da arte fizeram deste monumento tem acentuado esta divergência, como Manuel Monteiro realçou há mais de meio século (MONTEIRO, 1941, republ. 1980, pp.280-281).
Arquitectonicamente, a ermida não se diferencia muito dos edifícios religiosos tardo-românicos inseridos em contextos rurais e periféricos, que se organizam a partir de dois rectângulos justapostos: a nave e a capela-mor, neste caso ambas cobertas com tecto de madeira, e arco triunfal quebrado.
A fachada principal, todavia, invalida essa avaliação imediata, na medida em que se apresenta como uma das realizações mais originais do nosso românico: o portal principal está inserido numa ampla moldura rectangular, definida superiormente por uma cornija suportada por modilhões e, lateralmente, por dois volumosos contrafortes, colocados frontalmente em relação ao alçado. Este sistema de contrafortagem é, aliás, o principal elemento construtivo de interesse, uma vez que, relacionando-se com estes esbarros da frontaria, outros dois existem que cintam as fachadas laterais, formando um conjunto que claramente pretendeu conferir maior monumentalidade e impacto visual à fachada principal.
Decorativamente, a Orada integra-se no grupo mais tardio da escultura românica do Alto Minho, um núcleo de templos tardios, em que a decoração começa a ser depurada e sóbria, por oposição à exuberância decorativa de influência galega das igrejas da viragem para o século XIII (Ganfei, Longos Vales e Friestas) (ROSAS, 1987).
Particularmente interessante é o tímpano do portal lateral Norte, cuja composição representa a Árvore da Vida, protegida por uma harpia e um grifo. De tradição persa e sassânida, este é um dos mais claros exemplos de influência oriental no nosso românico (RODRIGUES, 1995, p.224), chegada ao Alto Minho por vias ainda desconhecidas mas que poderão estar relacionadas com uma eventual ligação ao Languedoc (MONTEIRO, 1941) ou, mais natural, à Galiza (ROSAS, 1987, pp.60-63).
Monumento protogótico em algumas das suas soluções - em particular na organização e decoração do portal principal (ALMEIDA, 2001, p.90) -, a ermida da Orada está consensualmente datada dos meados do século XIII. Uma inscrição de 1245, associada ao portal lateral Sul, tem sido invocada como data aproximada da conclusão das obras, indicação aceitável face aos dados estilísticos da escultura e da arquitectura.
Com intervenções pontuais no século XVIII, responsáveis, entre outros acrescentos, pela destruição dos capitéis do arco triunfal, a ermida foi integralmente restaurada no final da década de 30 do século XX, numa campanha de que se salienta a regularização do adro, a substituição de pavimentos e o desentaipamento de algumas frestas originais.
PAF

Bibliografia

Título

La sculpture figurative dans l'art roman du Portugal, Portugal roman, vol. I, pp.33-75

Local

-

Data

1986

Autor(es)

REAL, Manuel Luís

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O Minho Pittoresco

Local

Lisboa

Data

1887

Autor(es)

VIEIRA, José Augusto

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

Portugal roman, vol. II

Local

-

Data

1986

Autor(es)

GRAF, Gerhard N.

Título

Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho

Local

Porto

Data

1978

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

A igreja da Senhora da Ourada, Boletim da Academia Nacional de Belas Artes, nº8, pp.21-28, republ. Dispersos, 1980, pp.280-285

Local

Lisboa

Data

1941

Autor(es)

MONTEIRO, Manuel

Título

A escultura românica das igrejas da margem esquerda do Rio Minho, 2 vols.

Local

Porto

Data

1987

Autor(es)

ROSAS, Lúcia Maria Cardoso

Título

Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa, Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56

Local

Porto

Data

1972

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Igrejas e capelas românicas da Ribeira Minho, Caminiana, ano IV, nº6, pp.105-152

Local

Caminha

Data

1982

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols.

Local

Viana do Castelo

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Epigrafia medieval portuguesa (862-1422)

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Melgaço medieval

Local

Melgaço

Data

1975

Autor(es)

PINTOR, Manuel Bernardo

Título

O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção, Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80

Local

Caminha

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço