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Palácio Nacional da Ajuda - detalhe

Designação

Designação

Palácio Nacional da Ajuda

Outras Designações / Pesquisas

Paço da Ajuda (designação do diploma de classificação) (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Ajuda

Endereço / Local

Largo da Ajuda
Ajuda

Calçada da Ajuda
Lisboa

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Despacho de concordância de 11-12-1996 do presidente do IPPAR
Parecer de 28-10-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a devolução do processo para reapreciação
Nova proposta de 7-08-1996 da DR de Lisboa
Proposta de alteração de 17-09-1993 da CM de Lisboa
Em 15-10-1991 foi notificada a CM de Lisboa e solicitada a publicação de editais
Despacho de homologação de 10-10-1991 do Secretário de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 1-10-1991 do presidente do IPPC
Parecer favorável de 26-09-1991 da 9.ª secção do Conselho Consultivo do IPPC
Proposta de alteração de 20-09-1991 do IPPC
Portaria de 20-10-1959, publicada no DG, II Série, n.º 253, de 29-10-1959 (sem restrições) (ZEP do Palácio Nacional da Ajuda e da zona circundante do Palácio Nacional da AJuda)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A edificação do Palácio da Ajuda, que se prolongou desde 1796 até à década de 30 do século XIX, foi bastante atribulada, reflectindo as diversas conjunturas de cariz político e económico em que o país viveu nesses anos (invadida a capital pelas tropas napoleónicas em 1807 e, mais tarde, toda a problemática da subida ao poder dos liberais), mas também o próprio panorama artístico e arquitectónico, onde um gosto barroco que vinha de Mafra, muito ligado ao poder régio, chegava ao seu fim, suplantado pelo neoclassicismo nascente, directamente importado de Itália. Estas questões estiveram bem presentes nos vários compassos de espera e nas sucessivas interrupções das obras, em parte devido à falta de recursos, outras vezes por sanção económica por parte de quem ocupava o poder numa época já pouco dada a grandes empreendimentos áulicos. O próprio projecto, várias vezes modificado e tendo como autores Manuel Caetano de Sousa, o último arquitecto barroco, e depois Costa e Silva e Fabri, ambos de formação bolonhesa, denuncia uma encruzilhada arquitectónica, da qual o neoclassicismo dos dois últimos saiu vencedor.
Depois do incêndio da Real Barraca, em 1794, D. João VI optou pela edificação de um novo palácio, no mesmo local. Para tal, encarregou Manuel Caetano de Sousa que, a crer nas fortes críticas movidas por Costa e Silva e Fabri, em 1801, desenhou um projecto demasiado vinculado a uma linguagem barroca, e com soluções excessivamente "intrincadas". As obras, iniciadas em 1796, foram interrompidas pouco depois, por falta de recursos, recomeçando os trabalhos em 1802. Neste mesmo ano, Caetano de Sousa faleceu, deixando o Palácio entregue aos dois arquitectos referidos.
Costa e Silva e Fabri respeitaram o que estava então construído, introduzindo, no entanto, as necessárias alterações por forma a tornar o novo palácio real mais digno, sério e majestoso. Assim, o plano geral foi simplificado e reduzido aos núcleos estruturados em torno de dois pátios, sofrendo igual sorte a ornamentação, agora bastante mais depurada.
Apesar de, em 1807, estarem já definidas as equipas de pintores, escultores e decoradores, a chegada a Lisboa das tropas comandadas por Junot teve como consequência a interrupção das obras na Ajuda. Com Costa e Silva no Brasil, foi Fabri quem dirigiu os trabalhos entre 1813 e 1817, introduzindo novas alterações e gerando uma discussão com o primeiro arquitecto, da qual resultou a planta, apenas conhecida pela cópia de 1821. O modelo de Fabri era, com certeza, a Real Caserta de Nápoles, desenhada por Vavitelli. Quando António Francisco Rosa assumiu a condução dos trabalhos, em 1818, as obras prosseguiram em ritmo pouco acelerado, e à data do regresso da família real, muito faltava ainda por fazer. A partir daqui, as cortes insurgiram-se com as verbas gastas na Ajuda, cujas obras se reiniciaram em 1826 por iniciativa de D. Isabel Maria, que procurou tornar o palácio habitável. Reduziu-se o plano a metade, ou seja, a um único bloco, num projecto que foi interrompido pela vitória liberal, em 1833. Só com D. Luís e D. Maria Pia a Ajuda ganhou novo fôlego, tendo Possidónio da Silva transformado a fachada nascente na principal, e acentuando o gosto italiano.
No campo da decoração, o átrio seria ocupado pelo programa escultórico inspirado na iconologia de Cesare Ripa e delineado por Machado de Castro que era, desde 1802, o responsável por esta área. Também aqui se sente o término de um período, bem marcado pelas esculturas executadas por este mestre e os seus discípulos, e o novo classicismo patente na obra de João José de Aguiar.
Os valores civilistas que se pretendiam salientar aqui, mantiveram-se nas pinturas do interior, cujos responsáveis iniciais foram Domingos Sequeira e Vieira Lusitano, sob a direcção da Marquesa de Alorna. As obras que deveriam evidenciar o heroísmo da Nação e os feitos gloriosos dos reis, foram executadas por Cyrillo Volkmar Machado, Cunha Taborda, Fuschini, entre outros.
(RC)

Outras Descrições

O Jardim das Damas

Tipo

Enquadramento Arquitectónico, Urbano e Paisagístico

Descrição

Jardim
O Jardim das Damas implanta-se a norte do palácio nacional. Fazia parte do "Paso Real (...) edificado depois do Terremoto de 1755 no Alto da Ajuda dicto vulgarmente a Barraca". Destinava-se a recreio de senhoras da corte. Não excede 3000 m2, distribuindo-se por duas plataformas assimétricas, dominadas por um mirante. Isolado por muros das ruas contíguas, abre-se a sul sobre o Tejo.
Acede-se ao tabuleiro inferior do jardim por duas escadarias enquadradas por jaulas, que rompem o muro encimado por uma balaustrada. Aparentemente retangular, estrutura-se em torno de eixos perpendiculares, definidos pelas grandes peças de água: o tanque elíptico e a cascata rochosa. Caminhos ensombrados por plátanos, suspiros e magnólias, em tempos pontuados por pequenas fontes, delimitam os canteiros de buxo. O muro que o resguarda é rasgado a nascente por um portão recente e a norte por um vão, que abre para uma pequena cascata e uma escadaria. No topo desta última, distingue-se a poente: a escada rampeada que ascende ao terraço e ao corpo janelado do mirante; o acesso ao pequeno e irregular tabuleiro superior onde resiste uma romãzeira centenária.
O tabuleiro superior, protegido por altos muros cobertos de vinha virgem e bordejado por parapeitos capeados a lioz, encerra vários canteiros dispostos em torno de um lago circular, enquadrando a fachada principal do mirante.
Carrancas, conchas, búzios, peixes ou golfinhos ornamentam as peças de água, alimentadas pelo depósito de Telheiros para o qual convergiam os aquedutos de Monsanto. As cantarias em lioz são simples e depuradas, excetuando pormenores de feição Rocaille. Os paramentos pintados são sóbrios, recordando os antigos rodapés e molduras de rebocado branco sobre fundos pigmentados a ferro. Painéis de azulejos com cenas galantes e paisagens revestem internamente os parapeitos do mirante. Embrechados de pedra branca, preta e avermelhada definem motivos vegetalistas que sobressaem numa fonte. Os pavimentos, rampas, patamares e patins contemplam soluções tradicionais: sarrisca, tijoleira e lajeados de calcário.
História
Sucedeu ao velho Jardim das Senhoras, confinado a um dos pátios da "Real Barraca". Desconhece-se o projetista desta obra que remete para cenografias da época. Registos de 1784 incluem referências à construção do mirante. Nos tempos de D. Maria I frequentava-se o jardim nunca concluído: pelo menos uma das pirâmides de cantaria da cascata grande não foi chumbada no local definitivo, permanecendo tombada por 200 anos. Veio a ser abandonado após o incêndio que consumiu o paço de madeira em 1794. O projeto do novo palácio previa a demolição do jardim que subsistiu pela falta de meios para a conclusão do edifício.
Na segunda metade do séc. XIX, a Ajuda foi residência de D. Luís e D. Maria Pia. A "Planta do Real Paço d'Ajuda e suas cercanias", de 1869 inclui uma representação do jardim. Acedia-se então por um passadiço de madeira instalado na ala poente do palácio. Documentos deste período registam o envolvimento de um jardineiro italiano, a plantação de várias árvores de fruto e a reserva de sementes. Foi profundamente alterado em cronologias posteriores: removeu-se a vegetação; aterrou-se a cascata grande; adulteraram-se lagos e tanques; instalaram-se de regadeiras; lavraram-se caminhos; criou-se uma horta. No séc. XX acentua-se a degradação, sendo estaleiro e depósito de materiais.
Em 1988, iniciou-se a recuperação do jardim abrangido pelo protocolo "Recuperação de Jardins Históricos" assinado pelo IPPC e pela APAP. A pesquisa exaustiva, as sondagens e a abordagem multidisciplinar realizadas nos anos seguintes fundamentaram o projeto de recuperação, que veio a destacar o período mais marcante da história do jardim e a ser selecionado como "Projeto Piloto - Recuperação do Património Arquitetónico Europeu/CCE 1993". A obra iniciada em 1994 deu-se por concluída em 1996.
Mário Fortes
DGPC, 2015.

Imagens

Bibliografia

Título

A Baixela de Sua Magestade Fidelíssima

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

IPPAR, Palácio Nacional da Ajuda

Título

Os Mais Belos Palácios de Portugal

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

GIL, Júlio

Título

Lisboa Desaparecida

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

DIAS, Marina Tavares

Título

Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Os três arquitectos da Ajuda: do rocaille ao neoclássico

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

CARVALHO, Ayres de

Título

A cultura arquitectónica e artística em Portugal no séc. XVIII

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

GOMES, Paulo Varela

Título

Um Olhar sobre o Palácio. Aguarelas, óleos e técnica mista de Cohen Fusé.

Local

Lisboa

Data

-

Autor(es)

-

Título

A Educação dos Príncipes no Paço da Ajuda [1863-1884]

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

GUEDES, Carmina Correia

Título

O Palácio Nacional da Ajuda

Local

Lisboa

Data

1961

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Palácio da Ajuda

Local

Lisboa

Data

1973

Autor(es)

CARVALHO, Ayres de

Título

Um Olhar sobre o Palácio. Aproximações a 6 Tapeçarias.José Luís Tinoco

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

GODINHO, Isabel Silveira

Título

Um Olhar sobre o Palácio. Retratos de Pessoas Reais. Óleos de Luís Pinto-Coelho

Local

Lisboa

Data

1996

Autor(es)

GODINHO, Isabel Silveira

Título

Um Olhar sobre o Palácio. Telas de Jacinto Luis

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

GODINHO, Isabel Silveira

Título

Tempo Real. Colecção de Relógios do Paço da Ajuda - Clocks and Watches Ajuda Palace Collection

Local

Lisboa

Data

1996

Autor(es)

GODINHO, Isabel Silveira, PLAISTER, Elisabeth

Título

Arte Portuguesa do Século XIX [roteiro]

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AA VV

Título

História da Arte em Portugal - O Pombalismo e o Romantismo

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

FRANÇA, José-Augusto

Título

Neoclassicismo ou fim do classicismo?, História da Arte Portuguesa

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

Poder e Razão. A Escultura Monumental no Palácio Nacional da Ajuda

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

PINHO, Elsa Garrett

Título

Palácio Nacional da Ajuda: itinerários

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

GODINHO, Isabel Silveira

Título

O Paço da Ajuda

Local

Lisboa

Data

1955

Autor(es)

CÂNCIO, Francisco

Título

O ensino das belas-artes nas obras do Real Palácio da Ajuda (1802 a 1833)

Local

Lisboa

Data

1936

Autor(es)

COSTA, Luís Xavier da

Título

A Real Barraca: a residência na Ajuda dos reis de Portugal após o terramoto (1756-1794)

Local

Lisboa

Data

2009

Autor(es)

ABECASIS, Maria Isabel Braga

Título

Ajuda (Palácio Nacional da), in Dicionário da História de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

GODINHO, Isabel Silveira