Saltar para o conteúdo principal da página

Torre do Palácio dos Terenas - detalhe

Designação

Designação

Torre do Palácio dos Terenas

Outras Designações / Pesquisas

Torre de Pedro-Sem, erradamente designada por Torre da Marca / Torre de Pedro-Sem / Torre da Marca (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Porto / Lordelo do Ouro e Massarelos

Endereço / Local

Rua da Boa Nova
Massarelos

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 6-05-1960, publicada no DG, II Série, n.º 115, de 16-05-1960 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 6-05-1960, publicada no DG, II Série, n.º 115, de 16-05-1960

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Antes de ser integrada no Palácio dos Terenas, este monumento foi conhecido como a Torre de Pedro Sem, nobre que, na primeira metade do século XIV, esteve na origem da sua construção. Chanceler-mor de D. Afonso IV, monarca que mandou dotar a cidade de novas muralhas, a torre residencial, maciça e ameada, cabeça de uma quinta peri-urbana em relação ao burgo medieval, foi a solução de prestígio e de poder que o delegado real encontrou para afirmar a sua presença na cidade.
Posteriormente, veio a ser conhecida com outras designações, nomeadamente Torre da Marca, por confusão com uma outra estrutura de cariz militar, muito perto desta, mandada construir por D. João III em 1542 para orientação "dos navios que demandavam a barra do Douro" (LIMA, 2001, p.43), e Torre do Palácio dos Terenas, em referência ao palácio que lhe foi associado em finais do século XVIII.
Mas, durante toda a Idade Média, foi conhecida como Torre de Pero Sem, mantendo-se na sua família por quase dois séculos. Em 1431, ainda estava na posse dos descendentes do seu primeiro proprietário, sendo referida no testamento de Martim d'Océm, chanceler do rei D. Duarte e que se fez sepultar em São Domingos de Santarém, estando o seu túmulo hoje no Museu de São João de Alporão. No final do século XV, porém, um outro Pero Sem vendeu-a a João Sanchez e sua mulher, Isabel Brandoa (LIMA, 2001, p.44). Dava-se, assim, início à longa relação desta propriedade com os Brandão, família que, no final do século XIX, associou à velha torre medieval um dos mais importantes palácios urbanos do Porto. Igualmente conhecido como Marqueses de Terena, a quinta acabou por adoptar também essa designação.
O primitivo espaço, periférico em relação à cidade, estava já sob pressão urbanística e a antiga Quinta da Boa Vista (como era conhecida no século XV) transformou-se numa propriedade urbana, vinculada urbanisticamente ao Porto. É neste contexto que se inscreve a construção do Palácio setecentista, obra de arquitectura urbana, de fachada monumental a dois andares e abrindo para uma ampla praça. O impacto urbanístico do paço relegou a velha torre medieval para um plano secundário; em todo o caso, ela foi preservada pelo projecto tardo-barroco, sinal da sua importância simbólica (enquanto marca de prestígio residencial), muitos séculos depois de Pedro Sem.
A torre, apesar das múltiplas adulterações por que passou, mantém um figurino geral medieval. A fachada principal, virada a nascente e única frente visível, está organizada em três andares, apreensíveis do exterior pela disposição das janelas, as do terceiro registo de feição neo-gótica, reflectindo as sucessivas alterações efectuadas. A entrada principal apresenta um arco apontado ao centro, e outra entrada secundária, em arco recto, foi aberta mais para Norte. Entre os dois primeiros andares, algumas janelas, dispostas assimetricamente, provam as diferentes organizações espaciais do interior, ao longo dos séculos.
Infelizmente, pouco sabemos acerca da organização interior inicial. Em 1919, o imóvel foi adquirido pela Diocese do Porto, que aqui instalou o seu paço episcopal, por haver sido desalojada do morro da Sé pelas nacionalizações a seguir à implantação da República. Mais recentemente, em 1986, a torre foi adaptada a área residencial da diocese, por projecto do Arquitecto Abrunhosa de Brito, transformando-se integralmente toda e qualquer estrutura medieval ou moderna que, à época, ainda subsistisse. Em 1995, aqui veio a instalar-se a Fundação SPES, organismo criado por disposição testamentária de D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto de 1952 a 1982, para o desenvolvimento "de uma civilização do Amor e da Beleza" (LIMA, 2001, p.46, cit. testamento).
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Silva de História e Arte (Notícias Portucalenses)

Local

Porto

Data

1945

Autor(es)

BASTO, Artur de Magalhães

Título

Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho

Título

Guia histórico e artistico do Porto

Local

-

Data

1935

Autor(es)

PASSOS, Carlos de

Título

O Pedro Sem, O Tripeiro, vol.1, nº23, pp.73-74 e vol.1, nº24, pp.295-298

Local

Porto

Data

1909

Autor(es)

VITERBO, Francisco M. de Sousa

Título

Casas antigas e restos venerandos, História da Cidade do Porto, vol.1, pp.538-542

Local

Porto

Data

1962

Autor(es)

COUTINHO, Bernardo Xavier

Título

A torre de Pedro Docém, O Tripeiro, 1909

Local

Porto

Data

1909

Autor(es)

COELHO, J. J. Gonçalves

Título

Casa da Torre da Marca, Monumentos, nº14, pp.43-47

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

LIMA, J. Godinho de