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Ponte de Vilar de Mouros - detalhe

Designação

Designação

Ponte de Vilar de Mouros

Outras Designações / Pesquisas

Ponte de Vilar de Mouros (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Ponte

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Caminha / Vilar de Mouros

Endereço / Local

-- sobre o rio Coura, no lugar da Ponte
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Muito perto da foz do Coura, numa secção do Alto Minho caracterizada por suaves margens e denso arvoredo, uma antiga via medieval cruzava o rio. O trajecto ligava Caminha a Valença e à fronteira galega, passando por Vilarelho, Venade, Argela e Vilar de Mouros (ALVES, 1987, p.62). Daqui, o caminho bifurcava para Norte, em direcção a Seixas, evitando a passagem do Minho em Caminha, por barca, (ALMEIDA, 1998, p.350), ou para o interior, ao longo do Coura.
Construtivamente, a ponte pode considerar-se um protótipo das pontes góticas nacionais. A grande maioria dos autores que a ela se referiram coincide na proximidade estrutural e estilística para com a ponte de Ponte de Lima, ela sim o verdadeiro modelo de ponte gótica seguida no Norte do país, pela sua dimensão e pelo impacto que certamente teve no panorama laboral e económico do Entre-Douro-e-Minho da altura. Na obra de Vilar de Mouros, o esquema seguido é idêntico, com grandes arcos ligeiramente quebrados, intercalados por olhais sobre talhamares prismáticos, que reduzem, consideravelmente, o peso da estrutura. Outras características reforçam a cronologia gótica da obra, como o duplo tabuleiro em cavalete ou o número ímpar de arcos, facto já considerado como normal na arquitectura gótica de pontes (ALMEIDA e BARROCA, 2002, p.125). O facto de o desnível dos tabuleiros não ser muito acentuado terá levado alguns autores a equacionarem a possibilidade de, à semelhança da ponte de Ponte de Lima, também esta ser de origem romana (ALMEIDA e BARROCA, 2002, p.127), hipótese até ao momento não confirmada.
Com os seus três arcos (o médio de maior dimensão), a ponte de Vilar de Mouros é uma obra que confirma o racionalismo e o equilíbrio que estas estruturas de passagem atingiram no final da Idade Média, mas também a sua modéstia. Não existe, aqui, qualquer elemento de fortificação (como torres, ou ameias) - limitando-se as guardas laterais a um murete -, e mesmo o número de vãos confirmam o estatuto relativamente secundário da obra. Neste sentido, podemos concluir que, em Vilar de Mouros, simplificou-se o modelo mais ambicioso de Ponte de Lima e de outras pontes do Entre-Douro-e-Minho (como Ponte da Barca), num processo que deve corresponder ao carácter utilitário da maioria das pontes baixo-medievais do Norte do país.
Infelizmente, a tecnologia de construção de pontes na Baixa Idade Média apresenta-se como uma longa duração de mais de dois séculos, o que inviabiliza a melhor definição de cronologias e de grupos estilísticos. Desconhecemos a data da sua construção, embora Aníbal Ribeiro sugira os finais do século XIV e os inícios de XV (RIBEIRO, 1998, p.169). Tendo em conta que a reforma gótica da ponte de Ponte de Lima deve datar da segunda metade do século XIV (na sequência de grandes obras promovidas por D. Pedro I), é natural que uma parte significativa das pontes que, com ela são estilisticamente comparáveis, datem das décadas seguintes, argumento abonatório em relação à proposta de Aníbal Ribeiro.
A importância da ponte de Vilar de Mouros acentuou-se ao longo de toda a Idade Moderna, como se comprova pela existência de uma pequena capela a ela associada (a de Nossa Senhora da Piedade) e, principalmente, pelo recanto monumentalizado no acesso Norte, onde, na época barroca, se construiu uma Alminha, "com um pequeno nicho encimado por uma cruz em pedra" (RIBEIRO, 1998, p.169).
Até aos nossos dias, a velha ponte gótica manteve a sua função de passagem, mesmo com o advento das rodovias. Fazendo parte integrante da Estrada Nacional 301, tem sido alvo de campanhas restauradoras pontuais, dirigidas para a consolidação da estrutura e não para a preservação dos seus elementos originais. Testemunho de uma das mais antigas vias do Alto Minho, a ponte aguarda, ainda, um projecto de valorização, salvaguarda e estudo, que permita conservar e contextualizar a estrutura.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Pontes Antigas Classificadas

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

RIBEIRO, Aníbal Soares

Título

História da Arte em Portugal - o Gótico

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Caminhos medievais no Norte de Portugal, Caminhos portugueses de peregrinação a Santiago, pp.339-356

Local

Santiago de Compostela

Data

1998

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Caminhos velhos e Pontes de Viana e Ponte de Lima

Local

Viana do Castelo

Data

1962

Autor(es)

ARAÚJO, José Rosa de

Título

Caminha e seu concelho

Local

Caminha

Data

1985

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção, Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80

Local

Caminha

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço