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Igreja de Bravães - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Bravães

Outras Designações / Pesquisas

Mosteiro de Bravães / Igreja de São Salvador (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte da Barca / Bravães

Endereço / Local

Lugar do Mosteiro
Bravães

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O templo de Bravães é, com certeza, um dos mais importantes monumentos românicos portugueses. Como realçou Carlos Alberto Ferreira de Almeida, "não haverá, entre nós, edifício onde se evidenciem, mais vibrantemente, as características do nosso românico rural nem onde se mostre, mais eloquentemente, como e quanto este estilo foi assumido e regionalizado pelos nossos "mestres" e canteiros" (ALMEIDA, 2001, p.93). Como monumento singular que é, os problemas que encerra não são menores.
Ao que tudo indica, o primitivo mosteiro foi fundado por D. Vasco Nunes de Bravães, provavelmente ao redor de 1080, data apontada por Figueiredo da Guerra, há mais de cem anos, mas ainda não sujeita a crítica convincente, uma vez que, desse edifício, nada chegou aos nossos dias.
A obra do século XII, que se conserva na generalidade, não está isenta de problemas de datação e de identificação. Tem-se atribuído a promoção da campanha ao prior Egas Mendes, falecido em 1187 (e cuja lápide funerária se conserva na parede a ladear o portal Sul), mas desconhece-se por volta de que ano se iniciaram os trabalhos, nem se, em algum momento da segunda metade do século XII ou viragem para o XIII, o estaleiro se viu obrigado a paralisar. Ferreira de Almeida entendeu que, nas primeiras décadas de Duzentos, uma nova igreja reutilizou elementos da anterior, mas também é possível que os trabalhos tenham decorrido normalmente ao longo de mais de meio século, de nascente para poente e sem interrupções prolongadas.
À primeira fase de obras pertence o arco triunfal, datável dos meados do século XII. Os seus capitéis cúbicos, decorados com duas ordens de folhagem (melhor conseguido o do lado Norte), apresentam semelhanças com a cabeceira de São Cláudio de Nogueira, datada de 1145. As suas aduelas e os frisos da arcada e das impostas são também elementos que apontam para uma obra a rondar os meados do século, evidenciando o marco artístico bracarense da campanha (IDEM, p.96).
Esta caracterização do arco triunfal, todavia, não é pacífica, uma vez que o seu perfil apontado é já típico das construções proto-góticas. Ferreira de Almeida entendeu que, na fase final da igreja, ele poderá ter sido alteado (IDEM, p.95), hipótese que explicaria, também, a evoluída rosácea que o encima.
Algumas décadas mais tarde, muito provavelmente na primeira metade do século XIII, o estaleiro de Bravães chegava ao fim com a sua obra mais emblemática e, sem dúvida, uma das mais importantes realizações escultóricas e iconográficas do nosso românico. O portal principal, concebido intencionalmente como "porta da salvação", apresenta-nos uma composição em forma de retábulo, de cinco arquivoltas, e "há nele como que um delírio de escultura" (IDEM, p.96) que o individualiza e lhe confere um enorme poder de atracção.
O seu programa iconográfico é complexo e reparte-se por três zonas: nas colunas médias, representou-se a mais importante Anunciação do nosso Românico, obra de qualidade fruste, mas que recorre a estátuas-colunas que anunciam já o Gótico. O tímpano ostenta uma das poucas representações da Maiestas Domini nacionais: Cristo na mandorla ladeado pelos evangelistas que, aqui, "mais parecem camponeses que anjos", sintoma da modéstia e da rudeza dos artistas que a realizaram (RODRIGUES, 1995, p.271). Finalmente, as arquivoltas são decoradas com motivos diversos, as primeiras com elementos geométricos sumariamente tratados e as segundas ostentanto volumosas esculturas, algumas das quais representando um bispo, eclesiásticos, mulheres, anjos, etc. (GRAF, 1986, vol.2, p.188).
Ao longo dos séculos, o complexo foi enriquecido. De inícios do século XVI são os painéis murais do interior, cujo Martírio de São Sebastião contém uma inscrição com a data de 1510 (AFONSO, 2003, p.274). No século XIX, possuía um claustro, destruído em 1876, e foi bastante restaurado pela DGEMN nos anos 30 do século XX, suprimindo-se, então, numerosas obras da época moderna.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

As mais belas igrejas de Portugal, vol. I

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

GIL, Júlio

Título

La sculpture figurative dans l'art roman du Portugal, Portugal roman, vol. I, pp.33-75

Local

-

Data

1986

Autor(es)

REAL, Manuel Luís

Título

Influências da Galiza na arte românica portuguesa, Actas das II Jornadas luso-espanholas de História Medieval, vol. IV, pp.1483-1526

Local

Porto

Data

1990

Autor(es)

REAL, Manuel Luís, ALMEIDA, Maria José Perez Homem de

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

Portugal roman, vol. II

Local

-

Data

1986

Autor(es)

GRAF, Gerhard N.

Título

Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho

Local

Porto

Data

1978

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa, Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56

Local

Porto

Data

1972

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols.

Local

Viana do Castelo

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima

Local

Porto

Data

1926

Autor(es)

BARREIROS, Manuel de Aguiar

Título

Epigrafia medieval portuguesa (862-1422)

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção, Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80

Local

Caminha

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

A igreja românica de São Salvador de Ansiães, Brigantia, vol. XXI, nº1/2, pp.31-51

Local

Bragança

Data

2001

Autor(es)

FERNANDES, Paulo Almeida

Título

Igrejas e Capelas românicas da Ribeira Lima, Caminiana, ano IV, nº7, pp.47-118

Local

Caminha

Data

1982

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

San Salvador de Bravães: una encrucijada en el románico portugués

Local

Porto

Data

1984

Autor(es)

ALMEIDA, Maria José Perez Homem de

Título

Inventário artístico da região Norte - II, nº3 (Concelho de Ponte da Barca)

Local

-

Data

1973

Autor(es)

-