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Igreja de São Pedro - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São Pedro

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Pedro de Arganil (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Coimbra / Arganil / Arganil

Endereço / Local

EN 342-4 (Arganil-Sarzedo)
Arganil

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 20 249, DG, I Série, n.º 196, de 24-08-1931 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 17-11-1950, publicada no DG, II Série, n.º 14, de 17-01-1951 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 17-11-1950, publicada no DG, II Série, n.º 14, de 17-01-1951

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Constantemente considerada uma obra arcaica, periférica e limitada, um "exemplo típico da permanência de uma estética retrógrada nas zonas rurais do interior de todo o território a norte do Tejo" (DIAS, 1986, vol.4, p.47), a igreja de São Pedro de Arganil deve, igualmente, ser entendida como uma realização de algum fulgor e de inovação nos contextos regional e funcional. Com efeito, se os diversos estudos têm acentuado o estatuto modesto do templo, no quadro de uma arquitectura gótica vincadamente urbana e volumetricamente complexa, outras características existem que lhe conferem um lugar de destaque no quadro da recepção da nova arte no interior do país e, especialmente, na evolução dos lugares de sepultura da Baixa Idade Média portuguesa.
A sua construção ficou a dever-se a D. Marinha Afonso e a D. Fernão Rodrigues Redondo, senhores de Arganil durante o reinado de D. Dinis e responsáveis pela construção de um paço senhorial na vila, de que, na actualidade, nada resta, à excepção do topónimo (ANACLETO, 1996, p.17). A intenção do casal era sepultar-se na igreja mas, por razões que se desconhecem (possivelmente por nunca terem tido filhos), ambos acabaram por optar por templos de Santarém, terra onde D. Fernão tinha várias propriedades.
A igreja-capela sepulcral de São Pedro de Arganil é, desta forma, uma das poucas construções de carácter funerário que recorrem a um modelo planimétrico dito paroquial, com corpo de três naves e cabeceira tripartida. À luz desta funcionalidade privada, podemos começar a entender melhor algumas daquelas características "arcaizantes" que a distinguem, como a escassa iluminação ou a ausência de decoração.
Ao analisar o templo, é clara a tentativa de implementação de um modelo que se afirmara ao longo de todo o século XIII e que havia sido experimentado nas principais obras do reino: fachada principal ad triangulum, com corpo central a dois registos, rasgado axialmente por portal principal sobrepujado por rosácea; corpo de três naves escalonadas e cabeceira tripartida. Ora, o que diferencia o templo de Arganil do conjunto de monumentos mendicantes de Santarém, ou do monumento-modelo de Santa Maria do Olival, de Tomar, é a minimização de recursos técnicos e decorativos que aqui vemos empregues: ao contrário das cabeceiras cobertas com abóbadas, encontramos texto de madeira; o portal, normalmente enquadrado por várias arquivoltas assentes em capitéis decorados, deu lugar a um vão de arco único, sem qualquer decoração, ladeado por dois poderosos contrafortes que marcam a divisão interior, e sobrepujado por um apertado óculo, distante das grandes rosáceas; no interior, onde deveriam existir altas frestas laterais e, eventualmente, um tramo poligonal com janelas a rematar a capela-mor, aparecem minúsculas frestas que pouco ou nada iluminam o interior.
Estes elementos, a par de outros considerados como arcaizantes, devem motivar a interrogação acerca da sua existência numa obra de patrocínio nobre, em data relativamente tardia, e onde é de presumir alguma relação com os evoluídos estaleiros de Santarém, como se depreende pelo aparelho utilizado (à base de pedra miúda de talhe deficiente) e pela própria ligação do casal à cidade do Tejo.
Pensamos que tal deve-se à função funerária do monumento (como sugeriu já ANACLETO, 1996, p.92), mais propícia ao despojamento decorativo que à exuberância experimentalista que caracteriza o Gótico. Uma função funerária que, apesar de nunca ter sido efectivada, marcou profundamente o templo, a ponto de, nos séculos da Modernidade, não ter sido alvo de grandes campanhas de obras, de retabulária, azulejaria e, mesmo, arquitectura.
Restaurada na primeira metade do século XX, a igreja de São Pedro permanece como uma obra deficientemente entendida. Ao contrário da rudeza tardo-românica (que alguns autores lhe atribuem), ela é uma realização plenamente gótica e dotada de personalidade própria, à semelhança e medida dos seus promotores.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal: distrito de Coimbra

Local

Lisboa

Data

1952

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira, CORREIA, Vergílio

Título

A Arquitectura (1250-1450), História da Arte Portuguesa, dir. Paulo Pereira, vol. I, pp.335-433

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, Paulo

Título

A arquitectura gótica portuguesa

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

História da Arte em Portugal, vol. IV (O Gótico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Arganil

Local

Kisboa

Data

1996

Autor(es)

ANACLETO, Regina

Título

Arganil e o seu concelho

Local

Porto

Data

1995

Autor(es)

VALE, Fernando, EIRA, Augusto da, PÉSSIMO, Alberto

Título

Ligeiras notas para a história do concelho de Arganil

Local

Arganil

Data

1960

Autor(es)

MATOSO, António G.