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Igreja de Santa Clara - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santa Clara

Outras Designações / Pesquisas

Igreja do Convento de Santa Clara / Igreja de Santa Clara de Santarém / Mosteiro de Santa Clara (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Santarém / Santarém / União de Freguesias da cidade de Santarém

Endereço / Local

Avenida Sacadura Cabral
Santarém

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 3 027, DG, I Série, n.º 38, de 14-03-1917 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 30-06-1947, publicada no DG, II Série, n.º 169, de 23-07-1947 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 30-06-1947, publicada no DG, II Série, n.º 169, de 23-07-1947

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja do destruído convento de Santa Clara de Santarém é o maior templo gótico do núcleo escalabitano. A sua nave extremamente longa, de oito tramos, justifica-se pela expectativas de afluência de crentes no quadro mental mendicante da época (PEREIRA, 1995, vol. I, p.372), mas explica-se apenas pelo constante apoio régio com que esta instituição contou no longo processo de construção do seu convento.
A fundação remonta ao reinado de D. Afonso III, designadamente a 1259, ano em que as clarissas trocaram Lamego por Santarém, nessa altura já a segunda cidade do reino em população. Seis anos depois, em 1265, sagrou-se a igreja, "certamente uma construção pequena e modesta" (DIAS, 1994, p.76) e não ainda o amplo templo que chegou até nós. O ritmo das obras foi bastante mais lento, prolongando-se por todo o século XIII e a primeira metade do século XIV, contando ainda com importantes benefícios da rainha D. Isabel e do próprio D. Dinis.
Estilisticamente, a igreja filia-se no ciclo mendicante de Santarém, apresentando analogias muito fortes com a igreja do Convento de São Francisco da mesma cidade. Não só as suas cabeceiras são as únicas que se compõem de cinco capelas escalonadas - para uma realidade de apenas quatro conventos do século XIII a disporem de uma mesma organização espacial da cabeceira -, como o aspecto geral denuncia uma proximidade evidente. Gérard Pradalié identificou alguns elementos construtivos comuns, como a feição geral das arcadas e dos suportes (PRADALIÉ, 1972, publ. 1992, p.61), e a contemporaneidade das duas construções - a que deveremos acrescentar a empresa do convento de São Domingos de Satarém, provavelmente a terceira casa conventual escalabitana de cinco capelas na cabeceira - é mais um dado que acentua o "ar de família" entre todas estas realizações arquitectónicas. Particularmente importante na primeira fase de edificação da obra parece ter sido a filha de D. Afonso III, D. Leonor Afonso, que nesta casa foi freira e "onde a sua memória era guardada com sinais de santidade" (CUSTÓDIO, 1996, p.70). O seu túmulo original foi descoberto aquando das obras de restauro da responsabilidade da DGEMN, na década de 30 do século XX (SARMENTO, 1937, republ. 1993, pp.194-195) e revela uma clara aproximação compositiva para com o túmulo real de D. Dinis no Mosteiro de Odivelas, pelas figuras de religiosos inseridos em edículas nos frontais (MACEDO, 1995, vol. I, p.444), ainda que Reynaldo dos Santos tenha identificado neste túmulo uma certa influência coimbrã que não se testemunha em Odivelas (SANTOS, 1948, vol. I, p.22).
Ao longo dos séculos muitas foram as campanhas artísticas que se sucederam neste espaço conventual. Em 1554 comprova-se a execução de um retábulo por Diogo de Contreiras (SERRÃO, 1990, p.36) e na segunda metade do século XVII, em consequência de dois graves incêndios (1668 e 1669), a parte conventual foi inteiramente modificada, chegando mesmo a alterar-se significativamente a igreja. De entre as obras então efectuadas, salienta-se a supressão do transepto, a divisão do amplo corpo, a opção por um novo tecto de caixotões e a aplicação do revestimento azulejar maneirista (CUSTÓDIO, 1996, p.69).
Fechadas as portas em 1902, ano em que a última freira faleceu, o convento entrou definitivamente em ruína. Pouco depois os seus bens foram vendidos e o seu recheio desbaratado por particulares. Em 1934 a DGEMN iniciou o polémico restauro da igreja, tendo por objectivo a restituição do monumento à sua pureza original, orientação que determinou a supressão de todos os elementos não góticos que à data subsistiam na igreja. Seis anos depois da publicação do Boletim respeitante a este processo (DGEMN, 1942-43), Gustavo de Matos Sequeira lamentava já o valiosíssimo espólio perdido (SEQUEIRA, 1949, pp.79-80), que contava, entre outras obras, o retábulo quinhentista de Contreiras, o cadeiral do coro, os azulejos, os elementos barrocos e o claustro quinhentista.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Santarém

Local

Lisboa

Data

1949

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

História e Monumentos de Santarém

Local

-

Data

1993

Autor(es)

SARMENTO, Zeferino

Título

O Gótico de Santarém no tempo de S. Frei Gil, S. Frei Gil de Santarém e a sua época

Local

-

Data

1997

Autor(es)

PEREIRA, Paulo

Título

VI. Igreja do Convento de Santa Clara, Património monumental de Santarém

Local

-

Data

1996

Autor(es)

CUSTÓDIO, Jorge

Título

Santarém

Local

-

Data

1990

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

A Arquitectura (1250-1450), História da Arte Portuguesa, dir. Paulo Pereira, vol. I, pp.335-433

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, Paulo

Título

A arquitectura gótica portuguesa

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

DIAS, Pedro