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Convento do Monte Calvário - detalhe

Designação

Designação

Convento do Monte Calvário

Outras Designações / Pesquisas

Convento de Santa Helena do Monte Calvário / Mosteiro do Monte Calvário (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Évora / Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão)

Endereço / Local

Rua Cândido dos Reis
Évora

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 8 217, DG, I Série, n.º 130, de 29-06-1922 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 23-11-1953, publicada no DG, II Série, n.º 62, de 15-03-1954 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 23-11-1953, publicada no DG, II Série, n.º 62, de 15-03-1954

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

Abrangido por conjunto inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO, que, ao abrigo do n.º 7 do art.º 15.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro, se encontra classificado como MN

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Fundado pela Infanta D. Maria, filha de D. Manuel e D. Leonor, o convento de Santa Helena do Monte Calvário foi uma das casas mais pobres da Ordem Franciscana existentes em Évora (ESPANCA, Túlio, 1993, p. 92). Consagrada inicialmente à Vera Cruz, por neste local existir uma ermida com a mesma invocação, a casa conventual do Monte do Calvário começou a ser construída em 1569, segundo projecto de Afonso Alvares (arquitecto-mor da comarca do Alentejo), e sob a direcção do mestre de obras Mateus Neto. O processo de obras revelou-se bastante célere, sendo o convento consagrado em 23 de Outubro de 1574 (ainda que esta campanha tenha sido, com certeza, prolongada).
Ao longo dos séculos, o convento foi sofrendo vicissitudes várias que, mau grado os estragos provocados, permitem ainda hoje uma correcta leitura da estrutura dos espaços conventuais, construídos no decorrer da primeira campanha de obras. Uma campanha que imprimiu ao edifício uma severa unidade arquitectónica, conforme às imposições do barroco tridentino, e que podem ser observadas na solidez e na severidade das cantarias dos cunhais e botaréus, na alvura das vastas superfícies de alvenaria (ESPANCA, Túlio, 1993, p. 92).
A planta da igreja, rectangular e alongada, com abóbada em caixotões geométricos (outrora pintados) e paredes reforçadas por pilastras formeiras revestidas de azulejaria de tipos diferenciados, reflecte naturalmente o gosto maneirista contemporâneo vigente. Os azulejos policromos ou azuis e brancos, com decoração naturalista ou de figura avulsa, são obra de oficina lisboeta, oferecida pelo Arcebispo D. Frei Luís da Silva, em 1700 aproximadamente.
Na igreja, encontra-se ainda um importante núcleo de pintura representando a Vida da Virgem Maria, de São Francisco de Assis e de São Domingos de Gusmão, considerado por muitos como trabalho na órbita da oficina de Bento Coelho da Silveira (ESPANCA, Túlio, 1993, p.93). Duas outras pinturas, atribuídas a Simão Rodrigues (c. 1590), encontram-se nos altares laterais (GUSMÃO, Adriano de, 1954). Por sua vez, o altar-mor exibe um retábulo barroco de talha dourada (construído em 1697 por Francisco da Silva, entalhador eborense), com brasão de armas da Infanta D. Maria (que veio substituir o primitivo retábulo quinhentista, com pinturas representando cenas da Paixão de Cristo e de Santa Helena, executadas por Francisco João nos anos de 1593-94, e que ainda subsistem). Por sua vez, o cadeiral do coro, esculpido na época de D. José e D. Maria, veio substituir o original realizado com as doações de D. João IV.
O claustro, de planta rectangular, de dois andares com arcarias e colunas dóricas, foi concebido de acordo com a austeridade que imperava no convento e nas imposições do Concílio de Trento, privilegiando a simplicidade das linhas simples e a serenidade das proporções.
O refeitório, é composto por duas naves separadas por colunas dóricas com emblemas da Ordem, e exibe um tríptico de pintura maneirista representando a Última Ceia, S. Francisco, e Santa Clara. Permanecem ainda intactas a antiga portaria e respectiva roda, com azulejaria seiscentista de tipo tapete e pinturas manieristas de oficina local. A porta da enfermaria, datada de 1687, ostenta uma interessante decoração em baixo relevo, com símbolos franciscanos.
Uma última referência para a Sala do Capítulo, de planta rectangular dividida em dois tramos por coluna toscana de capitel renascentista com volutas pintadas, ao gosto de Chanterene, e que de acordo com Túlio Espanca, foram executadas segundo modelo das pilastras do antigo refeitório do Convento do Paraíso (ESPANCA, Túlio, 1966).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Breve Notícia do Mosteiro de Santa Helena do Monte Calvário em Évora

Local

-

Data

1899

Autor(es)

BARATA, António Francisco

Título

Évora

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

Inventário Artístico de Portugal, vol. VII (Concelho de Évora - volume I)

Local

Lisboa

Data

1966

Autor(es)

ESPANCA, Túlio