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Igreja de São Fins de Friestas - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São Fins de Friestas

Outras Designações / Pesquisas

Mosteiro de São Fins de Friestas (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Valença / Friestas

Endereço / Local

-- a 12 km de Valença
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 14 425, DG, I Série, n.º 228, de 15-10-1927 (classificou a Igreja de São Fins de Friestas) (ver Decreto)
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (Classificou os Trechos da igreja de S. Fins) (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Apesar de bastante alterada pelos restauros da primeira metade do século XX, a igreja de São Fins de Friestas é um dos nossos monumentos românicos mais importantes e um daqueles em que se evidencia, de forma mais clara, a longa duração da influência galega (em particular do estaleiro da Sé de Tui), que, na vertente esquerda do rio Minho, se prolongou mesmo para cá da viragem para o século XIII.
São muito confusas as notícias acerca das origens deste templo. A maioria dos autores, "estribados no Pe. António Carvalho da Costa e em Fr. Leão de S. Tomás (...) falam de um presumível convento" altimedieval (ALVES, 1982, p.132), mas, até ao momento, não se identificou qualquer vestígio material de um passado tão recuado. Igualmente problemático tem sido a sujeição do cenóbio undecentista às ordens religiosas então existentes. Mais uma vez, a maioria dos autores aponta num caminho dominante - a Ordem Beneditina, mas a existência de um narthex adossado à fachada principal, de, pelo menos, dois andares e de carácter presumivelmente funerário, levou Manuel Luís Real a colocar a hipótese de o mosteiro ter sido dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, instituição que patrocinou um modelo muito específico de arquitectura e de espaço religioso no século XII (REAL, 1982, pp.129-130).
Este narthex acabou por ser demolido no restauro mas ele era, ainda, importante para a correcta datação do conjunto. Embutido neste espaço encontrava-se uma inscrição que continha o ano de 1221, data que tem vindo a ser interpretada como elemento alusivo ao final da campanha de obras. Se o início de laboração do estaleiro tem sido difícil de estabelecer - embora as opiniões mais consensuais apontem para os finais do século XII (REAL, 1986, p.43; ALMEIDA, 1986, p.54; 2001, p.88) -, o termo da empreitada, em plena primeira metade do século XIII, não nos deve surpreender, num Norte português que foi avesso à recepção das inovadoras formas góticas.
Estrutural e artisticamente, a igreja de Sanfins permanece fiel ao chamado Românico do Alto Minho e à influência galega. De nave única desproporcionalmente alta, que acentua a monumentalidade cenográfica do conjunto, em detrimento da sua real espacialidade, a capela-mor é a parte mais importante. Ela compõe-se de dois tramos, sendo o primeiro recto e o segundo semicircular, numa disposição que Ferreira de Almeida considerou ser uma evolução da cabeceira de Ganfei (ALMEIDA, 1986, p.54).
É precisamente na capela-mor que se concentra a exuberante decoração escultórica. Ela constitui uma outra prova da tardia realização desta obra, na medida em que evidencia um superior gosto pela imagem humana e pelos temas figurativos, ao contrário do vizinho templo de Ganfei (cujas obras terminavam no momento em que se iniciavam as de Friestas), onde o vegetalismo da decoração é preponderante (REAL, 1986, p.43). De entre os vários motivos esculpidos, Jorge Rodrigues salientou os beak-heads (cabeças de lobo) dos modilhões, cuja mescla fantasista de corpos semi-vegetalistas atribuiu à cronologia tardia da sua feitura (RODRIGUES, 1995, p.229) e, especialmente, o sentido apotropaico de algumas figurações, casos das serpentes do tímpano do portal principal, verdadeiros "guardas do limiar" (RODRIGUES, 1995, p.293).
Ao lado da igreja românica, desenvolveu-se um conjunto monacal que foi substancialmente reformado na época moderna. Pela sua localização inóspita, as dependências conventuais conservam-se em grande medida, assim como a sua cerca, parte de um claustro quinhentista e secções importantes do aqueduto que abastecia o cenóbio.
No século XX, os restauradores da DGEMN actuaram apenas sobre a igreja. Nessa altura, demoliu-se o narthex e outros espaços anexos, bem como se ampliou toda a envolvente ocidental, por forma a garantir maior monumentalidade à igreja. O complexo monástico manteve-se inalterado e aguarda, ainda, por um estudo cuidado e por um projecto de valorização.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

La sculpture figurative dans l'art roman du Portugal, Portugal roman, vol. I, pp.33-75

Local

-

Data

1986

Autor(es)

REAL, Manuel Luís

Título

Influências da Galiza na arte românica portuguesa, Actas das II Jornadas luso-espanholas de História Medieval, vol. IV, pp.1483-1526

Local

Porto

Data

1990

Autor(es)

REAL, Manuel Luís, ALMEIDA, Maria José Perez Homem de

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O Minho Pittoresco

Local

Lisboa

Data

1887

Autor(es)

VIEIRA, José Augusto

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho

Local

Porto

Data

1978

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

A escultura românica das igrejas da margem esquerda do Rio Minho, 2 vols.

Local

Porto

Data

1987

Autor(es)

ROSAS, Lúcia Maria Cardoso

Título

Valença do Minho

Local

Póvoa do Varzim

Data

1978

Autor(es)

OLIVEIRA, A. Lopes de

Título

A comarca eclesiástica de Valença do Minho: antedentes da diocese de Viana do Castelo, I Colóquio Galaico-Minhoto (Ponte de Lima, 1981), pp.72-240

Local

Braga

Data

1983

Autor(es)

COSTA, Avelino de Jesus da

Título

Igrejas e capelas românicas da Ribeira Minho, Caminiana, ano IV, nº6, pp.105-152

Local

Caminha

Data

1982

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

1987 - 88 - Dois anos de pesquisa em arqueologia medieval e moderna, Cadernos Vianenses, nº 14, pp.121-182

Local

Viana do Castelo

Data

1990

Autor(es)

ABREU, Alberto Antunes de

Título

A organização do espaço arquitectónico entre beneditinos e agostinhos no século XII, Arqueologia, nº6, pp.118-132

Local

Porto

Data

1982

Autor(es)

REAL, Manuel Luís

Título

Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa, Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56

Local

Porto

Data

1972

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols.

Local

Viana do Castelo

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Valença na História e na Lenda

Local

Valença do Minho

Data

1990

Autor(es)

NEVES, Manuel Augusto A. Pinto

Título

O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção, Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80

Local

Caminha

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Afonso Henriques e a fronteira noroeste: contornos de uma estratégia (1996), A construção medieval do território, pp.75-86

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ANDRADE, Amélia Aguiar