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Anta de Mamaltar do Vale de Fachas - detalhe

Designação

Designação

Anta de Mamaltar do Vale de Fachas

Outras Designações / Pesquisas

Anta de Mamaltar de Vale de Fachas(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Anta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Viseu / Rio de Loba

Endereço / Local

-- -
Travassós de Cima

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (a classificação passou a ter a seguinte redacção: Anta de Mamaltar de Vale de Fachas) (ver Decreto) )
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou a Anta de Mamaltar, então localizada no concelho de Albergaria-a-Velha) (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Localizada numa elevação artificial, nas proximidades de Rio de Loba, a "Anta de Mamaltar do Vale de Fachas" foi erguida durante o Calcolítico desta região do actual território português.
Quando o arqueosítio foi identificado, em 1912, as entidades locais e regionais investidas de maior capital cultural e social iam-se compenetrando com maior profundidade do interesse e importância das investigações arqueológicas para um conhecimento mais abrangente e real do seu passado, sobretudo do mais remoto, agora que a pré-historicidade humana já não constituía propriamente uma interrogação, pelo menos para o Portugal mais esclarecido.
Para este panorama em muito contribuiu, sem dúvida, o amplo movimento de puro conhecimento científico de alicerces positivistas, que, entre nós, ganhou forma nas figuras de individualidades tão marcantes, quanto precursoras da actividade arqueológica, como as de Francisco Martins de G. M. Sarmento (1833-1899), V. do M. Gabriel Pereira (1847-1911), Estácio da Veiga (1828-1891) e Carlos Ribeiro (1813-1882). A partir de então, a investigação assumiu contornos mais sistemáticos, ao permitirem um arrolamento coeso e comparação formal mais sólida, uma abordagem absolutamente essencial ao estabelecimento da sua atribuição cronológica, um dos objectivos centrais destes homens de excepção da intelectualidade oitocentista.
Além disso, não podemos subestimar, em todo este processo, o facto de a descoberta da "Anta de Mamaltar" ter ocorrido dois anos depois daquele que é considerado como o primeiro grande decreto de classificação (pois dois outros o precederam) dos, então, denominados monumentos nacionaes, que incluíra um considerável número de exemplares desta tipologia arqueológica, numa época em que parecia reforçar-se a sua importância para os estudos de foro mais nacionalista, à semelhança, no fundo, do que sucedera noutros países europeus, especialmente dos estudos conduzidos durante a segunda metade de oitocentos, ainda que a matriz seguida entre nós acabasse por ser preferencialmente a francesa, nesta, como em tantas outras esferas intelectuais.
Por tudo isto, não surpreenderá que a "Anta de Mamaltar" fosse reconhecida pelo "arqueólogo amador" José Coelho (?-1977), cuja formação académica e o cargo de professor liceal o incentivaram a dedicar-se a uma actividade apaixonante numa região que conheceria bem e no seio de cujas populações desfrutava da consideração e do apoio essenciais à sua boa prossecução. E datam, na verdade, desta altura os dados de que dispomos, na essencialidade, sobre o sítio, em grande parte obtidos na sequência da exploração que conduziu após a sua descoberta, dos quais consta algum espólio recolhido, onde figuram, entre outros fragmentos deste horizonte cultural, lâminas de sílex, pontas de seta, vasos cerâmicos e machados de pedra polida.
Estamos, por conseguinte, perante um exemplar da arquitectura funerária megalítica formado por um dolmen (conhecido nesta região, entre outras designações, por "Anta"), ostentando uma câmara sepulcral de planta poligonal alongada com aproximadamente dois metros e meio por um e meio. Os esteios (numa totalidade de oito) apresentam-se, contudo, sobrepostos e inclinados para o interior, como consequência natural das alterações de que foi objecto ao longo dos milénios, fosse por acção natural, fosse por acção humana, ainda que subsistam algumas das primitivas lajes de cobertura. Em todo o caso, a particularidade que mais chamará a atenção deste exemplar residirá, muito provavelmente, na existência de vestígios de pintura na superfície de dois destes esteios, uma das evidências então mais sublinhadas por J. Coelho.
Quanto ao corredor, com orientação a SE, ele apresenta uma extensão de quase seis metros e meio, sendo mais largo na zona de entrada da câmara, remanescendo dos seus esteios originais dez dos primacialmente fincados no lado Sul e nove no lado Norte.
[AMartins]

Bibliografia

Título

Roteiro arqueológico do concelho de Viseu

Local

Viseu

Data

1987

Autor(es)

VAZ, João Luís da Inês

Título

Roteiro Arqueológico da Região de Turismo Dão Lafões

Local

Viseu

Data

1994

Autor(es)

VAZ, João Luís da Inês, PEDRO, Ivone dos Santos da Silva, ADOLFO, Jorge

Título

Características predominantes do grupo dolménico da Beira Alta

Local

Lisboa

Data

1966

Autor(es)

MOITA, Irisalva Nóbrega

Título

Beira Histórica, Arqueológica e Artística. Memórias de Viseu (arredores) I. A freguesia do Salvador e o extinto concelho do Barreiro e notas toponímicas de Viseu e concelhos limítrofes

Local

Viseu

Data

1941

Autor(es)

COELHO, José

Título

Expressões do Megalitismo nas Beiras

Local

Viseu

Data

1941

Autor(es)

TAVARES, António Augusto