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Capela de São Mamede de Janas - detalhe

Designação

Designação

Capela de São Mamede de Janas

Outras Designações / Pesquisas

-

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)

Endereço / Local

Estrada Janas-Fontanelas
Janas

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Despacho de 20-04-2012 do diretor-geral da DGPC a concordar com a não ampliação da classificação ao adro
Parecer favorável de 26-03-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 6-03-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a não ampliação da classificação, por se entender que o adro não apresenta elementos diferenciadores de um simples terreiro
Informação favorável de 30-10-2001 da DR de Lisboa
Proposta de 19-03-2002 da CM de Sintra para ampliação da classificação ao adro
Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 28-05-1960
Parecer de 13-05-1960 da JNE a propor a classificação como IIP
Proposta de 19-09-1957 da CM de Sintra para a classificação como MN

ZEP

Portaria n.º 697/2015, DR, 2.ª série, n.º 183, de 18-09-2015 (com restrições) (revogou a portaria anterior e voltou a fixar a ZEP, mas com as restrições aprovadas) (ver Portaria)
Portaria n.º 401/2014, DR, 2.ª série, n.º 104, de 30-05-2014 (ver Portaria)
Anúncio n.º 158/2013, DR, 2.ª série, n.º 85, de 3-05-2013 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 26-03-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 6-03-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo
Processo iniciado em 1985 no IPPC

Zona "non aedificandi"

Portaria n.º 401/2014, DR, 2.ª série, n.º 104, de 30-05-2014

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O sítio de São Mamede de Janas tem uma longa história de sacralidade, remontando as suas origens, pelo menos, ao período de domínio romano, altura em que aqui se terá edificado um primitivo templo. Dessa estrutura restam ainda importantes vestígios junto aos contrafortes do actual templo, mas a identificação nas proximidades de espólio pré-histórico (FERREIRA, 1962, pp.340 e 363) pode fazer recuar ainda mais a cronologia inicial de ocupação do local, assim se confirme esta relação em futuras intervenções arqueológicas.
Os vestígios romanos materiais são pouco relevantes e resumem-se a "restos duma construção baixa, muito grosseira, também de planta circular e constituída por pesados blocos de calcário ligados por argamassa e dispostos de maneira a formarem dois degraus" (IDEM, p.337). No entanto, existem bons argumentos que relacionam esse passado romano com a planta circular do templo (que teria sido, assim, mantida na construção da capela), com a estranha solução "de seis elegantes colunas de fuste liso, de sabor clássico, que se ergue ao centro" (IDEM, p.338) e, ainda, com o aparecimento de algumas sepulturas de inumação nas imediações (IDEM, p.341). No século XIX, o Visconde de Juromenha admitiu a hipótese de aqui ter existido um templo dedicado a Janus (facto que explicaria também o topónimo Janas), mas estudos posteriores sedimentaram a hipótese de se ter tratado de um templo a Diana, pela natural continuidade de culto entre a divindade pagã e o santo cristão (ambos protectores dos animais), pela possível origem do topónimo Janas em Diana (com forma intermédia em Jana, ou Iana) e pela circunstância de os templos romanos dedicados a esta deusa serem de planta circular (IDEM).
Esta hipótese de interpretação (que o autor prudentemente assim cataloga), não foi, até ao momento, confirmada ou rejeitada, pelo facto de ainda não se terem realizado escavações sistemáticas no local. Desta forma, apenas sabemos que, antes da actual capela, existiu um outro templo, cujos indícios materiais e conceptuais apontam para o período romano. Também desconhecemos a evolução do sítio durante toda a Idade Média, sendo certo que ele já existia em 1494, altura em que se refere a ermida de São Mamede (MARQUES, 1939).
A actual configuração data da época moderna, provavelmente de finais do século XVI (como se menciona nos Tesouros Artísticos de Portugal, 1978, p.304), ou já do século XVII (como pretendeu CORREIA, 1914, p.212). O carácter erudito da sua estrutura central, circular e formada por colunas italianizantes de fuste liso e capitéis que suportam um tambor que se ergue até ao tecto, fez com que alguns autores sugerissem tratar-se de uma obra devida ao génio de Francisco d'Ollanda, que sabemos ter andado por estas paragens.
Em volta do tempietto, existe o corpo do templo, de planta circular, com banco corrido a toda a volta, interrompido pela minúscula capela-mor, cujo altar é ladeado por ex-votos animalistas. O púlpito, que pretendeu copiar o tempietto, é de 1881. No exterior, sobressai o alpendre (estrutura tão comum nos templos rurais do aro de Sintra), que se adossa a metade da capela e ao qual se acede por duas portas, e os três contrafortes que reforçam a parte mais baixa do monumento.
A ermida é ainda importante de um ponto de vista antropológico, uma vez que, entre 15 e 17 de Agosto, aqui se realiza uma curiosa romaria de pendor rural, que consiste na condução de gado em volta do templo. A tradição impõe que se façam três voltas rituais no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio e, muitas vezes, os seus donos depositam ex-votos no interior, acompanhados de ofertas como trigo, cevada ou azeite (recebendo os animais, em troca, fitas de cores que conservam durante o ano). Esta "troca" devocional continua ainda a verificar-se nos dias de hoje, embora já sem a amplitude de outros tempos, em que chegou a verificar-se a afluência de manadas vindas de uma vasta região que ia de Cascais a Torres Vedras.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

"Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa"

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de

Título

"Tesouros Artísticos de Portugal"

Local

Lisboa

Data

1976

Autor(es)

ALMEIDA, José António Ferreira de

Título

"D. Francisco Manuel de Melo e as festividades de São Mamede em Janas-Colares, Boletim Cultural da Junta Distrital de Lisboa,"

Local

Lisboa

Data

1977

Autor(es)

CASTELO-BRANCO, Fernando

Título

"D. Francisco Manuel de Melo A visita das fontes e a Ermida de São Mamede de Janas, Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, 3ª série, nº86"

Local

Lisboa

Data

1981

Autor(es)

CARDOSO, Carlos Lopes

Título

"No concelho de Sintra. Escavações e excursões, O Arqueólogo Português, vol. XIX"

Local

Lisboa

Data

1914

Autor(es)

CORREIA, Vergílio

Título

"A festa de São Mamede de Janas, Terra Portuguesa, ano 3, nº27-28"

Local

Lisboa

Data

1918

Autor(es)

CORREIA, Vergílio

Título

"Um templo romano circular em Janas (Sintra)?, A Voz, nº9396, 1 de Junho"

Local

Lisboa

Data

1953

Autor(es)

FERREIRA, Fernando Bandeira

Título

"Notícia de três inscrições lusitano-romanas de Janas e de S. Miguel de Odrinhas, Brotéria, vol. 61"

Local

Lisboa

Data

1955

Autor(es)

FERREIRA, Fernando Bandeira

Título

"Os supostos restos romanos de S. Mamede de Janas, Bazar, vol., 27 (nº86), pp.3-5"

Local

Lisboa

Data

1956

Autor(es)

FERREIRA, Fernando Bandeira

Título

"Nótula acerca da ermida de S. Mamede de Janas, Revista de Guimarães, vol. LXXII, pp.337-364"

Local

Guimarães

Data

1962

Autor(es)

FERREIRA, Fernando Bandeira

Título

"Cintra pituresca, ou memoria descriptiva da Villa de Cintra, Collares, e seus arredores..."

Local

Lisboa

Data

1838

Autor(es)

LACERDA, João António de Lemos Pereira (Visconde de Juromenha)

Título

"Sintra"

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

SERRÃO, Vítor