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Ponte Velha de Silves - detalhe

Designação

Designação

Ponte Velha de Silves

Outras Designações / Pesquisas

Ponte de Silves / Ponte de Silves(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Ponte

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Silves / Silves

Endereço / Local

Largo Coronel Figueiredo
Silves

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

Cronologia

Anúncio n.º 71/2016, DR, 2.ª série, n.º 34, de 18-02-2016 (ver Anúncio)
Despacho de 23-11-2015 do Secretário de Estado da Cultura a aprovar a abertura de novo procedimento de classificação de âmbito nacional
Despacho de concordância de 19-11-2015 do diretor-geral da DGPC
Edital N.º 51 de 4-06-2015 da CM de Silves (divulga a abertura do procedimento de classificação como MIM)
Proposta de 5-11-2015 da DRC do Algarve para a abertura de novo procedimento de classificação de âmbito nacional da Ponte Velha de Silves
Deliberação de 23-07-2014 da CM de Silves a determinar a abertura do procedimento de classificação como MIM
Despacho de 27-02-2014 do diretor-geral da DGPC. sobre parecer jurídico, a considerar o procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (só prevê a prorrogação de procedimentos de âmbito nacional) (ver Diploma)
Devolvido à DRC do Algarve em 14-02-2011 para preparar proposta de ZEP
Parecer de 9-12-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP
Novo parecer de 3-03-2005 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como VC
Nova proposta de 4-03-2003 da DR de Faro para IIP
Parecer de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR a manter proposta para VC
Despacho de abertura de 27-05-2002 do vice-presidente do IPPAR
Informação favorável de 20-05-2002 da DR de Faro
Proposta de 23-10-2001 da CM de Silves para a classificação como IIP
Despacho de homologação de 18-05-1978 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 12-05-1978 da COISPCN a propor a classificação da Ponte de Silves como VC
Processo iniciado em 1-10-1975 na DGAC

ZEP

Sem efeito, por força do procedimento de classificação ter caducado
Parecer favorável de 9-05-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 12-03-2012 da DRC do Algarve

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Monumento emblemático da cidade de Silves, a ponte sobre o rio Arade tem sido uma das mais debatidas pontes nacionais. Ao longo das últimas décadas, opiniões contraditórias atribuíram a sua construção a três períodos bem distintos: à época romana; ao domínio islâmico ou ao final da Idade Média. Mas, na verdade, a estrutura que chegou até hoje só evidencia características desta última fase, permanecendo a dúvida sobre a sua real existência no século IV ou, mais tarde, no momento em que Silves foi capital de um reino islâmico.
Será natural equacionarmos a existência de uma ponte romana neste local, não só pelo facto de a cidade ser um local de encontro de vias e ter já alguma importância nessa época - a ponto de a sua estrutura urbana intra-muros evidenciar a adequação a um cardus e a um decumanus (GOMES, 2002, p.93) -, como por alguns indícios materiais relevantes: Maria Luísa Estácio da Veiga identificou parcelas de opus signinum na margem Norte do rio, junto à ponte, o que constitui um indicador precioso de uma primitiva organização desta zona, com probabilidade associada a uma ponte.
São muito escassas as informações nos séculos posteriores. Alguns historiadores, colocados perante o estatuto de Silves como capital de um reino islâmico medieval, atribuíram aos séculos X-XII a construção da ponte, obra de prestígio, de requinte e de apurada engenharia, só possível pela estabilidade e desenvolvimento que uma "capital" poderia transmitir. Mas em 1189, na altura da primeira conquista da cidade por D. Sancho I, o cruzado que acompanhou as tropas e que posteriormente relatou o feito, não refere a existência de qualquer ponte, elemento por demais importante para, caso existisse, ser obviamente mencionado.
Assim, não é ao período de domínio islâmico - nem tão pouco ao século XIII, quando a cidade foi (re)conquistada e se tornou sede do reino cristão do Algarve e sede de bispado - que devemos atribuir a actual ponte. Ela datará já do século XV, em particular do reinado de D. Afonso V. Com efeito, se nas primeiras décadas de Quatrocentos é possível traçar um quadro relativamente decadente da cidade, com a Sé ainda por concluir e as populações a deslocarem-se para o litoral - seguindo o rumo das próprias autoridades políticas que preferiram fixar-se em Lagos e Portimão -, no reinado do Africano testemunha-se uma renovada atenção pela velha capital do Barlavento. Em 1471, depois do triunfo de Arzila, D. Afonso V entrou em Silves, onde foi acolhido com entusiasmo. Dois anos depois, nas cortes de Leiria, os procuradores da cidade manifestavam o seu regozijo pela conclusão das obras na Sé e na ponte sobre o rio Arade (DOMINGUES, 2ªed., 2002, p.40). Neste sentido, a obra da ponte deverá datar deste período, sintomaticamente o último capítulo de fulgor da outrora capital islâmica.
As características da ponte parecem confirmar esta cronologia tardia. Originalmente, compunha-se de seis arcos (um dos quais foi suprimido aquando da construção da Avenida Marginal) de volta perfeita, intercalados por talhamares maioritariamente piramidais de tripla face e elevados até à altura das guardas, hoje suprimidos em alguns pilares. O tabuleiro é em cavalete ligeiro, apesar da sensação geral de horizontalidade, que alguns autores entenderam ser indício de romanidade. O facto de alguns silhares da estrutura serem siglados, porém, é mais um argumento que afasta essa hipótese.
No século XVII, as informações relativas à ponte indicam que ela estava muito degrada. É natural que, ao longo dos tempos, tenha recebido beneficiações, de carácter utilitário e imediato e não estilisticamente relevantes. Em 1950, com a construção da nova ponte rodoviária sobre o Arade, ela tornou-se num espaço pedonal de lazer, associado, posteriormente, à zona ajardinada da marginal, assumindo, a partir de então e até hoje, o estatuto de monumento-símbolo do passado de Silves.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Corografia ou memoria economica, estadistica, e topografica do reino do Algarve

Local

Lisboa

Data

1841

Autor(es)

LOPES, João Baptista da Silva

Título

Os caminhos da serra e do mar, 90 séculos entre a serra e o mar, pp.311-325

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

MANTAS, Vasco Gil

Título

O al Garbe, 90 séculos entre a serra e o mar, pp.431-447

Local

-

Data

1997

Autor(es)

TORRES, Cláudio

Título

Pontes romanas de Portugal

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

PINTO, Paulo Mendes

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

A ponte «velha», Monumentos, nº23, pp.62-67

Local

Lisboa

Data

2005

Autor(es)

BERNARDES, João Pedro, GONÇALVES, Maria João

Título

Silves. Guia turístico da cidade e do concelho

Local

Silves

Data

2002

Autor(es)

DOMINGUES, José Domingos Garcia

Título

Silves. Guia turístico

Local

Silves

Data

1958

Autor(es)

DOMINGUES, José Domingos Garcia