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Troço de calçada romana de Guardão - detalhe

Designação

Designação

Troço de calçada romana de Guardão

Outras Designações / Pesquisas

Troço da Calçada Romana de Guardão (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Via

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Tondela / Guardão

Endereço / Local

Centro da Aldeia
Guardão de Baixo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 26-A/92, DR, I Série-B, n.º 126, de 1-06-1992 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

À semelhança do que sucedia nos restantes territórios dominados pelo Império romano, a antiga rede viária romana das actuais fronteiras físicas portuguesas constituía parte integrante, senão mesmo crucial, da (a)firmação política (ao mesmo tempo que económica), pois fundia-se com a estratégia de ordenamento territorial então pensada. Disposição esta que contemplava a implementação de uma política administrativa assente em dois vectores vitais para a sua cimentação: na definição de unidades político-administrativas e no traçado de vias que assegurassem a ligação contínua entre os principais centros populacionais, ao mesmo tempo que a sua renovação, face às exigências assomadas com o desenrolar dos acontecimentos registados em Roma.
A primeira destas traves mestras fundamentou-se essencialmente na definição territorial de civitates, as habituais unidades político-administrativas romanas, aproximadas, em termos de extensão, aos actuais distritos (e não tanto aos concelhos), com a sua cidade capital, à qual se subordinavam outras unidades urbanas, assim como a competente população rural. E, no que diz respeito à Beira interior, o planalto delimitado pelas linhas de serra foi dividido em duas civitates, com capitais localizadas, respectivamente, na Bobadela e em Viseu, a última das quais seria, posteriormente, sede episcopal, numa confirmação da importância da qual tinha sido entretanto investida (ALARCÃO, J., 1990, p. 369).
Uma estrutura que, como é natural, obrigava à delineação de um sistema viário bem arquitectado, pois era vital à indispensável circulação de bens e pessoas, designadamente das entidades às quais competia manter a ordem nos territórios conquistados. E, relativamente a Viseu, não podemos esquecer que era a partir do seu aglomerado urbano que se contavam as milhas de estrada existentes na civitas, aos longo dos quais se erguiam múltiplos marcos miliários (Ibid.). Uma relevância que parece confirmar-se com a existência (ainda que não registada no célebre Itinerário de Antonino, a principal fonte para a identificação das antigas vias romanas) de uma rota que ligava Emerita (Mérida) a Bracara Augusta (Braga), passando por Viseu, talvez uma das razões pelas quais alguns autores têm considerado esta capital como o nó viário mais consequente de toda a Lusitânia, sobretudo quando era do seu interior que saíam doze a treze estradas, ainda que os vestígios arqueológicos colhidos na actual cidade (Id., 1973, p. 95; Id., 1988, pp. 58-60). E, "Ainda que certas vias tenham seguido anteriores caminhos pré-romanos, mesmo que muitas delas não tenham sido pavimentadas e que as pontes construídas sobre os rios tenham sido, por vezes, de madeira ou de barcas, o investimento feito na instalação da rede viária deve ter sido considerável." (Id., 1990, p. 373).
Quanto ao "Troço de Calçada Romana de Guardão", ele ergue-se na actualidade de forma destacada por entre habitações e um dos muros do cemitério da localidade que lhe deu nome, ostentando um cruzeiro que lhe foi implantado já em época medieval.
Conservando, na maior parte, a largura primitiva, com cerca de três metros, o troço aparelhado com grandes lajes graníticas em bom estado de conservação distribui-se ao longo de um traçado sinuoso conferido pela própria encosta em que assenta, para terminar de forma repentina pelo empedrado contemporâneo, numa prova mais de como a via romana teria respeitado as realidades populacionais preexistentes, ao mesmo tempo que ela própria motivava a aproximação de gentes em busca dos benefícios que proporcionava ao desenvolvimento local.
[AMartins]

Bibliografia

Título

O Reordenamento Territorial, Nova História de Portugal: Portugal das origens à romanização

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

ALARCÃO, Jorge Manuel N. L.

Título

Portugal Romano

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

ALARCÃO, Jorge Manuel N. L.

Título

Roman Portugal

Local

Warminster

Data

1988

Autor(es)

ALARCÃO, Jorge Manuel N. L.

Título

300 Sítios arqueológicos visitáveis em Portugal, Al-madan

Local

Almada

Data

2001

Autor(es)

RAPOSO, Jorge

Título

Roteiro Arqueológico da Região de Turismo Dão Lafões

Local

Viseu

Data

1994

Autor(es)

VAZ, João Luís da Inês, PEDRO, Ivone dos Santos da Silva, ADOLFO, Jorge