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Estação arqueológica situada na Herdade da Sala (Gruta do Escoural) - detalhe

Designação

Designação

Estação arqueológica situada na Herdade da Sala (Gruta do Escoural)

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Gruta - Itinerários Arqueológicos do Alentejo E Algarve

Inventário Temático

Itinerários Arqueológicos do Alentejo e Algarve

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Montemor-o-Novo / Santiago do Escoural

Endereço / Local

Herdade da Sala, Lugar da Fonte Nova
Santiago do Escoural

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 45 327, DG, I Série, n.º 251, de 25-10-1963 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O sítio arqueológico do Escoural integra um santuário rupestre ao ar livre datado do neolítico final, um povoado fortificado da Idade do Cobre, um tholos ou sepulcro megalítico e uma gruta. Embora o processo de classificação tenha sido desenvolvido com a designação de estação arqueológica, a gruta é de facto o seu ponto fulcral, e o único elemento classificado do conjunto (o Tholos do Escoural encontra-se em vias de classificação).
A Gruta do Escoural constitui uma cavidade natural formada num afloramento granítico implantado numa vasta faixa de calcários, numa zona de verdadeira encruzilhada localizada entre as bacias hidrográficas do Tejo e do Sado e a peneplanície alentejana. Encontrando-se parcialmente selada por um espesso manto estalagmítico, é constituída por várias salas e galerias que atestam, grosso modo, cerca de 50 000 anos de História, ilustrados pelas representações gráficas realizadas no seu interior.
A primeira ocupação remonta ao Paleolítico Médio, quando grupos de caçadores-recolectores neanderthalenses utilizaram a Gruta como abrigo temporário durante a prática da caça, cujo alvo principal seria, entre outros, o auroque, o veado e o cavalo, a julgar pelos vestígios osteológicos aí encontrados. Durante o Paleolítico Superior (35 000-8 000 a.C.), o espaço da Gruta sofreu um reaproveitamento, surgindo, então, um santuário rupestre concebido por grupos anatomicamente considerados modernos. Data precisamente desta época a utilização das paredes do seu interior como suporte de realização de diversos motivos artísticos, inseridos no vasto universo da denominada "Arte Pré-histórica".
No epicentro destas representatividades encontra-se sempre o elemento faunístico, com especial destaque para os equídeos e os bovídeos, geralmente pintados a negro. Está ainda presente um outro conjunto de componentes realizado a encarnado, com uma carga simbólica que muito dificilmente poderemos interpretar, pelo facto de se conectarem, muito provavelmente, a uma imagética e espiritualidade muito próprias, das quais se perderam, há muito, os registos.
Foi, contudo, somente com a emergência do Neolítico (5 000 a.C.-3 000 a.C.), que a Gruta foi transformada em cemitério das comunidades de agricultores e pastores localizadas nas suas imediações. O ritual funerário é composto de deposição, à superfície, do morto no seu interior, acompanhado de espólio constituído por diversos artefactos, tais como vasos cerâmicos, machados e enxós em pedra polida, lâminas e lamelas em sílex, além de diferentes tipos de adornos realizados em osso e concha.
Terão sido estes mesmos grupos populacionais que, aproveitando as lajes calcárias do exterior da Gruta, gravaram diversos motivos esquemáticos e animais estilizados, formando um santuário rupestre ao ar livre no cerro que se lhe sobrepõe.
Quando, no final do Neolítico, a Gruta foi encerrada, o seu espaço começou a ser habitado por comunidades do Calcolítico (2 000 a.C.), construindo-se um povoado fortificado, assim como um tholos megalítico de falsa cúpula, situado a uma distância de cerca de 600 metros, caracterizado por câmara circular, corredor e átrio de acesso ao seu interior.
Os diferentes espólios encontrados, quer em contexto habitacional, quer funerário, parecem evidenciar a prática agrícola, pastorícia e mineira destas populações.
Tendo sido descoberta ocasionalmente a 17 de Abril de 1963, deu-se de imediato início a uma campanha de escavações da responsabilidade do Museu Nacional de Arqueologia, ao mesmo tempo que o sítio era classificado como "Monumento Nacional" em 25 de Outubro do mesmo ano, e adquirido pelo Estado Português em 1998.
AMartins / FMM, IGESPAR, I.P., 11.08.2011

Imagens

Bibliografia

Título

Manifestações neoliticas no contexto dos testemunhos pre-historicos do Outeiro da Herdade da Sala (Escoural, Montemor-o-Novo, Portugal)

Local

-

Data

-

Autor(es)

SANTOS, Manuel Farinha dos

Título

A ceramica cardial da Gruta do Escoural I

Local

-

Data

-

Autor(es)

SANTOS, Manuel Farinha dos

Título

Descobertas de arte rupestre na Gruta do Escoural

Local

-

Data

-

Autor(es)

MONTEIRO, Jorge Pinho, GOMES, Mário Varela, SANTOS, Manuel Farinha dos

Título

Gruta do Escoural: Necrópole Neolítica e Arte Rupestre Paleolítica

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

ARAÚJO, Ana Cristina, LEJEUNE, Marylise

Título

Gruta do Escoural. Arte Parietal

Local

Lisboa

Data

-

Autor(es)

GOMES, Mário Varela

Título

Escoural - Uma gruta pré-histórica no Alentejo

Local

-

Data

2011

Autor(es)

SILVA, António Carlos

Título

Recherche à la grotte d'Escoural: apports pour la conservation des tracés préhistoriques, Revista Património - Estudos, nº8, pp.130-137

Local

Lisboa

Data

2005

Autor(es)

MALAURENT, Philippe, BRUNET, Jacques