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Forte ou Castelo de Santiago - detalhe

Designação

Designação

Forte ou Castelo de Santiago

Outras Designações / Pesquisas

Forte de Santiago da Barra / Castelo de Santiago da Barra / Forte de Santiago / Castelo de Santiago / Escola de Hotelaria e Turismo de Viana do Castelo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Forte

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Viana do Castelo / Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela

Endereço / Local

Campo do Castelo
Viana do Castelo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 12-06-1973, publicada no DG, II Série, n.º 149, de 27-06-1973 (sem restrições) (a legenda da planta refere ZEP da Zona Arqueológica de Viana do Castelo, quando do diploma fixou a ZEP dos Paços Municipais, da Igreja de Santa Cruz (São Domingos), da Misericórdia, do Palácio dos Viscondes da Carreira, do Chafariz da Praça da Rainha, da Casa de João Velho, da Casa de Miguel de Vasconcelos, da Igreja matriz, da Fachada do prédio manuelino na Rua de São Pedro, 28, e do Forte ou Castelo de Santiago)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Implantado na margem direita da foz do Rio Lima, no extremo oeste de Viana do Castelo, o Forte de Santiago da Barra é uma estrutura de planta estrelada irregular, constituída por quatro baluartes: dois virados a terra designados de São Filipe e de São Pedro, um virado ao rio denominado de São Rafael, e o que se vira ao mar, o de São Gabriel. Estes são unidos por cortinas retas de aparelho de granito e reforçados por dois revelins, implantados a norte e a este. O acesso aos baluartes é feito por rampa com lajes de pedra.
Entre os baluartes de São Filipe e de São Gabriel estende-se a plataforma de São Tiago, onde se implanta a Torre da Roqueta (ver descrição complementar). Os ângulos são coroados por guaritas cilíndricas com cúpula rematada por pináculo com bola, que assentam sobre mísulas.
A entrada na fortaleza faz-se por uma ponte larga, suspensa sobre o fosso que circunda a estrutura, que conduz ao portal de volta perfeita ladeado por pilastras, encimado pelo brasão de D. João de Sousa, governador do forte em 1700, e rematado na cornija pelo escudo de Portugal.
No interior erguem-se os antigos quartéis da Cavalaria, do Sargento e do Governador, todos de planta rectangular mas de diferentes dimensões. No lado norte da praça de armas erguem-se o antigo paiol e ao lado deste situa-se a capela.
História
No século XV Viana da Foz do Lima (a antiga Viana do Castelo) tornou-se um dos portos marítimos portugueses mais importantes, mantendo uma rede comercial regular com outros centros mercantis da Europa, como Inglaterra, Flandres, França ou Galiza. Ao longo das décadas seguintes a vila e a sua rede comercial cresceram, e as muralhas medievais deixaram de ser suficientes para defender o porto, tornando-se evidente que era imprescindível defender a barra do rio Lima. Cerca de 1502 o rei D. Manuel I mandou construir a Torre da Roqueta, uma fortaleza abaluartada situada no extremo oeste da vila, que serviu a defesa da foz nas seis décadas seguintes.
Em 1567 iniciaram-se os estudos preparatórios de uma cerca rectangular que aproveitava a torre manuelina como cunhal sudoeste da sua muralha, da autoria de Simão de Ruão. As obras decorreram entre 1568 e 1572, sendo custeadas pela Coroa e pela população local.
Já durante o reinado de D. Filipe I a fortificação foi remodelada e ampliada. Em Dezembro de 1588, o engenheiro Filipe Terzi deslocou-se a Viana por ordem do monarca para estudar o forte aí existente e desenhar uma nova fortaleza. Em Outubro de 1589, Terzi terá regressado à Foz do Lima "com a planta e as instruções necessárias" para a edificação do Forte de Santiago (RIBEIRO: 2016, pp. 59-61). A obra, iniciada nesse ano de 1589, seria dirigida pelo mestre de campo Pedro Vermudez de Santisso, sendo possível que Tibúrcio Spannochi ou um dos irmãos Fratin tenham realizado alterações ao traçado, delineando o reforço do dispositivo defensivo inicialmente projectado. A empreitada durou até 1593, data em que o forte seria provido de artilharia pela primeira vez.
O Forte de Santiago voltou a receber obras de remodelação entre 1652 e 1654, construindo-se então o baluarte de São Pedro. Entre 1686 e 1703 foram realizadas obras de reforço e ampliação, com a edificação dos revelins e de alguns edifícios no interior da praça de armas, numa empreitada dirigida numa primeira fase por Miguel de Lescole e, a partir de 1693, por Manuel Pinto de Villalobos.
Entre o início do século XVIII e o último quarto do século XX a fortaleza de Viana manteve a actividade militar. Classificado como imóvel de interesse público em 1967, o edifício passou para a tutela do Ministério das Finanças em 1979. A partir de 1983 instalou-se no forte o organismo de Turismo da região, que aí se encontra sedeado até à atualidade. No espaço funciona também a Escola de Hotelaria de Viana.
Catarina Oliveira
DGPC, 2020

Outras Descrições

Torre da Roqueta

Tipo

Nota histórico-artística

Autor

Catarina Oliveira

Descrição

Imóvel
A Torre da Roqueta está integrada na estrutura do Forte de Santiago da Barra, situado na margem direita da foz do Rio Lima, em Viana do Castelo. O torreão situa-se na extremidade sul da fortaleza, no meio da plataforma de São Tiago, sendo acessível por escada de pedra.
De planta rectangular, esta pequena torre divide-se em dois registos, sendo rematada por terraço com parapeito delineado por ameias largas. Na face virada a terra (para o interior da fortaleza) foram colocadas três guaritas quadrangulares assentes sobre consolas. Duas delas estão já sem cobertura, sendo que apenas a localizada a noroeste mantém a cúpula. O acesso ao terraço é feito por uma escada de pedra adossada ao pano murário, que parte do terrapleno, com guarda de ferro apenas do lado externo.
A face sul, que abre para o mar, é rasgada no piso baixo por seteiras, exibindo no piso superior uma porta de verga recta ladeada por duas janelas gradeadas. Do lado oeste foi rasgada uma janela, gradeada, e na face norte exibe-se um brasão com as armas nacionais encimado por coroa fechada e flanqueado, à esquerda, por uma esfera armilar e, à direita, uma Cruz de Cristo, ambos em relevo.
O espaço interior da Torre da Roqueta divide-se em dois pisos, sendo o superior segmentado em três salas, comunicantes entre si e cobertas com abóbada de berço. O acesso ao piso inferior é feito através de um arco de volta perfeita rasgado na face interna da plataforma de São Tiago, junto à escada de acesso à torre.
História
A vila de Viana da Foz do Lima (nome pelo qual se designava Viana do Castelo até meados do século XIX) foi desde meados do século XV um dos portos marítimos mais importantes de Portugal. Durante dois séculos este ancoradouro minhoto estabeleceu rotas comerciais regulares com Inglaterra, Flandres, França e Galiza, escoando o açúcar produzido nas ilhas atlânticas e no Brasil e importando produtos do Atlântico norte.
O incremento deste comércio internacional trouxe à vila um período ímpar de prosperidade financeira, que se reflectiu nas dinâmicas sociais e populacionais, originando um consequente crescimento urbanístico.
Logo no início de Quinhentos, a população de Viana cresceu consideravelmente para fora das muralhas medievais, que se tornaram obsoletas e insuficientes para a protecção quer dos habitantes quer do porto da Foz do Lima e de todas as estruturas que lhe estavam associadas, como a alfândega, os estaleiros e, até, os próprios barcos dedicados ao comércio.
Terá sido na primeira década do século XVI que D. Manuel I mandou construir uma pequena fortaleza abaluartada no campo de Santa Catarina, situado no extremo oeste da vila. O rei terá ordenado a edificação cerca de 1502, ano em que visitou Viana durante uma peregrinação a Santiago de Compostela. A fortificação passou a ser conhecida como Torre da Roqueta, tendo servido a defesa da barra limiana nas seis décadas seguintes.
Esta fortaleza manuelina levanta inúmeras questões quanto à sua configuração original, que foi parcialmente destruída durante a construção do Forte de São Tiago no final do século XVI. De facto, crê-se que a Roqueta de Viana possuía originalmente um baluarte prolongado para o rio Lima, numa configuração semelhante à que hoje se conhece na Torre de Belém, em Lisboa, embora em menor escala e magnificência decorativa. O torreão vianense seguiria os modelos das torres de São Sebastião da Caparica e de Santo António de Cascais, construídas ainda nos finais do século XV para a defesa da barra do rio Tejo, e que viriam a ser reforçadas depois de 1515 com a construção da fortaleza de Belém.
Esta torre abaluartada é a única desta tipologia que foi erigida no início de Quinhentos na região noroeste do país, replicando um sistema de defesa marítimo que, à época, se utilizava já em algumas cidades portuárias do Mediterrâneo mas era ainda inovador em Portugal.
Catarina Oliveira
DGPC, 2020

Imagens

Bibliografia

Título

Viana do Castelo

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

CALDAS, João Vieira, GOMES, Paulo Varela

Título

Guia de Vianna do Castello

Local

Viana do Castelo

Data

1923

Autor(es)

GUERRA, Luís Figueiredo da

Título

Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Manuel Pinto de Vilalobos - da engenharia militar à arquitectura. Dissertação de Mestrado em História da Arte apresentada à Universidade Nova de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1991

Autor(es)

SOROMENHO, Miguel

Título

Filippo Terzi à luz dos documentos. A fortaleza de Santiago da Barra em Viana do Castelo, Revista Alto Minho

Local

Viana do Castelo

Data

1987

Autor(es)

REIS, António Matos

Título

O município e os forais de Viana do Castelo

Local

Viana do Castelo

Data

1986

Autor(es)

MOREIRA, Manuel António Fernandes

Título

Obras militares do Alto Minho. A costa atlântica e a raia ao serviço das Guerras da Restauração. (dissertação de mestrado)

Local

Porto

Data

1996

Autor(es)

ANTUNES, João Manuel Viana

Título

Filipe Tércio. Ingegnere e Architetto em Portugal. 1577-1597. (dissertação de mestrado)

Local

Porto

Data

2016

Autor(es)

RIBEIRO, José António Salazar

Título

Guia de Inventário - Fortificações medievais e modernas

Local

-

Data

2015

Autor(es)

NOÉ, Paula