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Santuário rupestre de Sabariz - detalhe

Designação

Designação

Santuário rupestre de Sabariz

Outras Designações / Pesquisas

Estação arqueológica do Monte da Malafaia / Mosteiro Rupestre de Sabariz / Eremitério Rupestre de Sabariz (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Santuário

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Viana do Castelo / Mazaferes e Vila Fria

Endereço / Local

- -
Vila Fria

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (Homologado como IIP -...

Cronologia

Despacho de homologação de 28-06-1979

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A 6 quilómetros de Viana do Castelo, as covas eremíticas de Sabariz constituem, até ao momento, o mais notável conjunto de santuário rupestre altimedieval em Portugal. Região destituída de grandes núcleos de arquitectura de cavidades, como os de la Rioja, Bierzo e Ronda, o nosso país parecia, até há duas décadas, ter passado ao lado de uma das práticas mais insistentemente relatadas na vida do bracarense Frutuoso. A identificação do conjunto de Sabariz, todavia, significou uma verdadeira revolução nos estudos destes vestígios e uma renovada atenção na eventual identificação de outros locais de função análoga.
As celas de Sabariz não são meras covas eremíticas abertas ao acaso. Há uma relação de organicidade entre elas, que lhes conferem um estatuto coerente e, ao que parece, um programa previamente definido. Com efeito, todas os compartimentos são intercomunicantes, fazendo crer que houve a intenção de dotar estes espaços de uma circulação de ar. Paralelamente, há uma ligeira inclinação de Norte para Sul, facto que comprova a intenção de encaminhas as águas pluviais para uma pequena conduta, situada na extremidade Sul do conjunto (REAL, FERNANDES, TAVARES, SÁ, 1982, p.7).
"O núcleo principal é formado por três celas, abertas umas a par das outras". São "pequenos templos, com a cabeceira orientada para leste" e com arco triunfal a unir os dois espaços rectangulares em que cada uma se organiza. Na pequena ábside da cela central, existiam vestígios de encaixes de um altar e a parede estava parcialmente coberta por incipientes desenhos de cruzes, elementos que claramente sacralizavam o espaço (IDEM, p.6).
O modelo austero de vivência da pequena comunidade aqui estabelecida encontra-se bem testemunhado na organização deste conjunto rupestre. Entregues a si próprio, e à constante vigília espiritual, os eremitas cultivavam um pequeno campo agrícola (a que se acede por um caminho artificial directamente ligado ao átrio central do santuário), e eram agraciados com alguns alimentos doados pelas populações vizinhas, que os depositavam, ao que tudo indica, numa pequena cavidade. Pela extrema exiguidade dos compartimentos, os primeiros autores que estudaram o local colocaram a hipótese de o santuário se destinar a uma "reclusão temporária", à semelhança do que terá feito o próprio São Frutuoso, que intercalou a sua constante actividade de fundação e gestão de casas monásticas com largos períodos de meditação isolada (IDEM, p.8). Esta possibilidade aguarda melhores dados informativos, como a provável existência de uma comunidade religiosa nas redondezas, realidade ainda não comprovada mas sugerida por algumas estruturas religiosas, como o mosteiro de Mazarefes.
Igualmente problemática é a datação deste conjunto. A própria construção, escavada na rocha, recorrendo a técnicas básicas de modelação do granito e destituída de elementos pétreos trabalhados ou realizações escultóricas, é o principal obstáculo a uma mais objectiva avaliação. Não temos dúvidas sobre a relevância do monacato frutuosiano na época em que o santo viveu e nas décadas mais imediatas. No entanto, são já muitos os indícios de uma sobrevivência destas práticas ao longo de toda a Alta Idade Média e, mesmo, durante a época românica. Na região de Nájera, um dos principais núcleos de santuários rupestres altimedievais da Península, a ocupação eremítica está testemunhada até muito tarde, com particular realce para o notável conjunto de San Millán de la Cogolla. E na Serra de Ronda, em Bobastro, a arquitectura de cavidades assume verdadeira monumentalidade em pleno século X.
Tendo em conta estes dados, não nos espantaria que Sabariz recuasse ao século VII, no âmbito da intensa vida monástica patrocinada por São Frutuoso. No entanto, mantém-se em aberto a hipótese de ter tido fases de ocupação posteriores, em especial nos séculos X e XI, data a que corresponderá outro núcleo de santuários rupestres, identificados na Serra do Marão (IDEM, pp.17-18).
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

As covas eremíticas de Sabariz (Vila Fria - Viana do Castelo), Minia, 2ª série, ano V, nº6, pp.5-30

Local

Braga

Data

1982

Autor(es)

TAVARES, Rui, REAL, Manuel Luís, FERNANDES, Isabel Maria, SÁ, Pedro

Título

Escavações arqueológicas no eremitério rupestre de Sabariz (Vila Fria - Viana do Castelo), Actas do 1º Congresso de Arqueologia Medieval Espanhola

Local

Huesca

Data

1984

Autor(es)

TAVARES, Rui, REAL, Manuel Luís, BARROCA, Mário Jorge