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Moinho da Horta do Rodete - detalhe

Designação

Designação

Moinho da Horta do Rodete

Outras Designações / Pesquisas

Moinho do Rodete / Azenha da Horta do Rodete / Azenha Muçulmana / Moinho da Horta do Rodete (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Silves / Silves

Endereço / Local

Ribeira de Arade
Fragura

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

Edital n.º 51/2011 de 16-09-2011 da CM de Silves
Deliberação de 14-09-2011 da CM de Silves a determinar a classificação como IIM
Despacho de arquivamento de 18-06-2010 do diretor do IGESPAR, I.P.
Proposta de arquivamento de 17-06-2010 da DRC do Algarve, por não ter valor nacional
Deliberaçãode 19-02-2010 da CM de Silves para a classificação como IIM

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel

Situado no lugar de Fragura, junto da ribeira do Arade (afluente do Rio Arade), a 3 km a Este da cidade de Silves, o moinho da Horta do Rodete integra diversos elementos como a casa do engenho, com o respetivo talha-mar (fachada Oeste), canais de abastecimento de água e um grande tanque de retenção junto à fachada Este. O edifício apresenta uma planta trapezoidal (orientação SW-NE) dividida em dois compartimentos e com as fachadas rasgadas por diversos vãos de distintos tamanhos. A cobertura de duas águas é revestida a telha Marselha. As paredes exteriores eram rebocadas, apresentando os muros de alvenaria de pedra (arenito vermelho) diferentes tipos de aparelho, indicando que o imóvel sofreu obras de reconstrução-ampliação ao longo dos séculos. De facto, o edifício apresenta indícios de uma estrutura de moagem mais antiga a Sul (marcas da passagem da roda na parede), provavelmente uma azenha que se sabe ter existido neste território na segunda metade do século XVI.
Tendo em conta os dados arqueológicos, será muito provavelmente no século XIX que o edifício sofrerá as maiores alterações sendo então transformado em moinho de rodete.
Os elementos essenciais deste moinho consistiam num poço ou dorna onde funcionava o rodete com as suas pás que recebiam a água forçada a uma grande pressão através de estreitas condutas. Estas pás colocavam em movimento um tronco vertical, ligado às mós (uma inferior fixa e uma superior móvel).
Nos cunhais deste imóvel observam-se diversas marcas, nomeadamente diversos cruciformes e uma outra cruz mais elaborada podendo ser identificada com a Ordem de Cristo. Observa-se ainda, junto aos cruciformes, a data de 1744, neste caso colocada em fase posterior às marcas da roda da azenha. Igualmente no interior da estrutura encontraram-se muretes e troços de empedrado de diferentes fases construtivas.
A maior parte dos materiais exumados durante os trabalhos arqueológicos efetuados em 1988, 2005 e 2008, nomeadamente no compartimento mais antigo, datam de finais do século XVIII mas em geral estendem-se até ao século XX.
Refira-se, ainda, a existência de uma pedra de armas com o escudo régio com os escudetes laterais deitados (anteriores aos finais do século XV - D. João II), que foi retirada de uma janela, indicando tratar-se de um elemento reaproveitado de uma estrutura mais antiga. Relativamente ao tanque, este apresenta também sinais de ter sido reformulado ao longo dos tempos, ostentando um fundo totalmente revestido a empedrado com espinha central

História
Esta região do território de Silves era conhecida pela produção de cereais, existindo já referências a moinhos em textos muçulmanos do século XII. De facto, a importância económica das moagens era suficientemente grande para que D. Dinis deixasse expresso, no Foral de Porches, a reserva dos moinhos do rio Arade para si e para todos os seus herdeiros. Assim, a descoberta de uma pedra de armas inserida na construção poderá indicar que, a ser da antiga azenha, esta terá pertencido ao foro da Casa Real, tal como acontecia com outros engenhos da região. Segundo o Livro do Almoxarifado de Silves, de finais do século XVI, existiam neste território diversas construções destinadas à moagem, sendo inclusivamente mencionado "um engenho de azenha" em funcionamento junto do Rio Arade.
Depois da interrupção do seu funcionamento na primeira metade do século XX, o edifício passou a ser utilizado como armazém agrícola. Nos anos 80 do século XX, efetuaram-se os primeiros trabalhos arqueológicos destinados a acompanhar a recuperação do imóvel que nunca se efetuou. Posteriormente o edifício foi adquirido pela Câmara Municipal de Silves aguardando-se, desde então, uma urgente intervenção de restauro tendo em conta o valor histórico, arquitetónico e arqueológico deste bem.

Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR, I.P. /2010. Atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2016.

Imagens

Bibliografia

Título

O Moinho do Rodete. De azenha a Museu. Resultados das intervenções de 2008. In Xelb, nº 10.

Local

Silves

Data

-

Autor(es)

João Nunes, RAMOS, Ana Cristina

Título

Relatório final da intervenção arqueológica no Moinho do Rodete (Silves)

Local

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Data

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Autor(es)

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