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Villa romana do Alto do Cidreira - detalhe

Designação

Designação

Villa romana do Alto do Cidreira

Outras Designações / Pesquisas

Villa Romana do Alto da Cidreira / Villa Romana do Alto do Cidreira(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Villa

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Cascais / Alcabideche

Endereço / Local

Alto da Cidreira
Carrascal de Alvide

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 26-A/92, DR, I Série-B, n.º 126, de 1-06-1992 (ver Decreto)

ZEP

Parecer favorável de 11-06-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 14-05-2008 da DRC de Lisboa e vale do Tejo concordante com a proposta camarária
Proposta de 25-11-2007 da CM de Cascais

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Sítio
A Villa Romana do Alto da Cidreira localiza-se em contexto urbano, a uma cota relativamente elevada e implantada junto a um marco geodésico. Nas suas imediações encontram-se algumas habitações, estando uma delas infelizmente sobre a área arqueológica.
No local foi identificada a pars rustica (zona ligada à atividade agrícola) de uma villa edificada no século I d. C., correspondendo a três estruturas de armazenamento e, a pars urbana (zona de residência dos proprietários), composta por uma domus (habitação) que teria dois andares em que alguns compartimentos eram pavimentados com mosaicos polícromos. Como sucede com outros complexos habitacionais semelhantes, Alto da Cidreira era dotada de um complexo termal, tendo sido identificadas no local algumas condutas de água, o hipocausto (sistema de aquecimento sob o pavimento), um tanque semicircular pertencente ao frigidarium (compartimento frio), bem como o praefurnium (local das fornalhas de aquecimento).
Próximo da estrutura habitacional, a alguns metros para sudeste, foram identificadas onze inumações e três sepulturas de criança que fariam parte de uma necrópole do séc. III-IV d. C. Igualmente nas proximidades foi detetado um importante sector de um aqueduto romano com quarenta e seis metros de comprimento, apresentando ainda a respetiva caixa de decantação. Na área foi igualmente registada a presença de um poço supostamente do período romano.
Na área intervencionada foram também reconhecidos elementos atribuídos a períodos de ocupação humana anteriores, nomeadamente vestígios de uma cabana do Calcolítico Final. O espaço terá também sido reutilizado ao longo dos séculos subsequentes, como demonstram os cinco silos e a elevada presença de cerâmica de época medieval encontrados nas imediações da estrutura romana.
No que diz respeito ao espólio exumado, foram detetados fragmentos de terra sigilatta, um considerável número de fragmentos de cerâmica comum, tanto de época romana como medieval, alfinetes em osso, pesos de tear, botões, uma pequena máscara de terracota bem como alguns numismas em bronze. Muito abundante em toda a área da villa é o material de construção de período romano, nomeadamente as tegulae (telha lisa com rebordo de cada lado) e os imbrices (telha de canudo). O espólio encontra-se à guarda da Câmara Municipal de Cascais.

História
A estação arqueológica do Alto da Cidreira foi identificada pela primeira vez em finais dos anos noventa do século XIX pelo geólogo Francisco de Paula Oliveira. No ano de 1915, Félix Alves Pereira da Associação dos Arqueólogos Portugueses visitou o local e verificou que o terreno tinha sido afetado por trabalhos agrícolas, tendo no entanto conseguido identificar algumas estruturas, nomeadamente três tanques, revestidos a opus signinum que acabariam por ser destruídos nos anos sessenta pela construção de uma moradia.
É apenas no final da década de setenta e inícios de oitenta (1977 a 1982), que este arqueossítio é sistematicamente escavado pelos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d'Encarnação, possibilitando a identificação da maior parte das estruturas habitacionais e termais da villa, bem como a maioria do espólio.
Nos anos de 2007 e 2008 o local volta a ser intervencionado, desta vez pela empresa Neoépica, devido à construção de moradias na zona envolvente. Esta escavação permitiu ficar a conhecer novas realidades arqueológicas, nomeadamente vestígios do Calcolítico, um aqueduto e um sector de uma necrópole romana, bem como vários silos medievais.

Ana Teresa Henriques e Maria Ramalho/DGPC/2018.

Imagens

Bibliografia

Título

Carta arqueológica do Concelho de Cascais

Local

Cascais

Data

1991

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme

Título

Notas sobre alguns vestígios romanos no concelho de Cascais.

Local

-

Data

-

Autor(es)

ENCARNAÇÃO, José d'

Título

Cascais no tempo dos Romanos

Local

Cascais

Data

1986

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'

Título

Cascais no tempo dos romanos, Revista de Arqueologia

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'

Título

A Villa romana de Freiria (S. Domingos de Rana), Arqueologia

Local

Porto

Data

1988

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'

Título

Antiquités préhistóriques et romaines des environs de Cascaes, Comunicações da Comissão de Trabalhos Geológicos

Local

Lisboa

Data

1889

Autor(es)

OLIVEIRA, Francisco de Paula e

Título

Descoberta de uma mini-máscara de terra cota na estação Lusitano-romana do Alto da Cideira, Cascais, Estudos Italianos em Portugal

Local

Lisboa

Data

1972

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme, FERREIRA, Octávio da Veiga, CASTELO BRANCO, António de

Título

Alto do Cidreira, Informação Arqueológica

Local

Lisboa

Data

1983

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'

Título

A villa romana do Alto do Cidreira (Cascais). Os materiais, Conimbriga

Local

Conimbriga

Data

1988

Autor(es)

NOLEN, Jeannette U. Smith