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Edifício na Rua Dr. Miguel Bombarda, 47, 49 e 51 - detalhe

Designação

Designação

Edifício na Rua Dr. Miguel Bombarda, 47, 49 e 51

Outras Designações / Pesquisas

-

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Edifício

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Tavira / Tavira (Santa Maria e Santiago)

Endereço / Local

Rua Dr. Miguel Bombarda
Tavira

Número de Polícia: 47- 51

Proteção

Situação Actual

Procedimento caducado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O imóvel sito na Rua Dr. Miguel Bombarda, nºs 47, 49 e 51 constitui uma memória da renovação urbanística ocorrida nesta artéria da cidade (antiga Rua do Mal-foro) e expressa uma tipologia arquitectónico-construtiva com relevo local.
De planta longitudinal, definindo um rectângulo irregular, compõe-se de três pisos, sendo o superior um acrescento à construção original. A fachada principal é de dois registos, abertos por portas e janelas de sacada dispostas num ritmo característico e harmonioso, a que se associam caixilharias de madeira e gradeamentos de ferro forjado, elementos que contribuem para a individualização do edifício. A encimar a frontaria, existe uma platibanda muito sóbria, que antecede o telhado, composto por dois tradicionais telhados de tesouro ladeados por uma açoteia. Na parte posterior, abre-se um pequeno pátio que acolhe um poço empedrado, com gargalo, solução que corresponde a uma tradição com marcas nesta zona da cidade.
O interior segue uma tipologia comum das habitações desta época e visível em outras casas tavirenses. As escadas, colocadas diante do pequeno átrio de entrada, dão acesso directo ao segundo piso, fazendo-se a correspondência com as restantes divisões do piso térreo através de portas laterais no átrio. O tecto deste espaço central e o do corredor das escadas é decorado com um trabalho em gesso, definindo três tramos separados perpendicularmente por arcos torais abatidos que assentam em mísulas trabalhadas.
De maior interesse são algumas decorações interiores de divisões do piso superior, modeladas em gesso e realçadas a tinta de ouro, destinadas a animar tectos e estruturas parietais. Entre elas, destaca-se, pela sua gracialidade, a representação de duas aves afrontadas bebendo de uma fonte, cuja penugem se desenvolve e transforma em enrolamentos vegetais. Outros trabalhos formam panos recortados por autênticas molduras pintadas a tinta de ouro, dando a ideia que emolduravam telas desaparecidas. Numa das paredes da sala encontra-se uma lareira executada em mármore negro, com desenho e proporções próprios da época. Os pavimentos das principais dependências são executados em soalho de madeira exótica, contrastando entre madeira clara e escura.
O cuidado depositado nesta decoração indicia que o edifício terá sido habitado por uma família abastada, com recursos suficientes para prover algumas divisões com trabalhos artísticos executados por uma mão-de-obra especializada. Sabemos que, em 1897, o imóvel era propriedade de Josefa da Conceição Costa, solteira e "maior de edade" que, em Novembro desse ano, o vendeu a Joaquim António dos Santos, ferreiro e morador em Tavira.
Mantendo, sem prejuízo fundamental, a sua integridade físico-cultural (não obstante o mau estado de conservação de alguns elementos), este imóvel reúne características construtivas e decorativas que, pela sua relevância histórico-estética, desempenham um papel importante na caracterização arquitectónica e urbanística da cidade.
Daniel Santana / Câmara Municipal de Tavira

Imagens