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Casa da Calçada - detalhe

Designação

Designação

Casa da Calçada

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Casa

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Cinfães / Oliveira do Douro

Endereço / Local

-- confronta, a norte, com a EN 222
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 443/2006, DR, II Série, n.º 49, de 9-03-2006 (ver Portaria)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Região particularmente rica em recursos naturais essenciais à fixação e subsistência de comunidades humanas, o território correspondente na actualidade ao município de Cinfães é sobejamente conhecido pela excelência dos produtos retirados das suas terras por populações secularmente dedicadas às actividades agrícola, pecuária e silvícola. Particularidades resultantes das características geológicas e geográficas da região do país que ocupa, predominadas pela presença do rio Douro e que justificariam, no conjunto, a sua procura desde a mais alta antiguidade humana, designadamente durante o Neo-calcolítico, a julgar pela abundância de vestígios megalíticos, sobretudo funerários.
A par de testemunhos arqueológicos, o termo de Cinfães alberga exemplares arquitectónicos de vários períodos, reconhecendo-se-lhe a importância, por exemplo, dos pelourinhos e das igrejas que ostenta. Mas Cinfães testemunhou de igual modo a construção de inúmeras casas solarengas, especialmente situadas na freguesia de Oliveira do Douro. São disso exemplo as Casas das Portelas, do Fundo da Rua, do Cubo e da Calçada.
Esta última - a Casa da Calçada - foi erguida no século XVIII, no final do qual ressurgiram as tendências arquitectónicas fortemente marcadas pela influência italiana, à semelhança, ademais, do que se registava um pouco por toda a Europa "iluminada" e atraída pelas descobertas efectuadas em Pompeia e Herculano, antigas cidades romanas identificadas, justamente, em plena centúria de setecentos. Um ascendente estético ao qual não foi estranha a acção de D. João V (1706-1750), a quem se deve, entre outras iniciativas, a vinda de artistas daquele território para o nosso país.
Ao nível estritamente arquitectónico, e em especial no que se refere à arquitectura civil, registou-se, ao tempo, uma interpretação, adaptação e transformação das tradições nacionais aos modelos importados de Itália, originando um tipo arquitectónico barroco característico do território português e único no panorama artístico europeu.
Não obstante, constata-se, também na "Casa da Calçada", a perpetuação do gosto por determinadas formas tradicionais, ainda que adquirisse nova expressão (Solares Portugueses, p. 68), particularmente presente nos elementos decorativos do alçado principal do amplo edifício desenvolvido horizontalmente ao longo de dois andares, um dos quais nobre, como se constata pela concepção das janelas nele rasgadas.
Foi, contudo, já no início do século XX, numa altura em que se reviam movimentos revivalistas (especialmente neo-românico e neo-gótico) de finais de oitocentos, que se ergueu a capela (com expressiva torre sineira) e a torre (adossada ao corpo inicial) que tanto a notabilizam desde então. Não deixa de ser, no entanto, curioso que se concretizasse em novecentos uma das características construtivas das casas nobilitadas do século XVIII, quando a "casa-torre" atingiu a sua expressão máxima, nomeadamente ao ser convertida num espaço mais de todo o conjunto habitável que passava a dominar, mantendo, de algum modo, o papel medievo de afirmação senhorial.
[AMartins]

Bibliografia

Título

Guia de Portugal, Beira II - Beira Baixa e Beira Alta

Local

Lisboa

Data

1984

Autor(es)

DIONÍSIO, Sant'Ana

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Revista da Beira Alta, Vol. XXXVI, nº. 4

Local

Viseu

Data

1976

Autor(es)

REAL, Mário Guedes