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Quinta da Costeira - detalhe

Designação

Designação

Quinta da Costeira

Outras Designações / Pesquisas

Quinta da Costeira (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Casa da Quinta da Costeira / Capela de Nossa Senhora de Lourdes (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Quinta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Oliveira de Azeméis / Carregosa

Endereço / Local

Estrada Carregosa - Arouca
Carregosa

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 46/2014, DR, 2.ª série, n.º 14, de 21-01-2014 (ver Portaria)
Parecer favorável de 13-03-2013 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 12-02-2013 da DRC do Norte para a alteração da classificação de CIP para MIP, à luz de idênticos casos
Procedimento (indevidamente) prorrogado até 31-12-2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de homologação de 21-06-2004 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 12-05-2004 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 30-06-2003 da DR do Porto para a classificação como CIP
Despacho de abertura de 26-04-2001 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 16-04-2011 da DR do Porto
Proposta de classificação de 1998 de particular

ZEP

Devolvido à DRC do Norte por despacho de 3-03-2014 do diretor-geral da DGPC, para reanálise
Proposta de 1-07-2011 da DRC do Norte

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Da Quinta da Costeira, situada na freguesia de Carregosa do concelho de Oliveira de Azeméis, existem notícias desde o 1º quartel do século XVII, embora o primeiro proprietário conhecido - tanto quanto se sabe, descendente da família fundadora - seja o abastado lavrador José Manuel Correia e sua mulher, D. Bernardina dos Bastos Pina, já em finais do século XVIII. A quinta manteve-se sempre, e até à actualidade, na posse de herdeiros da família Bastos Pina.
A casa original, de desenho neoclássico tardio, convive com a quinta agrícola, estando ainda rodeada por um frondoso parque florestal. O conjunto foi evoluindo naturalmente ao longo do tempo, embora sejam particularmente significativas as grandes obras aí realizadas no século XIX. É provável que, na época em que José Manuel Correia e D. Bernardina Pina habitavam a quinta, tenham sido levadas a cabo obras de beneficiação e ampliação da mesma. O núcleo habitacional mais arcaico foi acrescentado de corpos anexos, sendo visível que as fachadas a Oeste e a Sul são mais modernas que a fachada Norte.
Mas seria um filho de ambos, Manuel Correia de Bastos Pina, quem viria a desempenhar um papel fundamental na história da propriedade. D. Manuel Bastos Pina foi 22º conde de Arganil e 57º bispo de Coimbra, e um mecenas do panorama arquitectónico e artístico da zona de Coimbra, actividade que estendeu à casa de Oliveira de Azeméis. O conde bispo esteve ligado ao primeiro restauro da Sé Velha de Coimbra, à implementação do Museu de Arte Sacra da cidade, e a muitas outras demandas culturais da época. Na Quinta da Costeira, onde residiu por amplos períodos entre finais do século XIX e o princípio do século XX, D. Manuel terá levado a cabo várias obras de relevo. A ampliação da casa principal, provavelmente encetada pelo seu pai, foi terminada, construindo-se ainda duas alas laterais. Porém, a maior alteração da propriedade deu-se apenas a partir de 1880, quando D. Manuel iniciou a conversão da quinta numa residência episcopal e santuário de peregrinação mariano, inspirado no santuário pirenaico de Lourdes. Os terrenos foram ordenados em função de largas alamedas, que articulam entre si o jardim de buxo antecedendo a residência episcopal, o volume da capela dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, e um jardim de inspiração religiosa e romântica, onde se desenvolvem patamares com grutas, esculturas e pequenas arquitecturas cenográficas, bem como dois lagos em torno de um monte artificial.
No exterior da residência destaca-se o frontão triangular decorado com o brasão episcopal. Interiormente, são dignos de menção os tectos estucados da época, de boa altura. A capela de Nossa Senhora de Lourdes, começada a erguer em 1898 e concluída em 1902, é precedida por uma pitoresca escadaria pontuada por rochedos e esculturas em barro da fábrica das Devezas, à laia de percurso devocional cenografado. A fachada é flanqueada por duas torres, e decorada com as esculturas dos Quatro Evangelistas, mais uma da Virgem, sobre o vértice do frontão. No interior, destacam-se as pinturas dos tectos, da autoria de José Maria Pereira Júnior, cenógrafo e ceramista lisbonense, e os azulejos do artista de Coimbra Miguel da Costa, que também assina duas telas com cenas da Sagrada Família, uma delas datada de 1902 (A. Nogueira GONÇALVES, 1981).
Num terreiro da mata envolvente fica a chamada gruta de Nossa Senhora, e mais duas grutas semelhantes, entre diversos grupos escultóricos em barro e madeira, uma pequena fonte, e um obelisco, este último comemorativo da visita de D. Manuel II, em 1910.
O Santuário foi inaugurado em 1902, e chegou a atrair muitos peregrinos. Hoje em dia, a Quinta da Costeira continua na posse da mesma família, embora as instalações estejam em fase de adaptação a hotel rural, incluindo a quinta agrícola e um centro hípico. SML

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro

Local

Lisboa

Data

1959

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira