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Castro de São Domingos - detalhe

Designação

Designação

Castro de São Domingos

Outras Designações / Pesquisas

Cristelos / Castro de São Domingos(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Castro

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Lousada / Cristelos, Boim e Ordem

Endereço / Local

- -
Burgo

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

Cronologia

Anúncio n.º 151/2015, DR, 2.ª série, n.º 111, de 9-06-2015 (ver Anúncio
Despacho de 4-05-2015 do Secretário de Estado da Cultura a determinar a abertura de novo procedimento de classificação
Despacho de concordância de 13-04-2015 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 19-03-2015 da DRC do Norte para a abertura de novo procedimento de classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma) , alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 18-02-2000 do vice-presidente do IPPAR
Parecer favorável de 11-02-2000 do IPA
Informação favorável de 10-08-1999 da DR do Porto
Proposta de classificação de 28-06-1999 do Dr. José Marcelos Sanches Mendes Pinto, da UMP

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Integrado na região do Vale de Sousa, o território correspondente, na actualidade, ao município de Lousada revela-se particularmente abundante em monumentos funerários megalíticos, embora tenham sido também identificados alguns povoados de altura datados da Idade do Ferro, a exemplo do "Castro de S. Domingos" (designação conferida a partir de uma antiga capela dedicada ao Santo), ou "Cristelos", como será mais conhecido na região.
À semelhança do que sucedeu com outras estações bem conhecidas da nossa historiografia arqueológica, foi o escritor, historiador e arqueólogo vimarenense Francisco Martins de Gouveia Morais Sarmento (1833-1899) quem localizou, pela primeira vez, o sítio, numa altura em que a temática dos povoados fortificados da Idade do Ferro se enraizavam na agenda arqueológica europeia, e a actividade desta jovem ciência ganhava adeptos e alcançava, paulatinamente, o interesse dos poderes públicos portugueses, embora reforçado pela iniciativa particular de algumas entidades privadas e de individualidades, como no caso, justamente, do investigador F. Martins Sarmento (Cf. MARTINS, A., 2005).
Erguido no topo do Monte que lhe deu nome - de S. Domingos -, sobranceiro ao rio Mezio, com excelentes condições naturais de defesa, sobretudo no que refere ao domínio visual que se estende sobre todo o vale, o povoado estaria dotado de um sistema defensivo composto de, pelo menos, três ordens de muralhas correspondentes a cada uma das plataformas graníticas aí existentes. As mesmas que acolhiam, na verdade, as estruturas habitacionais, de planta predominantemente circular, com vestíbulo lajeado de braços assimétricos, tal como sucede em boa parte dos testemunhos inseridos no universo da denominada "cultura castreja", estruturadas em unidades circulares e sub-rectangulares (Cf. SILVA, A. C. F. da, 1986).
Dos inúmeros artefactos recolhidos no local fazem parte vários fragmentos de cerâmica indígena (maioritariamente de cozinha), de cores escuras e perfil em "S", bem como gramática decorativa predominada por diferentes combinações em "SSS" e estampagens obtidas com incisões oblíquas, de tradição hallstática.
A par destes elementos, foram encontrados múltiplos objectos que atestam bem as actividades que marcavam o quotidiano das suas gentes. São disso exemplo os cossoiros de xisto e argila, relacionados com a fiação, das mós giratórias e dos pesos de rede, a par das lâminas de sílex e das enxós anfibolíticas.
Para além disso, a presença de fragmentos de cerâmica mediterrânea, de tradição oriental ou púnica, revelam-nos uma população que se integrava rapidamente no modelo romano, como serão os casos das ânforas, especialmente das destinadas ao transporte de vinho e de azeite, de par com contas vítreas, terra sigillata (de paredes finas) itálica e hispânica, revelando uma população com alguns recursos (Cf. ALARCÃO, A., 1958), a exemplo dos dolia exumados, contentores cerâmicos de grandes dimensões aplicados na conservação e transporte de produtos alimentares.
Ademais, o processo de romanização do local, em zona particularmente fértil em recursos naturais e potencialidades agrícolas, encontra-se bem presente numa residência identificada na meia-encosta, com uma área de expressão arqueológica superior a vinte e cinco metros de comprimento, e onde foram encontrados compartimentos com as paredes construídas em opus incertum (aplicação de pequenas pedras de formato irregular) e destinadas a receber um acabamento em opus caementicium (produzido com argamassa e cal).
Quanto ao derrube de materiais de construção romana registado no sítio, como as tegulae - telhas rectangulares - e os imbrex - telhas em forma de meia cana -, ele terá ocorrido durante a segunda metade do século I d. C. na sequência de um incêndio deflagrado por ocasião da chegada, no século V, de Suevos e Vândalos ao Noroeste peninsular.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

Complexificação das sociedades e sua inserção numa vasta rede de intercâmbios, Nova História de Portugal

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

JORGE, Vítor de Oliveira

Título

A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal

Local

Paços de Ferreira

Data

1986

Autor(es)

SILVA, Armando Coelho Ferreira da

Título

A Associação dos Arqueólogos Portugueses na senda da salvaguarda patrimonial. Cem anos de transformação (1863-1963). Texto policopiado. Tese de Doutoramento em Letras.

Local

Lisboa

Data

2005

Autor(es)

MARTINS, Ana Cristina

Título

Sigillata hispânica em museus do Norte de Portugal, Revista de Guimarães

Local

Guimarães

Data

1958

Autor(es)

ALARCÃO, Adília

Título

O povoamento da bacia superior do rio Sousa - da Proto-história à Romanização, Trabalhos de Antropologia e Etnografia

Local

Porto

Data

1995

Autor(es)

MENDES-PINTO, José Marcelo Sanches