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Igreja da Misericórdia e respectiva Casa do Despacho da antiga vila de Pereira, incluindo os seus retábulos de talha, painéis de azulejo e tecto pintado - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Misericórdia e respectiva Casa do Despacho da antiga vila de Pereira, incluindo os seus retábulos de talha, painéis de azulejo e tecto pintado

Outras Designações / Pesquisas

Igreja da Misericórdia de Pereira e Casa do Despacho / Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Pereira e Casa do Despacho (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Coimbra / Montemor-o-Velho / Pereira

Endereço / Local

-- --
Pereira

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Dedicada a Nossa Senhora da Piedada, invocação da primitiva capela onde esteve sediada a Irmandade, a actual igreja da Misericórdia de Pereira remonta à primeira metade do século XVIII, quando, por iniciativa do Provedor Félix de Carvalho Pimentel, foi edificado o novo templo. As obras tiveram início em 1729, encontrando-se as estruturas do edifício terminadas no ano seguinte. Contudo, a fachada só ficou concluída em 1748/1749 , e a torre entre 1753 e 1758, de acordo com o referido sob o mostrador do relógio. As campanhas decorativas conheceram um prolongamento ainda maior, e o último revestimento azulejar a ser aplicado na nave data já de 1784.
O alçado principal apresenta, ao centro, a igreja, flanqueada pela torre e pela Casa do Despacho, ambos num plano ligeiramente recuado. A fachada do templo é ladeada por pilastras, encimadas por pináculos alteados. Ao centro, o portal é definido por duas colunas coríntias, que ganham especial importância pelas representações iconográficas que se lhe sobrepõem. Estas são constituídas pelas duas virtudes cardeais, a Esperança e a Caridade, apoiadas sobre as aletas que ladeiam a figuração, em relevo, de Nossa Senhora da Misericórdia. Por cima, no tímpano do frontão de remate do alçado, as armas de Portugal complementam a iconografia tradicional das Irmandades da Misericórdia. Quanto à composição do portal, alguns investigadores têm vindo a chamar a atenção para a semelhança entre este (executada pelo pedreiro Matias de Andrade), e os do colégio de São Pedro do pátio da Universidade ou de São Domingos de Aveiro (GONÇALVES, 1952).
A Casa do Despacho, de dimensões mais reduzidas, é aberta por um portal de colunas jónicas, numa composição prolongada pela janela de sacada que se lhe sobrepõe. A Torre, divide-se em três registos, o central ocupado pelo relógio, e termina em forma de bolbo rodeado por fogaréus.
O interior da igreja, de nave única com coro alto, assente sobre colunas, e tribuna dos mesários (do lado da Epístola), destaca-se pelos retábulos de talha dourada, de estilo nacional ou barroco pleno, bem como pelos azulejos que complementam o efeito cenográfico e teatral do espaço.
Na nave os azulejos são azuis e brancos com cercaduras polícromas, e na capela-mor apenas azuis e brancos. É possível saber com exactidão a data em que foram aplicados, pois são citados num livro referente ao "bom governo" da Misericórdia de Pereira, escrito em 1785 por José Tavares da Paixão, e divulgado por Santos Simões (SIMÕES, 1979, p. 146). Aqui se refere que os painéis da capela-mor foram encomendados pelo provedor Bernardo António Amado de Vasconcelos, em data anterior a 1785, ano em que terminou o seu mandato (fl. 211 do manuscrito). Representando cenas marianas, estes eram considerados pelo autor do referido manuscrito, a "quinta obra maravilhosa" patrocinada por este provedor. Já o conjunto da nave, dedicado à vida de Cristo, foi aplicado em 1784 (fl. 212 do manuscrito).
O retábulo-mor, executado por Jerónimo Ferreira de Araújo, foi assente em 1731, e as imagens que o integram são contemporâneas do trabalho da talha, à excepção da Nossa Senhora da Piedade, no camarim, que é uma obra de pedra, do século XVI. Os colaterais são pouco mais tardios, de 1738, e foram dourados por Domingos Correia e Manuel Pereira, de Coimbra, que nesse mesmo ano pintaram o tecto, o cruzeiro e, eventualmente, o tecto a sacristia (GONÇALVES, 1952).
A sacristia exibe um arcaz almofadado, executado por Manuel João, o Seco, em data anterior a 1748, e o tecto é pintado com motivos de grinaldas. Já na Casa do Despacho destaca-se uma tela setecentista representando a Visitação, com moldura de talha, e a bandeira com a habitual iconografia das Misericórdias - Nossa Senhora da Piedade e Nossa Senhora da Misericórdia -, assinada por Antonius Josephus, em 1795 (GONÇALVES, 1952).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Inventário Artístico de Portugal - Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre, Porto e Santarém

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos