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Casa dos Arrábidos (antigo Convento dos Frades Arrábidos, contíguo à Capela de Santo António) - detalhe

Designação

Designação

Casa dos Arrábidos (antigo Convento dos Frades Arrábidos, contíguo à Capela de Santo António)

Outras Designações / Pesquisas

Convento de Santo António / Capela de Santo António(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Santarém / Torres Novas / Torres Novas (Santa Maria, Salvador e Santiago)

Endereço / Local

Rua de Santo António
Torres Novas

Número de Polícia: 138

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

Edital de 4-01-2005 da CM de Torres Novas
Deliberação de 3-04-2002 da AM de Torres Novas a aprovar a proposta de classificação apresentada pela CM
Proposta de classificação de 25-01-2002 da CM de Torres Novas

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Originalmente implantado na área peri-urbana de Torres Novas, o conjunto monumental integra o edifício conventual propriamente dito, a capela de Santo António, a cerca que detinha um extenso olival, a fonte de São Luís, localizada num dos limites da propriedade, e ainda uma pequena ermida de espaço único centralizado e abobadado.
As suas origens recuam aos meados do século XVI e à acção do Duque de Aveiro, D. João de Lencastre, nobre que demonstrou grande apreço pelo estilo de vida e observância dos frades arrábidos (cuja primeira casa em Portugal havia sido fundada em 1542 na Serra da Arrábida). Em 1561, o duque determinou a criação de um pequeno convento consagrado a Nossa Senhora do Egipto, perto da sua vila de Torres Novas, entre as localidades de Marruas e Liteiros. O plano arquitectónico da instituição foi da responsabilidade do provincial, Frei Martinho de Santa Maria, que concebeu um convento "em tudo muito pobre e pequeno, de paredes de adobe e madeira tosca que compreendia um dormitório com algumas celas muito estreitas" (JOAQUIM, 2004, p.5, inédito). Durante 32 anos, a comunidade viveu em condições muito precárias até que, em 1593, os menos de dez frades que ali viviam foram transferidos para o actual conjunto.
Este foi fundado em 1591, no lugar de Berlé, por patrocínio de D. Álvaro, sobrinho de D. João de Lencastre, e de outros nobres e homens socialmente relevantes na região. No entanto, a rapidez da construção e a menor qualidade dos materiais empregues, determinaram que cedo o conjunto entrasse em degradação, o que motivou novas obras gerais por volta de 1639, por empenho de Fr. António de Moura, guardião da comunidade.
A igreja conventual é o principal elemento arquitectónico do conjunto. É antecedida por narthex de acesso por tripla arcada ocidental, de arcos em asa de cesto, desenvolvendo-se, superiormente, a fachada principal do templo, com janela central do coro e coroamento em empena de andares, com cruz a eixo e dois pináculos nos ângulos. O templo é de nave única e serviu, durante séculos, de local de enterramento para importantes figuras torrejanas. O coro-alto adossa-se à frontaria e as paredes da nave encontram-se forradas por azulejos azuis e brancos datados da primeira metade do século XVIII. O arco triunfal, a pleno centro, é ladeado por dois retábulos de corpo único, de perfil já neoclássico, e encimado por sanefa de talha onde descarrega composição rectangular de talha dourada com medalhão central. A capela-mor é quadrangular, rematada por retábulo de talha branca, igualmente neoclássico.
Das dependências conventuais, pouco é o que resta de original. Em algumas delas ainda subsistem elementos de pintura mural com motivos vegetalistas e a área habitacional comunicava com a capela através de dois corredores. Em 1662, junto à portaria do convento, os frades erigiram uma Enfermaria, que permitiu que os habitantes de Torres Novas não tivessem de se deslocar a Santarém.
Apesar de não existir ainda um estudo monográfico rigoroso do conjunto, consta que o terramoto de 1755 afectou decisivamente o convento, "tendo-se desmoronado um lanço da abóbada do claustro e a parede da capela do lado norte abriu fendas, ameaçando ruir" (IDEM, p.10, inédito). Terão sido esses problemas a estar na origem das obras então realizadas, que reformularam, por exemplo, os elementos devocionais do interior da igreja. Em 1834, o convento foi encerrado e, três anos depois, a sua posse passou para Luís de Atouguia Sousa Coutinho, nobre vizinho da comunidade e cujos antepassados repousavam na sua igreja. Em 1867, o conjunto passou para a Santa Casa da Misericórdia de Torres Novas, que promoveu algumas obras. Todavia, em 1920, a propriedade foi adquirida pelo militar José de Sousa Moreira, mantendo-se, até à actualidade, na posse dos seus herdeiros, que a transformaram em unidade de turismo, dotada de 5 quartos duplos, salão, bar, piscina e transformação da área rural em zonas de lazer.
PAF

Bibliografia

Título

Memórias de Torres Novas: novos subsídios para a sua história

Local

Torres Novas

Data

1990

Autor(es)

GONÇALVES, Artur

Título

Património artístico do concelho de Torres Novas

Local

Torres Novas

Data

2001

Autor(es)

BICHO, Joaquim Rodrigues

Título

Convento dos frades arrábidos de Torres Novas, Proposta de classificação de Interesse Municipal (inédito)

Local

Torres Novas

Data

2004

Autor(es)

JOAQUIM, Manuel Ramiro de Jesus