Saltar para o conteúdo principal da página

Ponte sobre o rio Ázere - detalhe

Designação

Designação

Ponte sobre o rio Ázere

Outras Designações / Pesquisas

Ponte de Ázere / Ponte de Ázere(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Ponte

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Ázere

Endereço / Local

-

Proteção

Situação Actual

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

-

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A ponte de Ázere é mais uma das várias pontes medievais que recorreram a características construtivas sumárias, em prejuízo de eventuais rasgos arquitectónicos ou estilísticos, que funcionem, no presente, como indicadores mais ou menos seguros de cronologia. O facto de alguns silhares evidenciarem siglas de pedreiros - de acordo com o método laboral tardo-medieval de contagem dos blocos aparelhados - aponta para uma datação entre os séculos XIII e XV (ALMEIDA, 1987, p.135), mas a verdade é que pouco mais poderemos saber acerca do momento específico em que se decidiu a sua construção e, consequentemente, acerca dos seus promotores e circunstâncias económicas. Por outro lado, as flagrantes diferenças entre os dois arcos e alguns aspectos da estrutura devem motivar algumas reflexões em matéria de cronologia, a que aludiremos adiante.
Ela compõe-se de dois arcos de volta perfeita, de aparelho regular e relativamente cuidado, mas evidenciando algumas anomalias entre si: enquanto que o do lado Norte (o único que apresenta siglas nos seus silhares) é definido por aduelas estreitas e compridas, o do lado Sul apresenta aduelas mais largas e curtas, algumas delas almofadadas (DGEMN, on-line). Perante estas evidências, estamos perante duas fases construtivas distintas, uma claramente medieval e outra posterior. Ainda ao nível da estrutura, existe um talhamar prismático entre os dois arcos, sobrepujado por um pegão hoje entaipado.
Também o tabuleiro revela as transformações por que a estrutura passou. Ao contrário das típicas duplas rampas de acentuado declive que caracterizam as pontes medievais, ele é horizontal, elevando-se imediatamente acima da curvatura dos arcos e dispensando, assim, os enchimentos. A sua largura é de aproximadamente 4,20 metros, medida razoável para a passagem de carros de tracção animal nos anos da Baixa Idade Média.
Com base nestes dados, assumiria grande probabilidade a pré-existência de uma estrutura romana, posteriormente adaptada e reformulada no século XIII ou XIV. Possuímos, contudo, uma indicação precisa acerca de uma grande reforma verificada no século XVII, responsável pela configuração actual da ponte. A 2 de Agosto de 1613 celebrou-se um contrato com João Rodrigues para a sua reconstrução, mestre que ficou encarregue de executar também a reconstrução da ponte das Mestas (DGEMN on-line). É a essa reforma que se deve atribuir os silhares almofadados do arco meridional e, muito provavelmente, a horizontalidade do tabuleiro.
Em Setembro de 1999, uma violenta enxurrada destruiu parte do talhamar, algumas aduelas e ainda uma pequena secção do tabuleiro. As obras que, no ano seguinte, a autarquia promoveu limitaram-se a repor um antigo açude a montante da ponte, que evita as grandes correntes nas épocas chuvosas, mas não interveio sobre a estrutura. Ela continua a apresentar um aspecto desolador, com grandes falhas nas guardas de protecção do tabuleiro e desprovida de um plano de restauro, desobstrução de arbustos e valorização. Uma realidade que contrasta com a sua importância, visto ser um marco fundamental na história da pontística medieval regional, e nacional, e ser um dos poucos exemplos de pontes medievais refeitas na Idade Moderna, de que temos um precioso testemunho cronológico e estilístico.
PAF

Bibliografia

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Pontes Medievais nos Arcos-de-Valdevez , Portvcale, vol. 1, n.º 2, pp.148- 156

Local

Porto

Data

1928

Autor(es)

PEREIRA, Félix Alves