Saltar para o conteúdo principal da página

Igreja de São Paulo, também denominada «Igreja dos Clérigos» ou «Capela Nova» - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São Paulo, também denominada «Igreja dos Clérigos» ou «Capela Nova»

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Pedro Novo / Igreja de São Paulo / Igreja dos Clérigos / Capela Nova(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Vila Real / Vila Real / Vila Real

Endereço / Local

Rua Dr. Roque da Silveira (antiga Rua Direita ou dos Mercadores)
Vila Real

Rua 31 de Janeiro (antiga Rua das Pedrinhas)
Vila Real

Rua dos Combatentes da Grande Guerra
Vila Real

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 443/2006, DR, II Série, n.º 49, de 9-03-2006 (ver Portaria)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A denominada Capela Nova, ou capela dos Clérigos, é um edifício de arquitectura barroca, cujas obras sabemos terem tido início em Fevereiro de 1639 (PARENTE, s.d., p. 90). Todavia, a sua linguagem remete para uma época mais avançada, já plenamente setecentista, o que indicia a ocorrência de uma nova campanha de obras, mais tardia, responsável pela edificação que hoje conhecemos. De todas as formas, a capela deveria estar concluída em 1740, dado que uma das epígrafes que se encontra no seu interior, referente a um legado de missas, apresenta a data de 1740.
Situada no eixo que define duas artérias da cidade de Vila Real, a capela impõe-se na malha urbana, não apenas pela sua localização privilegiada e cenográfica mas, principalmente, através de uma fachada profusamente decorada, de ritmos dinâmicos. Esta arquitectura sólida, marcada por duas imponentes colunas de ordem toscana, de cada lado do pórtico de entrada, com entablamento em relevo e frontão contracurvado a que se sobrepõem três esculturas representando São Pedro, e dois anjos, tem vindo a ser atribuída a Nicolau Nasoni. Este pintor-arquitecto, de origem italiana, estabeleceu-se no Porto a partir do primeiro quartel do século XVIII, tornando-se numa das figuras mais significativas do norte do país, no âmbito da arquitectura setecentista.
Contudo, nenhum documento comprova esta eventual ligação, e somente o cotejo com outras obras da sua autoria, seguramente identificadas, permitem estabelecer a aproximação. A actividade de Nasoni enquanto arquitecto não poderia, de forma alguma, abranger todas as obras que lhe têm vindo a ser atribuídas, pelo que é natural que muitos destes imóveis possam ter sido concebidos, ou pela sua oficina, ou por outros mestres arquitectos por si fortemente influenciados. Em todo o caso, a Capela Nova corresponderia a uma fase inicial da sua carreira, dado que a partir da construção da fachada da igreja da Misericórdia do Porto, o seu trabalho revela um gosto diferenciado, patente nos desenhos de linhas mais nervosas e que anunciam a emergência do rococó (SMITH, 1979). Neste contexto, a solução encontrada, para a fachada desta capela em Vila Real, recorda o modelo empregue na capela da Casa de Mateus, embora desenvolvido de forma diferenciada.
Dedicada a São Pedro, a Capela Nova fez convergir, no exterior e no interior, toda uma iconografia de exaltação do apóstolo que foi o primeiro Papa. A inscrição patente na cartela da fachada refere, exactamente, que Pedro é o "Pastor das ovelhas, príncipe dos Apóstolos, e senhor das chaves do céu", e a sua representação, na escultura que coroa o frontão, relembra, uma vez mais, a orgulhosa invocação da capela.
No interior, destacam-se os painéis de azulejo, azul e branco, que revestem as paredes, e que relatam episódios da vida de São Pedro, e também de São Paulo. São, com certeza, contemporâneos da arquitectura da capela. Na nave, o primeiro alude ao naufrágio de Pedro e o segundo representa São Paulo em Atenas. Do lado oposto, a cena em que São Pedro fez cair Simão, o Mago, enquanto este levitava e São Pedro a caminhar sobre as águas. Por sua vez, na capela-mor encontramos o episódio em que São Pedro se liberta e vem ter com os cristãos, a meio da noite.
As telas patentes na capela-mor, complementam e reforçam a iconografia azulejar, com a representação da Degolação de São Paulo e, novamente, a travessia de Pedro sobre as águas.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Roteiro arqueológico e artístico do Concelho de Vila Real, Juventude com História

Local

Vila Real

Data

1999

Autor(es)

PARENTE, João Ribeiro