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Atalaia quinhentista de Bias, também designada Torre de Bias - detalhe

Designação

Designação

Atalaia quinhentista de Bias, também designada Torre de Bias

Outras Designações / Pesquisas

Atalaia de Bias / Linha defensiva das Atalaias de Alfanxia, Torre de Marim, Torre de Quatrim, Torre da Amoreira, Torres de Bias e Atalaia do Torrejão(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Torre

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Olhão / Olhão

Endereço / Local

- -
Bias Sul

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 439/2012, DR, 2.ª série, n.º 179, de 14-09-2012 (ver Portaria)
Procedimento (indevidamente) prorrogado até 31-12-2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de homologação de 26-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 2-12-2022 da DR de Faro para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 24-03-1999 do vice-presidente do IPPAR
Informação favorável de 18-03-1999 da DR de Faro
Proposta de classificação de 12-03-1999 do Parque Natural da Ria Formosa

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Num planalto sobranceiro à ria, com privilegiada visibilidade sobre as ilhas-barreira da Fuzeta e da Armona, a Torre de Bias é um dos monumentos que melhor espelha o que foi a linha de defesa e de vigia da costa oriental do antigo concelho de Faro, ao longo das Idades Média e Moderna. Uma linha de estruturas modestas (a maior parte desaparecida, ou em vias de desaparecer), cuja maior concentração se encontra, actualmente, no território de Olhão.
Variam muito as opiniões acerca do momento específico de constituição desta linha de torres, mas é certo que uma significativa parte delas remonta à Baixa Idade Média, na sequência da organização populacional e administrativa dos primeiros monarcas portugueses do antigo reino do Algarve. Confrontadas as regiões ribeirinhas com os constantes ataques muçulmanos, a necessidade de se efectivar a segurança das populações determinou a erecção destas estruturas, cujo carácter essencialmente de vigia está bem espelhado na relativa modéstia dos seus programas construtivos. Em todo o caso, o recurso a este modelo foi uma solução de certo sucesso, pois são ainda visíveis, um pouco por toda a costa meridional, de Tavira a Lagos, torres circulares e quadrangulares, de sistema construtivo e aspecto geral muito parecidos.
A torre de Bias parece ter surgido num momento já tardio, embora se possa equacionar a pré-existência de uma estrutura militar de ascendência medieval, de que nada restou. Uma inscrição identificada no local, mas infelizmente desaparecida, (a que se associava uma representação das armas reais) continha a data de 1549 e uma alusão ao rei "JOANNES III", indicação clara quanto à existência de uma campanha de obras nesta altura, responsável pela edificação (ou substancial transformação) da torre.
Datável, assim, do tempo maneirista, o que hoje podemos observar é estilisticamente incaracterístico. De planta simples circular e aparelho não-isódomo (recorrendo a silhares de pequena dimensão ligados por amplas argamassas e cotovelos), a torre possuía a entrada principal a Norte. Infelizmente, o estado de grande degradação a que chegou, impossibilita a correcta identificação de pisos. Embora existam ainda linhas de cornijamento pelas paredes, a verdade é que é impossível perceber a organização vertical da estrutura, bem como a configuração dos pavimentos e, logicamente, a forma da cobertura. A parte Sul é a melhor conservada, com uma secção de parede que se eleva a mais de 7 metros de altura, mas o interior, por exemplo, encontra-se totalmente entulhado, a uma altura de praticamente 5 metros.
Os últimos dois séculos foram particularmente gravosos para esta torre. Em 1841, sabemos que já se encontrava em ruínas, fruto certamente da radical alteração dos dispositivos de defesa da costa, que passaram a adoptar um carácter mais activo que passivo. Sem qualquer plano de intervenção ao longo dos anos, chegou até hoje em estado de quase-ruína. Paralelamente, o erro de legendagem das fotografias publicadas por João de Almeida (1948), levou à confusão desta torre com outras nas redondezas, o que não facilitou a sua correcta identificação e atenção por parte dos (poucos) investigadores que se dedicaram a estas notáveis estruturas de valor mais local que, propriamente, nacional.
Todavia, permanece como um dos mais importantes testemunhos de vigia-defesa da costa, a par das torres de Alfanxia, Quelfes, Marim e Amoreira, todas elas no actual concelho de Olhão. Relativamente perto, a cerca de 1 Km para Ocidente, é ainda possível identificar os restos de uma segunda torre, sobranceira ao Canal da Regueira dos Barcos, cuja construção pode mesmo recuar à época islâmica, uma vez que a prospecção aqui efectuada identificou algum material deste período (SILVA, 1997-98).
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Corografia ou memoria economica, estadistica, e topografica do reino do Algarve

Local

Lisboa

Data

1841

Autor(es)

LOPES, João Baptista da Silva

Título

Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve

Local

Faro

Data

1997

Autor(es)

COUTINHO, Valdemar

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

As torres de vigia do antigo concelho de Faro, Anais do Município de Faro, vols. 27-28, pp.117-140

Local

Faro

Data

1998

Autor(es)

SILVA, Celeste Nogueira e

Título

O papel das torres de vigia na defesa de Faro, Mil anos de fortificações na Península Ibérica e no Magrebe (500-1500), 2002

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

GAMITO, Teresa Júdice

Título

Carta Arqueológica de Portugal: concelhos de Faro, Olhão, Tavira, Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

MARQUES, Maria Teresa Fonseca Correia