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Ermida de São João da Venda - detalhe

Designação

Designação

Ermida de São João da Venda

Outras Designações / Pesquisas

Ermida de São João da Venda (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Ermida

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Loulé / Almancil

Endereço / Local

-

Proteção

Situação Actual

Procedimento caducado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Implantado junto à Estrada Nacional nº125, a mais movimentada via rodoviária do Algarve, esta pequena ermida encontra-se, hoje, delimitada por um reduzido adro e por diversos edifícios habitacionais de piso térreo. As suas origens remontam aos inícios do século XVI, altura em que as Visitações da Ordem de Santiago a referem como simples ermida, dependente da igreja de Santa Maria de Faro.
Os mais antigos vestígios materiais que se conservam confirmam essa cronologia quinhentista. Eles estão reduzidos à capela-mor, mais propriamente à sua cobertura, que é de cruzaria de ogivas, assente sobre mísulas e com amplo bocete central. O facto de as amplas nervuras ostentarem outros quatro bocetes faz pensar numa cobertura originalmente mais complexa, de perfil estrelado e entretanto suprimida nas grandes transformações por que o templo passou na segunda metade do século XVI.
Depois de construída a ermida, tudo indica que a localidade prosperou e depressa se autonomizou administrativamente. Deverá ter sido esse grande desenvolvimento de Almansil que levou a que, logo na segunda parte do século XVI, provavelmente cerca de 50 anos depois da edificação do templo, se tivesse dado uma grande reforma do edifício. Ela ficou bem testemunhada no corpo da igreja, que terá sido integralmente refeito, incluindo o arco triunfal.
Na fachada principal, é a estética maneirista que visualmente se impõe. De pano único, entre dois pilares-cunhais que, por se elevarem um pouco acima da linha de repouso da empena, conferem alguma monumentalidade à construção, a frontaria possui portal de verga recta, com pequeno frontão rectangular moldurado. A entrada é ladeada por duas pequenas janelas enquanto que uma terceira, de perfil rectangular e também com pequeno frontão a sobrepujá-la, se abre axialmente no segundo registo. A empena é triangular, rematada a eixo por cruz, enquanto que um dos pilares-cunhais termina com diminuto campanário de sineira única, a que se acede por escadaria traseira, paralela à fachada lateral. De um dos lados da frontaria, existe uma ampla casa de piso térreo, cujo portal é de perfil idêntico ao da capela, sintoma da sua contemporaneidade em relação ao edifício religioso e, tão ou mais importante, sinal da sua funcionalidade na dependência da capela, apesar de não se saber exactamente para que serviria.
No interior, é igualmente o Maneirismo que triunfa. A nave é coberta por tecto de madeira e possui duas capelas laterais, de arco de volta perfeita. O arco triunfal é igualmente de meio ponto e compõe-se de dois delgados colunelos que, por sua vez, se articulam com capitéis toscanos, constituindo estes um dos mais claros elementos estilísticos que confirmam a datação maneirista do conjunto. Na parede fundeira da capela-mor existe um retábulo de estrutura tripartida que é também maneirista, e datável de finais do século XVI. De estrutura tripartida (limitada por pilastras parcialmente caneladas) e com dois andares, integrava cinco pinturas sobre madeira ("retiradas recentemente", de acordo com LAMEIRA, 2000, p.112) e uma tribuna axial em forma de nicho destinada a albergar a imagem do orago. No seu estado actual, vê-se que foi objecto de intervenção recente, responsável pela substituição de parte da predela e do nicho.
Foi esta estrutura religiosa que, um século mais tarde, pela segunda metade do século XVII, desempenhou as funções de igreja matriz de Almansil, estatuto que só lhe foi retirado em 1849, transitando essas funções para a igreja de São Lourenço da mesma localidade, templo edificado já no ciclo barroco. Parcialmente restaurada na década de 90 do século XX e novamente em 2004, mantém-se como a mais antiga igreja de Almansil e uma das que melhor evoca a arquitectura quinhentista do antigo termo de Faro, de que resta ainda um assinalável conjunto praticamente todo da primeira metade do século XVI e que segue invariavelmente o mesmo modelo planimétrico.
PAF

Bibliografia

Título

A talha no Algarve durante o Antigo Regime

Local

Faro

Data

2000

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

Itinerário do Barroco no Algarve

Local

-

Data

1988

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

Loulé. O património artístico

Local

Loulé

Data

2001

Autor(es)

CARRUSCA, Susana

Título

Monografia do Concelho de Loulé

Local

Porto

Data

1905

Autor(es)

OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde