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Castelo dos Mouros, compreendendo a cisterna - detalhe

Designação

Designação

Castelo dos Mouros, compreendendo a cisterna

Outras Designações / Pesquisas

Castelo dos Mouros (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)

Endereço / Local

- Serra de Sintra
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver decreto)

ZEP

Portaria n.º 670/99, DR, 2.ª Série, n.º 150, de 30-06-1999 (com ZNA) (ZEP do Castelo dos Mouros e da Igreja de Santa Maria)
Portaria n.º 523/97, DR, I Série-B, n.º 167, de 22-07-1997 (ver Portaria)

Zona "non aedificandi"

Portaria n.º 670/99, DR, 2.ª Série, n.º 150, de 30-06-1999

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

Abrangido pela "Paisagem Cultural e Natural de Sintra", incluída na Lista de Património Mundial - MN (nº 7 do art.º 15.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro)

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O castelo dos Mouros é um dos mais emblemáticos espaços que o Romantismo da Serra de Sintra cristalizou, simultaneamente o que melhor testemunhava o passado medieval da região e o que mais evocava a sensibilidade religiosa e cultural do século XIX. A sua configuração actual é o resultado de três grandes etapas construtivas: o primeiro estabelecimento deve-se ao Islão, que aqui instalou um reduto populacional e militar de grande importância no contexto regional do ocidente peninsular. Com a Reconquista do território, os novos poderes cristãos renovaram os privilégios e as condições de evolução da vila. A partir daqui, regista-se um grande intervalo de obras significativas. O progressivo abandono do castelo e o desenvolvimento do núcleo populacional mais abaixo, em torno do paço régio, determinaram esta circunstância. Só no século XIX, com o intenso movimento de redescoberta e de recuperação da Idade Média idealizada, o velho castelo voltou a ser alvo de atenções.
Assim, é ao período islâmico que teremos de buscar as primeiras informações acerca do castelo. Os geógrafos árabes dos séculos XI e XII descrevem Sintra como uma região rica, muito bem localizada e provida de recursos. A sua condição de cabeça de um vasto território circundante, eminentemente agrícola, que era necessário proteger, parece ter sido a principal razão para a existência deste castelo (COELHO, 2000, p.218). O facto de alguns historiadores recuarem a primitiva construção da fortaleza aos séculos IX-X (PAVÓN MALDONADO, 1993) parece vir em favor desta hipótese, uma vez que é por essa altura que se testemunha um maior povoamento e atenção da região a Norte de Lisboa. Ainda segundo este autor, a fortaleza revela duas fases construtivas, visíveis no aparelho das muralhas e das torres cilíndricas, facto corroborado pela análise de Catarina Coelho. A cisterna, localizada no centro do reduto defensivo, fazia parte do projecto islâmico e destinava-se a abastecer uma população considerável.
Mas se a cronologia islâmica fundacional do monumento não levanta grandes problemas, o mesmo não se pode dizer acerca da configuração original das muralhas e dos espaços intra-muros. O abandono precoce da fortaleza e o impacto das reconstruções românticas promovidas por D. Fernando II são factos que impossibilitam uma rigorosa análise arqueológica do conjunto (TORRES, 1995, p.167). O que hoje podemos observar é uma cenografia de natureza militar, idealizada, uma vez que grande parte das torres quadrangulares, muralhas, adarves e parapeitos datam do século XIX.
Após as conquistas de Lisboa, Sintra, Almada e Palmela, em 1147, Sintra foi objecto de uma renovada atenção. Sete anos depois, D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral, datando das décadas seguintes as reformas fundamentais no castelo e no bairro intra-muralhas, que foi dotado de uma igreja tutelar.
Com efeito, é à segunda metade do século XII que se atribui a igreja de São Pedro de Canaferrim, uma das mais importantes capelas românicas do Sul do país, cujo melhor conhecimento se revelou fundamental para a compreensão deste fenómeno artístico na região em torno de Lisboa. O templo foi parcialmente reconstruído por D. Fernando II, que lhe conferiu o aspecto de falsa ruína que hoje ostenta. Planimetricamente, a igreja não apresenta novidades, cingindo-se à nave única rectangular e capela-mor de menores dimensões e volumetria. De acordo com os estudos de Manuel Luís Real, trabalharam na obra artífices de origem árabe, recrutados na comunidade mudéjar da Sintra reconquistada e que deixaram a sua marca na tipologia do aparelho (REAL, 1987, p.555). Dois capitéis figuram, hoje, na colecção do Museu Arqueológico do Carmo. Pela decoração vegetalista que ostentam, organizada em finas hastes dispostas num campo escultórico muito "vazio", são elementos já tardios, provavelmente oriundos do portal principal da igreja (REAL, 1987, p.537), e datáveis já de finais do século XII, ou inícios de XIII.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Portugal roman, vol. I

Local

-

Data

1986

Autor(es)

GRAF, Gerhard N.

Título

La sculpture figurative dans l'art roman du Portugal, Portugal roman, vol. I, pp.33-75

Local

-

Data

1986

Autor(es)

REAL, Manuel Luís

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

A arte islâmica no Ocidente Andaluz, História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.150-177

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

MACIAS, Santiago, TORRES, Cláudio

Título

A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal

Local

Barcelos

Data

1969

Autor(es)

PERES, Damião

Título

Sintra

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Castelo de Sintra ou Castelo dos Mouros

Local

Mem Martins

Data

1996

Autor(es)

COSTA, Francisco Pedro Ribeiro e

Título

Sintra Património da Humanidade

Local

Sintra

Data

1998

Autor(es)

RIBEIRO, José Cardim

Título

Perspectivas sobre a flora românica da «escola» lisbonense. A propósito de dois capitéis desconhecidos de Sintra no Museu do Carmo, Sintria, vol. I-ii, pp.529-560

Local

Sintra

Data

1983

Autor(es)

REAL, Manuel Luís

Título

A ocupação islâmica do Castelo dos Mouros (Sintra): interpretação comparada, Revista Portuguesa de Arqueologia, vol.3, nº1, pp.207-225

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

COELHO, Catarina

Título

Cintra pituresca, ou memoria descriptiva da Villa de Cintra, Collares, e seus arredores...

Local

Lisboa

Data

1838

Autor(es)

LACERDA, João António de Lemos Pereira (Visconde de Juromenha)

Título

O Castelo dos Mouros (Sintra), Mil anos de fortificações na Península Ibérica e no Magreb (500-1500), pp. 389-395

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

COELHO, Catarina

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, volume II

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de