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Igreja do Sagrado Coração de Jesus - detalhe

Designação

Designação

Igreja do Sagrado Coração de Jesus

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial do Coração de Jesus (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Santo António

Endereço / Local

Rua Camilo Castelo Branco
Lisboa

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 18/2010, DR, 1.ª série, n.º 250, de 28-12-2010 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 25-09-2009 do Ministro da Cultura
Parecer de 26-07-2006 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como MN
Proposta de 2-09-2005 da DR de Lisboa para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 21-06-2005 do presidente do IPPAR
Nova proposta de abertura de 30-05-2005 da DR de Lisboa
Em 31-03-2005 foi consultado o pároco sobre o assunto
Proposta de 10-03-2005 da DR de Lisboa para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Despacho n.º 67/2004 - PRES. de 18-06-2004 do presidente do IPPAR a determinar o estudo da eventual classificação com carácter de urgência

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, obra dos Arquitectos Nuno Teotónio Pereira e Nuno Portas, destaca-se como edifício de qualidade ímpar no panorama da arquitectura nacional. Esta obra marca igualmente o momento de abertura da Igreja à renovação da "arquitectura cristã", ocorrida a par de uma verdadeira renovação espiritual, patente no recurso a arquitectos que em 1953 deram origem ao Movimento de Renovação da Arte Religiosa (MRAR), fundado e presidido por Teotónio Pereira, e cuja actividade se prolongaria até finais da década de 1960.
Construída em 1961-70, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus surgiu no seguimento de uma série de experiências inaugurais, que culminaram em obras do nível da também lisboeta Igreja de Nossa Senhora de Fátima, com projecto de 1934, a primeira a desafiar as linguagens tradicionais. Nestes novos templos buscava-se não apenas a actualização arquitectónica e urbanística, inspirada (por exemplo) na aplicação dos princípios modernistas da Carta de Atenas, mas também a harmonização formal com a doutrina dos Evangelhos, entendida na sua "pureza" original. Assim se deverá contextualizar o recurso aos materiais "autênticos" ou mais austeros (se não mesmo pobres), às linhas simples, ao rigor formal, à depuração ornamental.
Tais ousadias, de resto temperadas por uma cuidadosa distanciação crítica em relação aos exageros do formalismo, foram muitas vezes recompensadas com algum reconhecimento nacional e internacional: a Igreja do Sagrado Coração recebeu o Prémio Valmor de 1975, juntamente com a Sede, Jardins e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian. Naturalmente, estas obras também suscitaram (e suscitam) controvérsia, bem compreensível se as cotejarmos com os exemplares tradicionalistas e conservadores que ainda faziam fortuna na época, como era o caso das igrejas revivalistas de São João de Deus ou de Santo Condestável, ainda na capital.
No edifício do Sagrado Coração, Teotónio Pereira e Nuno Portas (que trabalharam juntos em várias obras) tiveram como preocupação fundamental a ligação entre os espaços de circulação e a malha urbana, e o próprio edifício. Também este cuidado é demonstrativo dos anseios da nova arquitectura religiosa, que se posiciona em diálogo íntimo com a cidade e a comunidade que a recebe. No caso presente, este desejo de integração colocava alguns problemas, de resto resolvidos com maestria. A espaçosa igreja desenvolve-se num pequeno lote, e articula-se com outros edifícios de grandes dimensões, entre ruas bastante desniveladas entre si. O corpo principal e os anexos foram desta forma idealizados em vários níveis, que permitem articular os espaços do edifício com as artérias vizinhas, criando ainda percursos urbanos que valorizam a área envolvente, de acordo com o propósito expresso pelos autores, de «realizar a amarração à cidade». Os alçados são dinamizados através de uma sucessão de terraços e lances de escadas, e de superfícies verticais facetadas, desencontradas, ou em rampa, que alteram por completo a planta quadrada.
O dinamismo do exterior, desmultiplicado e participante, mantém-se no interior do templo, onde os diversos espaços se distribuem de forma desnivelada. As naves, a cripta, e as galerias e balcões criam jogos de plataformas que encontram um ponto focal no altar-mor. Por fim, a utilização dos materiais "menos nobres" (betão armado e vidro) e as formas simplificadas da construção vêem responder ao anseio de renovação formal e religiosa. A Igreja do Sagrado Coração de Jesus constitui-se assim como um edifício admirável em si mesmo, e parte fundamental da história da arquitectura moderna em Portugal, que de resto tanto deve a arquitectos como Teotónio Pereira.
Sílvia Leite / DIDA / IGESPAR, I.P. / 14-08-2007

Imagens

Bibliografia

Título

Arquirtectura do século XX

Local

-

Data

1997

Autor(es)

-

Título

Arquitectura Moderna Portuguesa 1920-1970. Um Património a Conhecer e Salvaguardar

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

AA.VV.

Título

Os Verdes Anos na Arquitectura Portuguesa dos Anos 50

Local

-

Data

-

Autor(es)

-

Título

Arquitectura Moderna e Obra Global a partir de 1900

Local

Porto

Data

2009

Autor(es)

TOSTÕES, Ana