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Casa de Pomarchão, incluindo a capela, o terreiro e o portão - detalhe

Designação

Designação

Casa de Pomarchão, incluindo a capela, o terreiro e o portão

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Solar

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte de Lima / Arcozelo

Endereço / Local

-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Situada na freguesia de Arcozelo, a casa de Pomarchão é uma das mais significativas casas solarengas da região de Ponte de Lima, que combina uma estrutura maneirista de raiz, com variados elementos barrocos, posteriormente acrescentados, numa tradição arquitectónica de continuidade.
A Quinta era pertença da família Malheiro Reimão desde o século XVII, centúria a que se pensa remontar o edifício original. Já no último quartel ter-se-á alargado a propriedade, construindo-se, então, o muro que delimita o terreiro de acesso à casa. Contudo, este, dividido por pilastras e aberto pelo portão com as armas da família, ostenta a data de 1760, tendo ainda sido alvo de nova remodelação século XIX, conservando, no entanto, o brasão original. Antecedem o edifício habitacional, duas outras construções, de características rurais, erguidas também no século XIX e, actualmente, adaptadas a Turismo de Habitação.
A Casa principal foi profundamente modificada em meados do século XVIII. De acordo com a data patente na capela, esta campanha de obras ocorreu em 1755, o que é confirmado pelo ano de 1760 presente no portão (Inventário Artístico da Região Norte III, 1974, p. 20). Assim, observamos um edifício marcado pela dupla colunata que percorre a fachada principal, prolongando-se, ao nível do piso superior, pelo alçado lateral. A depuração destes elementos aponta para uma cronologia seiscentista, correspondendo à primeira fase do edifício. Já as escadas que interrompem estes ritmo contínuo, ao centro. no frontispício e numa as extremidades, na fachada lateral, revelam, desde logo, uma linguagem barroca. A primeira é antecedida por um patamar, e desenvolve-se num lanço único cuja guarda é rematada por aletas. Na segunda, o patamar é de dimensões menores, mantendo-se as restantes características.
Para além dos pináculos que coroam os cunhais do edifício, os dois elementos barrocos que mais se destacam são a torre e a capela. Na realidade, a tipologia da denominada "casa-torre", de origem medieval, conheceu grande fortuna na arquitectura portuguesa, prolongando-se, com múltiplas variações, até ao século XVIII, época em que a torre possibilitava uma maior dinamização das fachadas, ampliando os efeitos cenográficos tão caros a período barroco (AZEVEDO, 1969). Prova da aceitação deste modelo é a construção de torres em edifícios onde elas não existiam, como era o caso da Casa de Pomarchão, cuja torre foi erguida na campanha de obras de meados do século XVIII (AZEVEDO, 1969, p. 80). Os pináculos que rematam os seus cunhais são idênticos aos do edifício habitacional, alcançando-se assim uma unidade aparente entre corpos de épocas distintas. A fachada principal é aberta por janelas nos três andares, todas elas com avental e bandeira decoradas por volutas e conchas.
Por sua vez, a capela foi construída de raiz em data próxima de 1755, e a sua fachada, com empena desenhando um frontão contracurvado de lanços, flanqueado por pináculos, denota bem a época da sua edificação. O portal, com frontão curvo, abre-se ao centro, e é encimado por janelão quadrilobado. No interior, destaca-se o retábulo de talha dourada rocaille.
Assim, a Casa de Pomarchão ganha especial significado no contexto das edificações solarengas do Norte do país, por conservar a sua estrutura maneirista, mas adoptando boa parte dos elementos setecentistas, que mais caracterizaram a arquitectura civil barroca do Norte do país, permitindo um desenvolvimento cenográfico das fachadas e uma mais eficaz articulação com o meio envolvente. Valores essenciais à época barroca, aqui integrados de forma a criar uma unidade e uma linha de continuidade arquitectónica, que convergem para tornar este imóvel uma importante referência (AZEVEDO, 1969).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Roteiro da Ribeira Lima

Local

Porto

Data

1959

Autor(es)

AURORA, Conde de

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima)

Local

Porto

Data

1974

Autor(es)

-

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Casas Nobres de Portugal

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

BINNEY, Marcus

Título

Cozinhas. Espaço e Arquitectura

Local

Lisboa

Data

2006

Autor(es)

PEREIRA, Ana Marques