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Antigas instalações do jornal O Século - detalhe

Designação

Designação

Antigas instalações do jornal O Século

Outras Designações / Pesquisas

Palácio dos Viscondes de Lançada / Palácio dos Viscondes de Lançada(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Edifício

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Misericórdia

Endereço / Local

Rua do Século
Lisboa

Número de Polícia: 41-63

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 21-04-1999 da Secretária de Estado da Cultura
Parecer favorável de 5-02-1999 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 7-09-1998 da DR de Lisboa para a classificação como IIP
Em 18-05-1983 foi dado conhecimento à CM de Lisboa de que o imóvel se encontrava em vias de classificação
Em 13-04-1983 o Secretário de Estado da Cultura solicitou que se estudasse a classificação

ZEP

Declaração de rectificação n.º 874/2011, DR, 2.ª série, n.º 98, de 20-05-2011 (retificou para ZEP do Bairro Alto e imóveis classificados na sua envolvente) (ver Declaração)
Portaria n.º 398/2010, DR, 2.º série, n.º 112, de 11-06-2010 (sem restrições) (fixou a ZEP do Bairro Alto) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 11-11-2009 da Ministra da Cultura para a ZEP Conjunta do Bairro Alto e Imóveis Classificados na sua Área Envolvente
Parecer favorável de 23-05-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 29-09-2005 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O Bairro Alto, embora sendo tradicionalmente um bairro popular, viu conviver habitações modestas, grandes conventos e ricas casas senhoriais. A reconstrução racional levada a cabo após o terremoto de 1755 modernizou o local, permitindo a aquisição de uma nova consciência urbanística e atraindo a nobreza, que depressa ergueu palacetes nas ruas interiores do bairro, zona essencialmente habitacional. O Palácio dos Viscondes de Lançada erguia-se na então chamada Rua Formosa, topónimo certamente relacionado com a convivência, lado a lado, de edifícios nobres, sendo vizinho do Palácio dos Carvalhos, onde nascera o Marquês de Pombal. No século XIX o palácio era frequentado por políticos e intelectuais de renome, reunindo-se nos seus salões e dinamizando as primeiras tertúlias, pontuadas por nomes como Almeida Garrett, Júlio de Castilho ou Fontes Pereira de Melo.
A partir de finais do século XIX, boa parte da nobreza tradicional abandonava o bairro, que assistia à instalação de fábricas e ao nascimento da maioria dos jornais lisboetas, alterando a funcionalidade de vários edifícios. Em 1881 instala-se no Palácio Lançada o jornal "O Século", fundado por Magalhães Lima, publicação que conheceria directores do calibre de Vitorino Nemésio. O palácio recebeu então inúmeras alterações, embora o corpo central e a entrada principal conservem ainda as características monumentais setecentistas de origem, tendo-se igualmente mantido a escadaria interior, em mármore, e alguns silhares de azulejos com bastante interesse. A partir de 1905 são adicionados três pisos ao edifício, destinados ao Bairro Operário de "O Século", ocupando ainda parte do que fora a quinta dos Viscondes de Lançada, com entrada pelo nº 59 do imóvel. A capela do palácio, dedicada a Nossa Senhora do Monte do Carmo, era então transformada em casa de máquinas de impressão.
Mas particularmente ligadas à história do jornal ficariam as obras de princípios do século XX, quando foi anexada uma parte do contíguo Palácio Pombal, reconstruída para receber oficinas, escritórios e uma redacção belle époque, salão amplo e de pé-direito duplo, ritmado por graciosos colunelos em ferro, altos e finos, com capiteis trabalhados, e mobilada com balcões em madeira, cristais e latões dourados, cujo acesso se faz por uma porta rotativa. Na fachada ressalta a ampla utilização do ferro forjado e do vidro, em janelões com guardas de ferro policromado (em vermelhão) típicas da arquitectura da época, e que vazam por inteiro os dois andares intermédios.
Para além do valor patrimonial, como interessante exemplar da arquitectura do ferro e do ecletismo de finais do século XIX e da primeira metade do século XX, parte da relevância deste imóvel prende-se com a própria história da imprensa em Portugal, cuja influência viria mesmo a modificar a toponímia das freguesias do Bairro Alto; assim a Rua Formosa passou a chamar-se Rua do Século (desde 1911), e a Rua dos Calafates é hoje a Rua do Diário de Notícias, para citar apenas os periódicos de maior destaque num movimento que marcou fortemente o perfil cultural do bairro - afinal, na continuação das famosas "conferências" e soirées da Lisboa romântica, que o Palácio Lançada já conhecera. A actividade de "O Século" estendeu-se ainda à criação da Feira Popular de Lisboa, hoje situada em Entrecampos, um recinto de diversões destinado a ajudar o projecto social do jornal, nomeadamente a Colónia Balnear Infantil que ainda hoje conserva o seu nome. SML

Imagens

Bibliografia

Título

A Arquitectura do Princípio do Século em Lisboa (1900-1925).

Local

Lisboa

Data

1991

Autor(es)

FERNANDES, José Manuel

Título

Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa

Local

-

Data

1987

Autor(es)

AA VV