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Conjunto arquitetónico formado pela Igreja do Convento de Santo António e seu claustro, Capela da Ordem Terceira de São Francisco e anexos conventuais (Casa do Despacho) - detalhe

Designação

Designação

Conjunto arquitetónico formado pela Igreja do Convento de Santo António e seu claustro, Capela da Ordem Terceira de São Francisco e anexos conventuais (Casa do Despacho)

Outras Designações / Pesquisas

Convento de Santo António (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Aveiro / Glória e Vera Cruz

Endereço / Local

Largo de Santo António
Aveiro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (sem restrições) (ver Decreto)
Despacho de homologação de 14-10-1999 da Secretária de Estado da Cultura
Parecer de 24-03-1994 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como MN
Proposta de 22-07-1993 da DR de Coimbra para a classificação como IIP
Proposta de classificação de 15-10-1964 do Museu de Aveiro

ZEP

Portaria n.º 359/2014, DR, 2.ª série, n.º 97, de 21-05-2014 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 10-08-2010 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 23-04-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 14-12-2007 da DRC do Centro

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O conjunto arquitectónico formado pela igreja do convento de Santo António, pela capela da Ordem Terceira de São Francisco e anexos conventuais, entre os quais se encontra a Casa do Despacho, reflecte, de forma particular, as múltiplas transformações e actualizações (estéticas, funcionais ou ainda de natureza histórico-política) comportadas por estes edifícios desde o século XVI.
Muito embora tenham sido construídos em épocas diferentes, as contínuas reformas de que foram alvo conferiram-lhes características semelhantes, sendo que em todos se verifica uma grande simplicidade ao nível da planta e fachada, que contrasta vivamente com os interiores, onde predominam os elementos decorativos de talha, azulejos e pintura do final do século XVII e inícios do seguinte.
O edifício mais antigo é o convento de Santo António, de que hoje resta apenas a igreja. A sua fundação remonta a 1524, data da autorização concedida pela Província da Piedade aos frades da ordem reformada de São Francisco para edificarem um convento, em terrenos legados por João Nunes e Isabel da Costa (GONÇALVES,1959). Desta construção original pouco ou nada sabemos, uma vez que em 1564 grande parte do convento foi reestruturado, sendo as obras da capela-mor custeadas pelo então Senhor de Angeja, que aí foi sepultado. Quase um século mais tarde, a nave da igreja foi alvo de nova campanha arquitectónica devido à ameaça de ruína. Esta renovação continuada do templo parece ter-se desenvolvido em sentido descendente, da capela-mor para a fachada, dado que esta última é já claramente proto-barroca.
De facto, o alçado principal, ou mais precisamente, o seu remate contra-curvado, denota uma linguagem barroca, que acabaria por servir de modelo a outras igrejas de Aveiro, como a Capela dos Santos Mártires. No interior, onde os arcos da nave foram transformados em capelas, e onde predominam as composições barrocas de talha e azulejos, destaca-se a capela-mor, com um retábulo que remonta à década de 40 do século XVIII, revelando uma linguagem escultórica característica do denominado barroco nacional ou joanino. Os azulejos que revestem as paredes deste espaço são oriundos de uma oficina coimbrã, de meados do século XVIII, e constituem dois painéis, de enquadramentos cenográficos, com representações da vida de Santo António (SIMÕES, 1979, p.131). Na sacristia, edificada depois de 1712, sobressai o arcaz, cujo espaldar é revestido por molduras de talha dourada com telas pintadas
A Capela da Ordem Terceira de São Francisco foi construída mais tarde, em 1677, muito embora esta instituição já estivesse instalada na cidade desde 1670. À semelhança da igreja de Santo António, a fachada denota grande simplicidade, em contraste com o interior profusamente decorado com azulejos e talhas que abrangem o período proto-barroco, joanino e rococó. O retábulo-mor enquadra-se na primeira fase da talha dourada, devendo ter sido executado nos anos 80 do século XVII. O seu traçado, de 1679, tem vindo a ser atribuído ao Padre Pantaleão da Rocha Magalhães, responsável pela concepção de várias obras de arquitectura, talha ou joalharia (FERREIRA-ALVES, 1989, p.277). As paredes da capela-mor são igualmente revestidas por talha da mesma época, enquadrando pinturas com representações da vida de São Francisco.
Já a talha do arco cruzeiro pertence à fase joanina, tal como a dos três retábulos das capelas da nave. Originalmente eram quatro, mas um deles foi suprimido no decorrer do século XIX depois da extinção dos conventos e da igreja de Santo António passar a pertencer à Ordem Terceira, de forma a permitir a comunicação entre os templos. Ainda na nave sobressaem os azulejos de fabrico coimbrão (c. 1745-50), com representações da vida de São Francisco e figuras de romeiros e eremitões (SIMÕES, 1979, p.132). Uma última referência para a Casa do Despacho, o último edifício a ser construído, já na década de 80 do século XVII, que se desenvolve em dois andares de aspecto palaciano.(RC)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Magalhães, Padre Pantaleão da Rocha de, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

ALVES, Joaquim Jaime Ferreira

Título

Aveiro e sua região

Local

Aveiro

Data

1979

Autor(es)

ROSA, A. Quaresma, REBELO, Fernando

Título

Aveiro - do Vouga ao Buçaco

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

NEVES, Amaro, SEMEDO, Enio, ARROTEIA, Jorge Carvalho

Título

Inventário Artístico de Portugal - Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre, Porto e Santarém

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos