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Igreja de Santo Amaro - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santo Amaro

Outras Designações / Pesquisas

Capela de Santo Amaro
Capela de Santa Maria da Graça
Núcleo Visigótico do Museu Rainha D. Leonor (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Beja / Beja / Beja (Santiago Maior e São João Baptista)

Endereço / Local

Largo de Santo Amaro
Beja

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto nº 27 398, DG, I Série, n.º 302, de 26-12-1936 (ver Decreto)
Decreto n.º 22 744, DG, I Série, n.º 142, de 27-06-1933 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de Santo Amaro de Beja é um dos poucos templos conservados de arquitectura altimedieval em Portugal e insere-se no amplo processo de reavaliação dos tradicionais conceitos de arte visigótica na península. Durante muito tempo foi considerada uma igreja do século V, mas mais recentemente, à medida que se vão conhecendo melhor as comunidades cristãs sob domínio islâmico, toma forma uma datação em pleno século X, por intermédio dos moçárabes de Beja.
A correcta avaliação de todo este complexo conjunto entre Visigodos e Moçárabes é ainda dificultada pelas campanhas construtivas realizadas no monumento ao longo da história, com particular destaque para a que aconteceu em finais do século XV ou, mais provavelmente, nos inícios do século XVI. Nesta altura desenvolveu-se um "programa arquitectónico praticamente de raiz" (TORRES, 1993, p.22), reformulando-se a fachada principal - também ela posteriormente objecto de uma campanha barroca -, construindo-se a torre sineira, reorganizando-se o interior, com planta em três naves de quatro tramos, e refazendo-se a cabeceira, com capela-mor ladeada por dois absidíolos. O conjunto foi rematado, a Ocidente, por um alpendre de madeira adossado à fachada principal, estrutura que poderá datar já da segunda metade do século (ESPANCA, 1993) mas que foi uma solução comum em outras igrejas contemporâneas. Anteriormente, no reinado de D. Dinis, havia-se adaptado a capela-mor a capela funerária do cavaleiro João Mendes (1329), cujo túmulo ainda se conserva no interior da igreja, e mesmo depois do século XVI o imóvel não cessou de ser transformado.
Os vestígios altimedievais, que singularizam de forma muito particular este templo no contexto da História da Arte peninsular, encontram-se, assim, num contexto arquitectónico mais complexo, e devem ser encarados como reaproveitamentos de anteriores estruturas. Baseando-se na feição classicizante dos capitéis das naves, foram muitos os autores que optaram por uma cronologia visigótica para o conjunto (CORREIA, 1928; VIANA, 1949; ESPANCA, 1993, p.97, entre outros). Esta posição foi essencialmente determinada em função da decoração das pilastras, cujos temas geométricos e fitomórficos foram interpretados como sendo característicos da arte visigótica (HAUSCHILD, 1986, pp.161-162).
As primeiras dúvidas sobre o visigotismo de Santo Amaro foram sintetizadas por Jacques Fontaine, que citou como paralelos mais próximos para a decoração dos capitéis da igreja bejense obras peninsulares do século X (FONTAINE, 1973, p.452). Já na década de 80 do século XX, os trabalhos de Carlos Alberto Ferreira de Almeida, conduziram à conclusão de que existiu, no território hoje português, uma "corrente classicizante moçárabe, com incursões pelas soluções compósitas emirais do século X" (ALMEIDA, 1986, p.119). A esta evidência, juntou-se a proposta de uma evolução natural na arte moçárabe ao longo dos séculos de dominação islâmica (REAL, 1995), verdadeira revolução historiográfica que conferiu à História da Arte da Alta Idade Média instrumentos mais rigorosos para se ultrapassar a frequente confusão entre visigótico e moçárabe, como no passado as polémicas em torno de São Frutuoso de Montélios o provaram.
Perante estes novos dados, não parecem restar hoje muitas dúvidas sobre a real datação a dar aos capitéis das naves: século X ou inícios do século XI, na dependência estilística do ciclo artístico emiral, mas filiando-se numa tradição classicizante que conta com outros exemplos mais ou menos contemporâneos e nem sequer efectivamente moçárabes, como a igreja de São Pedro de Lourosa ou a igualmente discutida Mesquita de Idanha-a-Velha. Como e quando se adaptaram os capitéis ao templo permanece ainda uma incógnita, tais as dúvidas que se levantam sobre o passado altimedieval do local, as campanhas da Reconquista e mesmo as transformações da época moderna.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Beja, Vol. XII

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

Suevos e visigodos no Baixo Alentejo

Local

-

Data

1960

Autor(es)

VIANA, Abel

Título

Os pilares visigóticos do Museu de Beja, Arquivo de Beja, vol. I, Beja, Câmara Municipal de Beja, 1944

Local

-

Data

1944

Autor(es)

MONTEZ, Paulino

Título

Arte visigótica, História da Arte em Portugal, vol. I, 1986, pp.149-169

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

HAUSCHILD, Theodor

Título

Arte visigótica, História de Portugal, dir. Damião Peres, Barcelos, Portucalense, 1928, pp.363-388

Local

-

Data

1928

Autor(es)

CORREIA, Vergílio

Título

A igreja de Santo Amaro, Museu Regional de Beja - núcleo visigótico, Beja, Museu Regional de Beja / Assembleia Distrital de Beja, 1993, pp.19-27

Local

-

Data

1993

Autor(es)

TORRES, Cláudio

Título

Visigótico de Beja, Arquivo de Beja, vol. VI, Beja, Câmara Municipal de Beja, 1949

Local

-

Data

1949

Autor(es)

VIANA, Abel

Título

A igreja de Santo Amaro de Beja, Arquivo de Beja, vol. V, Beja, Câmara Municipal de Beja, 1948

Local

-

Data

1948

Autor(es)

BRITO, Diogo de Castro e

Título

Eclectismo. Classicismo. Regionalismo. Os caminhos da arte cristã no Ocidente peninsular entre Afonso III e al-Mansur, Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (sécs. VIII a XIII), pp.293-310

Local

Palmela

Data

2005

Autor(es)

FERNANDES, Paulo Almeida