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Complexo Ferroviário do Barreiro, constituído pelos edifícios das Oficinas do Caminho-de-Ferro (Estação Primitiva), a Estação Ferroviária e Fluvial do Sul e Sueste, a Rotunda das Máquinas Locomotivas, o Bairro Ferroviário e seis locomotivas, ... - detalhe

Designação

Designação

Complexo Ferroviário do Barreiro, constituído pelos edifícios das Oficinas do Caminho-de-Ferro (Estação Primitiva), a Estação Ferroviária e Fluvial do Sul e Sueste, a Rotunda das Máquinas Locomotivas, o Bairro Ferroviário e seis locomotivas, ...

Outras Designações / Pesquisas

... um locotractor, uma automotora e três carruagens

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Barreiro / Barreiro e Lavradio

Endereço / Local

- -
Barreiro

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

Cronologia

Anúncio n.º 22/2018, DR, 2.ª série, n.º 30, de 12-02-2018 (ver Anúncio)
Despacho de 25-09-2017 da diretora-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Parecer favorável de 20-10-2017 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 14-10-2016 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Novos requerimentos de classificação de 28-01-2016 do MCSPFB
Em 15-07-2015 a CM do Barreiro enviou documentação para instrução do processo
Em 12-11-2013 a CM enviou parecer sobre a classificação em estudo
Em 5-07-2013 foi solitada à CM do Barreiro informação sobre eventuais compromissos para os locais em estudo para classificação
Requerimento de 6-03-2013 do MCSPFB para a classificação de várias estruturas ferroviárias do Barreiro
Em 24-06-2009 foi solicitado o parecer da CM do Barreiro sobre a proposta de abertura
Proposta de 27-05-2009 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a abertura de procedimento de classificação de várias estrituras ferroviárias do Barreiros
Processo iniciado em 2000 na DR de Lisboa

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
O complexo ferroviário do Barreiro, constituído pelos edifícios das Oficinas do Caminho-de-Ferro (Estação Primitiva), a Estação Ferroviária e Fluvial do Sul e Sueste, a Rotunda das Máquinas Locomotivas, o Bairro Ferroviário e seis locomotivas, um locotractor, uma automotora e três carruagens.
A Estação do Caminho-de-ferro, construída em 1859 (autor desconhecido), é a mais antiga estação ferroviária em Portugal, pois antecede em alguns anos a de Santa Apolónia (1865). Foi a primeira construção ferroviária de raiz, em alvenaria, edificada em Portugal com a finalidade de servir de gare principal da linha do sul. O edifício, devido à sua localização distante do cais de atracagem dos barcos, foi reconvertido em 1884 em oficinas de reparação.
A construção da Rotunda da Máquinas Locomotivas iniciou-se em 27 de agosto de 1885, e a receção definitiva da obra deu-se em abril de 1890. É um equipamento ferroviário construído em alvenaria de planta semicircular, utilizada para inverter a direção de uma locomotiva, para ser guardada numa "cocheira". A rotunda do Barreiro tem 20 "cocheiras", a que correspondem outros tantos lugares para locomotivas e uma placa giratória, movida por mecanismo elétrico, denominada charriot, que gira dentro de um círculo com um poço através do qual se procede à inversão de direção das locomotivas.
Os estudos para a nova Estação Ferroviária e Fluvial do Sul e Sueste do Barreiro iniciaram-se em 1876, projeto do capitão Engenheiro Miguel Carlos Correia Paes, chefe de exploração dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste. A sua construção junto ao leito do rio, foi uma obra de grande complexidade hidráulica, concluiu-se em 1884. A estação foi objeto de diversas obras e intervenções de conservação, reparação e melhoramento, em variadas épocas, sendo que algumas das mais importantes ocorreram em 1934. Estas transformações não implicaram, contudo, alterações da sua estrutura, dimensão e características arquitetónicas.
O Bairro Ferroviário do Barreiro foi construído pela Companhia Portuguesa dos Caminhos de Ferro, entre 1933 e 1935, inserido num programa governamental de arquitetura de regime, abria à empresa, privatizada desde 1927, a possibilidade de selecionar e premiar a mão-de-obra sempre disponível para o serviço da companhia. É composto por 23 moradias unifamiliares geminadas, com um pequeno quintal anexo, e apresenta as duas tipologias de habitação, para o "Pessoal Graduado" e para o "Pessoal Braçal". O Bairro Ferroviário do Barreiro é semelhante a outros que a companhia construiu em várias localidades pelo país, apresentando um elevado valor social enquanto testemunho das vivências, identidade e memória de uma parte muito significativa da população operária do Barreiro - os ferroviários.
História
A escolha do Barreiro para terminal ferroviário foi determinada, pelas suas condições de acessibilidade marítima e a relativa proximidade com o mercado lisboeta. O início da construção do caminho-de-ferro no Barreiro teria lugar a 11 de Setembro de 1855 e, quatro anos depois, em 2 de Fevereiro de 1859, realizava-se a primeira viagem oficial da Linha do Sul, ligando o Barreiro a Vendas Novas. O caminho-de-ferro do Sul e Sueste abriu à exploração comercial em 1 de Fevereiro de 1861 e, em 6 de Agosto do mesmo ano, por acordo com a "Brasileira", o Estado tomou conta da linha do Sul.
A partir de 1884, data da entrada em funcionamento da nova estação Ferroviária e Fluvial do Sul e Sueste, o Barreiro assumirá uma importância excecional como empório ferroviário, pelo seu papel no desenvolvimento e expansão do caminho-de-ferro para Sul, como nó estratégico de ligação entre as duas margens do Tejo, passagem obrigatória de pessoas e mercadorias, fatores que foram determinantes para a sua afirmação como um dos maiores centros industriais do País (cortiça, CUF, etc.).
Paulo Martins
DGPC, 2018

Imagens