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Fonte das Freiras - detalhe

Designação

Designação

Fonte das Freiras

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Leiria / Figueiró dos Vinhos / Figueiró dos Vinhos e Bairradas

Endereço / Local

Largo da Fonte das Freiras
Figueiró dos Vinhos

Proteção

Situação Actual

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Enviada cópia do processo à CM de Figueiró dos Vinhos em 14-01-2016 para a ponderação de classificação como de IM
Despacho de arquivamento de 29-12-2015 do diretor-geral da DGPC
Proposta de arquivamento de 17-12-2015 da DRC do Centro
Requerimento de classificação de 17-06-2015, de particular

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
A Fonte das Freiras localiza-se em Figueiró dos Vinhos, numa área designada como Terreiro das Freiras, dado nas proximidades ter existido um Mosteiro de Clarissas. Este Mosteiro foi a principal casa monástica feminina da região, sobretudo durante os séculos XVI a XVIII, tendo a presença deste recuso natural sido certamente importante na escolha do lugar para a sua fundação. O conjunto edificado que integra a fonte com a fisionomia que hoje conhecemos, foi erguido entre o ano de 1691, data da escritura de adjudicação da obra ao mestre pedreiro Domingos de Figueiredo morador em Belver, e o ano de 1692, data que surge na verga da porta de entrada na cisterna. Segundo a referida escritura, antes da realização da obra existia já uma estrutura muito arruinada, prevendo o projeto a construção uma arca de água quadrada (cisterna) onde, no exterior, as esquinas deveriam ser erguidas em cantaria e, no interior, as paredes revestidas a ladrilho (tijoleira). A fonte, ainda segundo a escritura, deveria ter a largura da arca com uma porta de acesso, fechando-se depois a cobertura com um zimbório oitavado com quatro pirâmides nas quinas. Estavam também previstas para o exterior duas pias de pedra para onde a água deveria escorrer e, em seu redor, a colocação de calçada de pedra miúda. Refere-se ainda a necessidade de integrar na obra um tabuleiro em pedra para se pousarem os cântaros e uma carranca por onde a água deveria jorrar (PORTELA 2015, p. 175). Ainda segundo a mesma documentação (PORTELA, 2015, p. 180) além da fonte destinada às pessoas existiria, nas proximidades, um tanque para os animais, tanque este que poderá corresponder à estrutura que subsiste do lado nascente da fonte, mas que entretanto foi adaptada a lavadouro.
Tendo em conta o existente, confirma-se que o que surge descrito na escritura não coincide exatamente com as estruturas remanescentes provavelmente porque a obra não foi realizada conforme o previsto, ou devido a alterações posteriores. De facto, a fonte hoje integra uma estrutura quadrangular destinada a albergar uma cisterna, destacando-se, na frontaria, um embasamento em cantaria, uns cunhais que simulam pilastras e uma porta de verga reta onde se encontra a referida inscrição. A água hoje sai através de dois tubos não existindo nenhuma carranca. De notar que porta encontra-se a uma altura razoável, relativamente piso da fonte e sem acesso, podendo este facto indiciar uma alteração da cota do terreno, provocando as ditas alterações relativamente ao que surge descrito na escritura.
A estrutura da fonte, por sua vez, apresenta uma cobertura plana com um coruchéu hexagonal ao centro. Em redor da fonte subsiste um muro de proteção em cantaria, seguido de dois degraus em arquibancada e em "U" que acompanham a depressão existente no terreno. Importa ainda realçar que a fonte sofreu obras de iniciativa camarária em 1898 e em 1997.
História
O Mosteiro feminino de Nossa Senhora da Consolação cuja portaria se localizava nas proximidades da fonte, pertenceu à Ordem dos Frades Menores da Província de Portugal, tendo sido fundado por iniciativa de D. Paulina Leitoa no século XV. A partir de 1606 o Mosteiro deixou de usar o orago de Nossa Senhora da Consolação, adotando o nome de Santa Clara. A partir da arca de água, cujo acesso já se encontrava vedado por porta, fazia-se a distribuição pelos espaços monásticos cabendo, pelo menos no século XVIII, a sua proteção ao município e à Madre Abadessa, tal era a importância do local. É ainda interessante notar que a distribuição da água pelos habitantes e pelo Mosteiro esteve sempre envolta em contendas, sendo também durante anos o largo da fonte um importante local de convívio entre a população. Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" declarou-se o cenóbio extinto até à morte da última freira, desconhecendo-se, contudo, qual a data exata do seu encerramento definitivo e demolição.
Maria Ramalho/DGPC/2016

Bibliografia

Título

As Madres do Mosteiro de Santa Clara de Figueiró dos Vinhos - Donas e Senhoras de huma hora de agoa todos os dias

Local

Leiria

Data

-

Autor(es)

PORTELA, Miguel