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Palácio Gama Lobo - detalhe

Designação

Designação

Palácio Gama Lobo

Outras Designações / Pesquisas

Solar Gama Lobo
Palácio dos Espanhóis / Palácio Gama Lobo / Solar Gama Lobo / Palácio dos Espanhóis (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Loulé / Loulé (São Clemente)

Endereço / Local

Rua de Nossa Senhora de Fátima
Loulé

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIM - Monumento de Interesse Municipal

Cronologia

Edital de 31-03-2015 da CM de Loulé
Despacho de 31-03-2015 do presidente da CM de Loulé a aprovar a alteração da categoria de classificação para MIM
Em 28-01-2015 foi dado conhecimento do despacho à CM de Loulé
Edital de 8-01-2015 da CM de Loulé
Despacho de 20-01-2015 do diretor-geral da DGPC a determinar o arquivamento do procedimento de âmbito nacional
Informação favorável de 13-01-2015 da DRC do Algarve, por não ter valor nacional
Deliberaração camarária de 10-12-2014 a aprovar a decisão final do procedimento de classificação
Pedido de parecer de 1-10-2014 da CM de Loulé sobre a eventual classificação como IIM
Deliberação camarária de 24-09-2014 a determinar a abertura do procedimento de classificação como IIM

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Situado a Norte do Castelo de Loulé o palácio dos Gama Lobo, importante exemplar de arquitetura setecentista do Algarve, encontra-se hoje integrado na malha urbana consolidada. A sua posição altaneira confere-lhe, em termos urbanísticos, um importante destaque, avistando-se dali toda a cidade. O conjunto edificado que integra outros imóveis para além do palácio, implanta-se num lote quadrangular. O corpo em L desta casa nobre adossa-se a uma capela situada a Este cujo orago é Santa Ana.
As duas construções - palácio e capela - integram-se de modo harmonioso quer pela sua tipologia, como pela cércea. Defronte à capela existiu um adro destruído nos anos 50 do séc. XX quando se procederam a alterações na via. Nesta ocasião, foi igualmente substituída a escada frontal de acesso à capela por uma de acesso duplo.
A distribuição funcional deste palácio reservava o piso térreo para armazéns, cavalariças e cocheira com um interessante sistema de abóbadas em tijolo, enquanto que, o piso superior, se destinava a habitação.
Na parte posterior situava-se o antigo jardim, entretanto desaparecido, bem como uma extensa propriedade designada como Quinta da Boa Vista, com áreas de sequeiro e regadio, incluindo um pomar, poço com nora e diversos tanques compondo o sistema de rega necessário à produção. Mais tarde estes terrenos foram sendo urbanizados verificando-se, atualmente, um enquadramento pouco condigno com a relevância deste monumento.
As fachadas principais localizadas a Sul e a Oeste, com uma conceção de raiz erudita, destacam-se pelo ritmo dos vãos idênticos evidenciando-se, no entanto, a fachada virada a Sul que é pautada por janelas de sacada com verga arquitravada e gradeamento em ferro forjado. O portal de entrada centrado na fachada possui recorte estilizado de vocabulário barroco ostentando volutas trabalhadas à volta das ombreiras e conjunto lacrimal central rematado por roseta circular. Este portal, ladeado por óculos quadrilobados é encimado pela pedra de armas da família com a representação de cinco lobos. Os cunhais apilastrados e o embasamento em pedra contrastam, de forma elegante, com o branco das paredes.
No patamar de entrada abobadado em tijolo, encontra-se a escada de acesso ao piso superior. A este nível destacam-se os inúmeros quartos e os salões situados junto à fachada virada a Sul cujo acesso era feito por extensos corredores. De referir ainda a existência de um pátio nas traseiras do palácio onde se encontram, igualmente, outras construções com algum interesse arquitetónico, sobretudo o denominado Colégio dos Espanhóis, um edifício retangular erguido na primeira metade do séc. XIX mas que obedece à métrica do palácio integrando um telhado de quatro águas e os vãos ritmados de verga arquitravada em tudo semelhantes aos originais. De destacar, ainda, o interessante revestimento exterior deste Colégio com silhares fingidos em massa.

História
Terá sido Manuel José da Gama Lobo, sargento-mor das ordenanças da vila de Loulé e fidalgo de nobreza rural que mandou edificar, em 1775, esta casa nobre contígua a uma antiga Ermida quinhentista reformulada e transformada em capela da família cerca de 1760.
Importa referir que 1775 corresponde à data em que se trabalhava na construção de Vila Real de Santo António, tendo o juiz de Fora de Loulé embargado a construção do palácio com o fundamento de que este imitava o estilo dos edifícios de Estado mandados erguer por Pombal.
Em 1887 o palácio e a capela encontravam-se já bastante arruinados tendo a capela sido renovada entre 1891 e 1893. Em 1902 o imóvel é comprado por António Augusto Mascarenhas de Mattos que, em 1936, aluga parte do edifício e quinta aos religiosos jesuítas espanhóis fugidos à Guerra Civil para aí instalarem um Colégio. Atualmente o palácio, que se encontra sob a alçada da Câmara Municipal de Loulé, está a ser alvo de uma ação de reabilitação.

Maria Ramalho/DGPC/2018

Imagens