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Cemitério da Conchada - detalhe

Designação

Designação

Cemitério da Conchada

Outras Designações / Pesquisas

Cemitério da Conchada (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Coimbra / Coimbra / Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)

Endereço / Local

Alameda da Conchada
Coimbra

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

Cronologia

Anúncio n.º 70/2015, DR, 2.ª série, n.º 78, de 22-04-2015 (ver Anúncio)
Despacho de 16-03-2015 do diretor-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento da classificação
Proposta de 4-03-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura do procedimento de classificação
Parecer de 13-8-2014 do Gabinete Jurídico da DGPC de que a classificação de cemitérios não é incompatível com a actividade cemiterial
Proposta de arquivamento de 9-07-2014 da DRC do Centro
Requerimento de classificação de 23-09-2003, de Francisco Queiroz

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
O cemitério conimbricense da Conchada foi implantado na segunda metade do século XIX na antiga quinta do mesmo nome, situada numa zona então ainda rural e agrícola, distante do núcleo urbano, e ocupada por grande número de herdades e quintais. O núcleo original, delimitado na vizinhança de uma primeira zona de enterramentos, tem um plano hexagonal, com a capela situada a norte, no enfiamento do principal eixo longitudinal, e o terreno, maioritariamente desnivelado, cruzado por caminhos algo irregulares.
Os primeiros monumentos fúnebres foram elaborados em Lisboa, de onde foram igualmente importadas tipologias localmente repetidas; no entanto, e apesar das necessárias influências estéticas dos cemitérios da capital e, de forma ainda mais nítida, dos seus congéneres do Porto, o Cemitério da Conchada possui um amplo repertório de construções e esculturas únicas (como é o caso dos mausoléus-miniatura em forma de capela e desprovidos de portão de entrada), algumas das quais se podem considerar de vanguarda no contexto da arte funerária nacional, e que influenciaram os cemitérios dos arredores. O surgimento, em Coimbra, da Escola Livre das Artes e do Desenho, fundada por António Augusto Gonçalves, veio dotar a cidade de uma série de artistas que deixaram notáveis trabalhos em pedra e ferro na Conchada, reforçando a fama dos canteiros conimbricenses. O cemitério recebeu assim o maior repositório romântico de arte sepulcral do centro do país, caracterizado em grande parte pelas linguagens revivalistas da época, tanto nas suas vertentes mais internacionais como no que respeita as especificidades das fórmulas neomanuelinas, entre outras. No seu todo, os jazigos românticos da Conchada constituem um dos mais interessantes e originais conjuntos de monumentos fúnebres do país, merecendo particular destaque o excecional núcleo de mausoléus neomanuelinos, o acervo de obras em ferro forjado do início do século XX, e as obras produzidas por nomes como António Augusto Gonçalves, Alberto Caetano, Possidónio da Silva Alves Brandão ou João Machado, este último autor do mais imponente e monumental túmulo do cemitério, o jazigo neogótico dos condes do Ameal.
História
A construção do Cemitério da Conchada iniciou-se em pleno período cabralista, quando, na sequência da interdição de se continuarem a enterrar os mortos nas igrejas, impondo-se a construção de cemitérios públicos delimitados e localizados fora do centro das cidades. Os terrenos desta zona periférica de Coimbra, elevados e dotados de conveniente exposição solar, arejamento e acessos, e que já haviam acolhido uma leprosaria de fundação duocentista, a antiga forca, e diversas oficinas de fogueteiros e armazéns de pólvora, foram considerados adequados para esta finalidade. Embora então já se fizessem enterramentos no local e nas áreas circundantes, o novo recinto só foi formalmente inaugurado em 1860, não tardando muito que as famílias abastadas da cidade começassem a nele erguer os seus jazigos. As décadas seguintes assistiram à construção da capela e de grande número de memoriais, implicando mesmo uma primeira ampliação da cerca. Entretanto, a inauguração do cemitério incentivou a progressiva urbanização da zona, que atualmente integra o desenho da cidade; a pressão colocada sobre a Conchada pelo desenvolvimento urbano e populacional determinou uma descaracterização parcial deste espaço, que hoje integra diversas ampliações e adequações contemporâneas.
Sílvia Leite
DGPC
2018

Imagens