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Museu da Cerâmica, antigo Palacete Visconde de Sacavém, e jardim envolvente - detalhe

Designação

Designação

Museu da Cerâmica, antigo Palacete Visconde de Sacavém, e jardim envolvente

Outras Designações / Pesquisas

Museu da Cerâmica das Caldas da Rainha / Palácio do Visconde de Sacavém / Museu da Cerâmica (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Leiria / Caldas da Rainha / Caldas da Rainha - Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório

Endereço / Local

Rua Dr. Ilídio Amado
Caldas da Rainha

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

Cronologia

Anúncio n.º 239/2015, DR, 2.ª série, n.º 204, de 19-10-2015 (ver Anúncio)
Despacho de 11-09-2015 do diretor-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento da classificação
Parecer favorável de 9-09-2015 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 12-07-2013 da DRC do Centro para abertura do procedimento de classificação
Proposta de classificação de 18-09-2012 do Museu da Cerâmica

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
localizado a Sul do centro da cidade das Caldas da Rainha, o antigo Palacete do Visconde de Sacavém integra-se num espaço ajardinado. O conjunto ocupa um quarteirão triangular que se apresenta praticamente todo rodeado por um muro rústico em alvenaria de pedra observando-se, ainda hoje, um grande portal de entrada virado a Sul, com gradeamento em ferro forjado ladeado por pilastras igualmente em pedra.
O edifício principal, datado de 1893, localiza-se sensivelmente ao centro da propriedade, destacando-se, desde logo, pela presença de uma torre. No entanto este imóvel só é visível penetrando na propriedade, dada a densidade da vegetação existente. O jardim, de caraterísticas românticas, compõe-se de alamedas, canteiros, floreiras, lagos e um auditório ao ar livre. A decoração que ornamenta todo o conjunto, inclui azulejos datados do século XVI ao século XX, elementos arquitetónicos cerâmicos e estatuária, distribuindo-se não só ao longo do terreno, como também junto ao muro que delimita a propriedade, surgindo mesmo painéis temáticos virados à rua como que apelar à visita. Desta forma, o próprio jardim é parte integrante do percurso museológico, uma vez que, para além do seu valor botânico e paisagístico, possuiu um inegável interesse artístico pelas peças que alberga.
O edifício principal, outrora residência do Visconde de Sacavém, possui uma planta quadrangular de três pisos, destacando-se as fachadas em aparelho de pedra à vista. Analisando o imóvel, verifica-se que o terceiro piso amansardado deverá corresponder a uma fase posterior. Duas escadas de acesso com alpendre marcam as zonas de entrada, uma delas alinhada com a torre de dois pisos. Sobre cada uma destas entradas alpendradas abre-se uma janela de sacada com gradeamento em ferro, enquanto que os restantes vãos surgem intercalados por painéis de azulejo.
Integra ainda o conjunto um edifício de dois pisos localizado junto à rua Dr. Ilídio Amado onde se situa a sala de exposições temporárias, a loja, a olaria e o Centro de Documentação, bem como um antigo atelier de cerâmica que o Visconde de Sacavém construiu para a escultor austríaco José Füller. Este atelier que funcionou entre 1892 e 1896, contribuiu, decididamente, para a própria decoração do palacete.

História
O palacete, hoje Museu da Cerâmica, foi mandado construir em 1893 para residência de verão do 2º Visconde de Sacavém, José Joaquim Pinto da Silva (1863-1928), um insigne colecionador de cerâmica e importante mecenas de ceramistas das Caldas. Em 1981 o edifício é adquirido pelo Estado à família, incluindo um conjunto de peças da sua coleção particular, de modo a instalar aí um museu. Em 1983 é oficialmente criado o Museu da Cerâmica, tendo este, em 1991, ficado afeto ao Instituto Português de Museus, hoje Direção Regional de Cultura do Centro. O acervo do Museu integra diversas coleções representativas da produção das Caldas da Rainha entre os séculos XVII a XVIII e núcleos da produção do século XIX à primeira metade do século XX, bem como de outros centros cerâmicos do país e do estrangeiro.
São de salientar os trabalhos da barrista Maria dos Cacos (laborou entre 1820 e 1853), autora de peças utilitárias antropomórficas, e de Manuel Mafra (1829-1905). Merece também um especial destaque o núcleo de obras de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) realizadas entre 1884 e 1905. Existem, também, núcleos de faianças da Real Fábrica do Rato, de olaria tradicional e de produção local de escultura e miniatura dos séculos XIX e XX. O Museu alberga ainda uma coleção de azulejos hispano-mouriscos e holandeses.
A cerâmica contemporânea de autor não ficou esquecida, destacando-se as peças de Júlio Pomar e de Manuel Cargaleiro entre as quarenta peças existentes.

Maria Ramalho/DGPC/2017