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Casa da Junqueira, ou Palacete Polignac de Barros, incluindo o jardim, a casa de fresco e as construções anexas - detalhe

Designação

Designação

Casa da Junqueira, ou Palacete Polignac de Barros, incluindo o jardim, a casa de fresco e as construções anexas

Outras Designações / Pesquisas

Casa da Junqueira / Palacete Polignac de Barros / Edifício da Embaixada da Ordem Soberana e Militar de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Alcântara

Endereço / Local

Rua da Junqueira
Lisboa

Número de Polícia: 128-136

Calçada da Boa Hora
Lisboa

Número de Polícia: 2-10

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

Cronologia

Despacho de concordância de 19-04-2014 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 6-01-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP
Anúncio n.º 9/2014, DR, 2.ª série, n.º 8, de 13-01-2014 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 29-11-2013 da diretora-geral da DGPC
Proposta de abertura de 28--11-2013 da UCC da DGPC, face ao parecer do MNA
Parecer de 7-11-2013 do MNA, considerando que os azulejos são uma mais valia para o imóvel, tendo sido na quase totalidade concebidos para os espaços que revestem, a que conferem significado e importância patrimonial
Pedido de parecer em 1-08-2013 ao Museu Nacional do Azulejo
Proposta de arquivamento de 25-07-2012 da UCC da DGPC
Proposta de 23-01-2013 dos proprietários

ZEP

Em 28-04-2017 foi solicitado parecer à CM de Lisboa
Despacho de concordância de 19-04-2014 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 6-01-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como CIP

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
O palacete setecentista, Polignac de Barros, localiza-se num lote de configuração retangular que integra um pequeno jardim. A propriedade estende-se ao longo da Calçada da Boa Hora e faz gaveto com a Rua da Junqueira, em Lisboa.
O palacete desenvolve-se, para nascente através de um corpo térreo com estrutura abobadada e cobertura em terraço, e para norte através de um corpo de três pisos que replica o desenho do edifício principal. Apresenta um volume compacto, com as suas fachadas pontuadas por três vãos de janelas em cada piso e uma cobertura cruciforme de quatro águas. O amplo terraço, que se desenvolve ao longo da Rua da Junqueira, resulta de uma solução pragmática de aproveitamento das coberturas dos armazéns, e a data da sua construção será posterior à da Real Fábrica da Cordoaria (1775).
Do jardim oitocentista outrora existente, dividido em três áreas: privada, de passeio e de cultivo, existe hoje o poço e a casa de fresco, e algumas árvores.
A entrada para o interior do palacete faz-se a nascente por um pátio que dá acesso a um átrio. A organização interna da casa, de planta quadrangular, dispõe-se em torno de uma escada central iluminada por lanternim, a partir da qual se estruturam as diversas salas de aparato, de natureza social e a pequena capela. É um esquema distributivo e espacial expedito e eficaz do ponto de vista residencial, mas sem pretensões solenes ou representativas.
Da gramática decorativa existente na casa destaca-se o revestimento azulejar presente em vários espaços interiores e exteriores do palacete, nomeadamente no átrio, nas escadas, em quartos e salas, na capela e corredores, bem como no terraço exterior (neoclássicos), exibindo temas adequados a cada espaço, constituindo, no seu todo, um conjunto coerente, identitário de uma casa senhorial de meados do século XVIII.
No átrio de acesso ao interior do palacete, destacam-se oito painéis setecentistas de pintura a azul sobre branco, já de estética rocaille, possivelmente da oficina de Bartolomeu Antunes, com cenas marítimas e portuárias, evocando dois temas principais: o do "Negócio" e o da "Viagem". O painel mais interessante deste núcleo, pela sua raridade, é aquele que tem representado uma figura trajando vestes europeias e uma de trajes orientais, aludindo ao contacto entre o velho e o novo mundo.
Na guarda das escadas encontram-se aplicados painéis azulejares de silhares baixos (século XVIII), exibindo cercaduras e embasamentos simulando cantaria, procurando encenar uma composição arquitetónica e tridimensional, através do uso do efeito decorativo do trompe l'oeil, replicando-se no paramento. Destacam-se ainda na denominada sala das "Albarradas" diversos painéis azulejares da segunda metade do século XVIII (amarelo, azul e manganês), com elementos figurativos e cercaduras de motivos rocaille. O corredor de ligação entre as diversas salas encontra-se também revestido com silhares de azulejos, exibindo cartelas de molduras vegetalistas, flores, conchas palmas e grinaldas compostas por flores estilizadas.
Ornamentam os tetos da casa pinturas murais com motivos vegetalistas (acantos) ou animais (águias), representando frisos e emolduramentos com motivos de inspiração clássica, integrando um programa decorativo datável do primeiro quartel do século XIX.
História
O palacete Polignac de Barros edificado, em meados do século XVIII, numa parcela desanexada ao Palácio do Pátio do Saldanha, originalmente designado por Palácio da Junqueira que se ergue a norte. A propriedade foi adquirida pelo cirurgião-mor do Exército (José Ricord) em 1744, presumindo-se que a casa tenha sido construída nos anos imediatamente subsequentes. Foi ampliado em altura com a colocação de quatro corpos em trapeira, no século XIX, tendo também sido construído, nessa época, o terraço panorâmico, atendendo às suas características construtivas e decorativas (azulejos).
Paulo Martins
DGPC, 2015

Imagens