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1.ª e 2.ª Linhas de Defesa a Norte de Lisboa durante a Guerra Peninsular, também conhecidas como Linhas de Torres Vedras - detalhe

Designação

Designação

1.ª e 2.ª Linhas de Defesa a Norte de Lisboa durante a Guerra Peninsular, também conhecidas como Linhas de Torres Vedras

Outras Designações / Pesquisas

Linhas de Defesa de Lisboa durante as Invasões Francesas / Linhas de Torres Vedras (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

-

Endereço / Local

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VF Xira: Alhandra, Alverca do Ribatejo, Calhandriz, Forte da Casa, São João dos Montes e Vialonga

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Torres Vedras: Dois Portos, Matacães, Ponte do Rol, Santa Maria e São Miguel, São Pedro da Cadeira, São Pedro e Santiago, Ventosa

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SM Agraço: Santo Quintino e Sobral de Monte Agraço

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Loures: Bucelas, Fanhões, Lousa e São Julião do Tojal

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Arruda dos Vinhos: Arruda dos Vinhos e Santiago dos Velhos

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Mafra: Carvoeira, Enxara do Bispo, Gradil, Mafra, Malveira, Milharado, Santo Isidoro, Sobral da Abelheira, Venda do Pinheiro e Vila Franca do Rosário

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Portaria n.º 308/2019, DR, 2.ª série, n.º 86, de 6-05-2019 (fixou as restrições) (ver Portaria)
Decreto n.º 10/2019, DR, 1.ª série, n.º 61, de 27-03-2019 (ver Decreto)
Classificação aprovada no Conselho de Ministros de 14-03-2019
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 21-09-2018 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 102/2018, DR, 2.ª série, n.º 120, de 25-06-2018 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 1-03-2018 da diretora-geral da DGPC, revogando o despacho de abertura relativamente a 15 obras militares a retirar do conjunto a classificar
Parecer favorável de 21-02-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 29-11-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC
Entre 9 e 21-08-2017 as seis CM enviaram pareceres favoráveis em relação à classificação e propostas de alteração relativamente às restrições
Em 8-06-2017 foi solicitado parecer às seis CM envolvidas
Proposta de 24-04-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como CIN/MN e as restrições a fixar
Anúncio n.º 12/2013, DR, 2.ª série, n.º 9, de 14-01-2013 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 20-12-2012 da diretora-geral da DGPC
Parecer de 22-10-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 18-10-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a abertura de procedimento de classificação

ZEP

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Zona "non aedificandi"

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Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As Linhas Defensivas de Torres Vedras são constituídas por 152 obras militares construídas entre 1809 e 1812, no contexto das Guerras Napoleónicas. Este conjunto fortificado constitui o resultado de uma sucessão de eventos com contribuições portuguesas e britânicas, que permitiram a edificação desta notável obra de engenharia militar, um dos maiores sistemas defensivos da História.
A convulsão geo-política do Pós Revolução Francesa originou o primeiro conflito à escala mundial, no qual se confrontaram duas grandes potências, o Reino Unido e a França. Este empreendimento concretizou uma estratégia defensiva que aliou o conhecimento do terreno, a visão estratégica das forças em presença, a gestão dos recursos disponíveis e o segredo, iniciando-se em Portugal a retirada francesa que culminará em Waterloo, com a derrota final de Napoleão e a vitória das forças aliadas comandadas por Wellington.
As primeiras referências à implementação de um sistema defensivo na área de Lisboa remontam a 1809, na sequência da Primeira Invasão Francesa. Engenheiros militares portugueses apresentam diversos estudos, e a 20 de outubro Arthur Welllesley, futuro Duque de Wellington, redige um Memorando onde ordena o reconhecimento do terreno e a fortificação dos pontos mais convenientes e defensáveis, para criar um sistema de defesa a Norte da capital. Este baseou-se no controlo territorial da Península de Lisboa, com um sistema de fortificações estruturado no controlo e posse dos vários itinerários de aproximação a Lisboa. Na realidade, a fronteira de Portugal era demasiado extensa para poder ser defendida no seu todo e o exército anglo-luso encontrava-se em inferioridade numérica.
O conjunto de fortificações e outras construções, dispostas em linhas, defendia os acessos à capital, servindo de refúgio ao exército anglo-luso que poderia retirar a partir de São Julião da Barra. Esta proteção estendia-se à população portuguesa, especialmente aos habitantes dos territórios entre Leiria e Torres Vedras, os quais viriam a recolher "atrás das linhas", transportando os seus bens e destruindo os recursos abandonados.
As obras militares começaram a 3 de Novembro em São Julião, seguindo-se o Forte Grande de Alqueidão, no Sobral de Monte Agraço, e o Forte Grande de São Vicente, em Torres Vedras, a 8 de Novembro de 1809. O sistema defensivo teve várias designações como "Linhas Defensivas a Norte de Lisboa", "Linhas de Torres Vedras" ou mesmo "Linhas de Sintra". Segundo John T. Jones, engenheiro militar que ficará responsável pela obra a partir de Junho de 1810, o sistema ficou conhecido por "Linhas de Torres Vedras" pelo facto das obras terem iniciado nesta Vila, a juntar à importância do seu desfiladeiro.
Em Outubro de 1810, quando o Exército Francês liderado por Massena chega às Linhas, encontravam-se concluídas 126 obras militares, tendo sido construídas mais 26 até 1812. O controlo do terreno foi reforçado com a realização de obras complementares que procuravam dificultar o progresso do exército francês como escarpamentos, abatizes, paliçadas, minagens de estradas e pontes ou terraplanagens. A par destas construções, implantou-se um eficaz sistema de comunicações o qual garantiu a segurança na transmissão de ordens e decisões, a circulação de informações e contribuiu para o "segredo das operações", condição essencial para o sucesso. A campanha de 1810-1811 foi uma das primeiras onde a transmissão de mensagens recorreu a uma rede telegráfica visual, utilizando o sistema português criado por Francisco Ciera e o telégrafo inglês que adaptou os códigos visuais usados pela Royal Navy. As comunicações eram complementadas por estafetas, mensageiros e guias.
O presente decreto procede à classificação de 114 obras militares deste conjunto dotado de um impacto e valor histórico invulgar
Ana Catarina Sousa e João Soalheiro
DGPC, Janeiro de 2013
Paulo Martins
DGPC, Maio de 2019