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Santuário de Nossa Senhora da Esperança - detalhe

Designação

Designação

Santuário de Nossa Senhora da Esperança

Outras Designações / Pesquisas

Santuário de Nossa Senhora da Esperança (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Santuário

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Sátão / São Miguel de Vila Boa

Endereço / Local

E.M. 1 402 (circundado pela)
Abrunhosa

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Implantado num local ligeiramente elevado, ao qual se acede através de uma pequena escadaria, o Santuário de Nossa Senhora da Esperança remonta à primeira metade do século XVIII, e é fruto da vontade de um dos irmãos da Irmandade, que encarregou o seu sobrinho, o cónego Luís Bandeira Galvão, de edificar esta capela, de dimensões superiores à primitiva, em terrenos de que era proprietário (SOUSA, 1991, p. 95). É a sepultura armoreada deste cónego, falecido em 1776, que se encontra na capela-mor, com a seguinte inscrição: SEPVLTVRA / DE LUIS BÃNDEI / RA GALVÃO IN / DIGNO ESCRA / VO DE MARIA /SSMÃ, SUBTI / TULO A SPE. / OBIIT ANNO / 1776.
A fachada da igreja, é aberta por um arco em asa de cesto de acesso á galilé, a que se sobrepõe uma janela de sacada com frontão triangular que interrompe a base do tímpano de remate do alçado. Na empena encontra-se a cruz, flanqueada por dois pináculos, no prolongamento das pilastras dos cunhais. Num plano mais recuado, a torre divide-se em três registos, o primeiro dos quais prolonga o entablamento do alçado.
Ainda na galilé, conserva-se o revestimento de azulejos de padrão de fabrico de Coimbra, com figurações diversas - pessoas, barcos, flores, casas, aves, querubins, etc. Já no interior da capela, o coro alto separa-se da nave através de uma balaustrada, situada sobre a porta de entrada. Aqui, ganha especial relevância o órgão, datado de 1768 e executado por Francisco António Solha.
As paredes da nave são revestidas por um silhar de azulejo, assinado por Teotónio dos Santos, e que representam cenas de cariz não religioso, como caçadas, concertos, uma batalha naval, lavadeiras, etc. A justificação para a presença deste género de figurações no interior de espaços sagrados permanece, ainda hoje, por esclarecer, embora alguns autores tenham já adiantado leituras relacionadas com a efemeridade da vida e a vanitas (PAIS, 1999, p. 101 - Alexandre Nobre PAIS, "O "Theatro Moral de la Vida Humana" no Convento de São Francisco da Bahia", Oceanos, - Azulejos Portugal e Brasil, Lisboa, CNCDP, n.º 36/37, Outubro 1998 / Março 1999, p. 101.). Pintor activo na primeira metade do século XVIII, Teotónio dos Santos foi discípulo de António de Oliveira Bernardes e estabeleceu uma espécie de "ponte" entre a época dos Grandes Mestres e a da Grande Produção Joanina (MECO, 1989, p. 442). Este conjunto, do qual fazem parte ainda os painéis da capela-mor (de temática idêntica), devem ser enquadrados na segunda fase da sua carreira (1720-30), época em que desenvolveu trabalhos de superior qualidade (IDEM, Ibidem).
O tecto da nave, em abóbada de berço de madeira, apresenta pinturas de motivos sagrados, e o da capela-mor, em caixotões policromados com motivos vegetalistas; ambos pintados por Pascoal Parente, em 1763 (SOUSA, 1991, p. 96). Também o arco triunfal exibe pintura mural, e é ladeado por altares de talha dourada, de estilo nacional, tal como o púlpito e o retábulo-mor.
Por fim, a sacristia apresenta um arcaz, sobre o qual se encontram pinturas representando episódios da vida da Virgem, e os azulejos ilustram a Última Ceia e a Entrada de Cristo em Jerusalém.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

A arte organística em Portugal (vol. I e II)

Local

Braga

Data

1990

Autor(es)

VALENÇA, Pe. Manuel

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Terras do Concelho de Sátão

Local

Sátão

Data

1991

Autor(es)

SOUSA, Albano Martins de

Título

O Theatro Moral de la Vida Humana no Convento de São Francisco da Bahia, Oceanos, - Azulejos Portugal e Brasil, n.º 36/37

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

PAIS, Alexandre Nobre

Título

O Azulejo em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

MECO, José