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Zona Histórica de Alpedrinha - detalhe

Designação

Designação

Zona Histórica de Alpedrinha

Outras Designações / Pesquisas

Zona Histórica de Alpedrinha / Núcleo urbano da vila de Alpedrinha (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Mista / Centro Histórico

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Castelo Branco / Fundão / Alpedrinha

Endereço / Local

- -
Alpedrinha

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

Cronologia

Proposta de 3-04-2019 da DRC do Centro para a classificação como CIP
Parecer favorável de 21-02-2019 da CM do Fundão
Em 7-02-2019 a DRC do Centro solicitou parecer à CM do Fundão sobre a sua proposta de classificação como CIP e respetivas restrições
Anúncio n.º 143/2017, DR, 2.ª série, n.º 159, de 18-08-2017 (ver Anúncio)
Despacho de 19-04-2017 da diretora-geral da DGPC a determinar a abertura de novo procedimento de classificação
Informação favorável de 1-04-2016 da DRC do Centro
Proposta de 13-05-2015 da CM do Fundão para a abertura de novo procedimento de classificação de âmbito nacional
Enviada cópia do processo à CM do Fundão em 15-01-2015 para a ponderação de classificação como CIM
Despacho de 3-11-2014 do diretor-geral da DGPC a determinar o arquivamento do procedimento de âmbito nacional
Proposta de arquivamento de 13-10-2014 da DRC do Centro, por não ter um valor cultural de âmbito nacional
Em reunião na DRC do Centro, realizada em 28-04-2014, a CM do Fundão manifestou interesse em reiniciar o procedimento de classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Despacho de abertura de 12-04-1994 do presidente do IPPAR
Proposta de 4-04-1994 da DR de Coimbra do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta de um grupo de moradores (1984) para a classificação do Centro Histórico de Alpedrinha

ZEP

Proposta de 3-04-2019 da DRC do Centro
Parecer favorável de 21-02-2019 da CM do Fundão
Em 7-02-2019 a DRC do Centro solicitou parecer à CM do Fundão sobre a sua proposta de ZEP e respetivas restrições

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O povoado de Alpedrinha foi constituído durante a época de ocupação romana, designado então como Petratinia. Dessa época, a vila conserva ainda a estrada romana, que atravessa todo o seu perímetro longitudinalmente. Durante a Idade Média, a povoação era administrada por donatários, e em 1266 Diogo Lopes e Urraca Afonso doaram as terras de Alpedrinha à Ordem do Templo. Nesse mesmo ano terá sido iniciada a edificação da primitiva matriz de Alpedrinha, a Capela do Espírito Santo, cujas obras foram terminadas no ano de 1301.
Durante as duas centúrias seguintes a povoação foi conhecendo um crescimento progressivo, e na segunda metade do século XV inicia-se, segundo Jaime Cortesão, o "período de esplendor da vila", que se prolongaria até ao século XVII (CORTESÃO, Jaime, 1965, p. 10). Datam destas época as casas manuelinas edificadas no centro da vila, de que subsistem cinco edifícios. São exemplares de arquitectura rural cujos vãos de janelas são decorados com motivos em relevo de gosto manuelino. No conjunto destaca-se uma casa com janela de balcão ornamentada com elementos renascentistas.
Este período áureo da vila beirã deveu-se sem dúvida à actividade mecenática de D. Jorge da Costa, o conhecido Cardeal Alpedrinha, bem como da sua família. Exemplos disso são a fundação da Misericórdia local e a edificação da Capela de Santa Catarina.
A irmandade da Misericórdia de Alpedrinha foi uma das primeiras a ser instituídas no país, depois da fundação da Misericórdia de Lisboa, o que se explica pelo papel preponderante que teve D. Jorge da Costa na constituição desta última. O templo da irmandade terá sido construído nessa mesma época, mas o que actualmente subsiste no centro da vila é uma obra da segunda metade do século XVIII.
A Capela de Santa Catarina, ou Capela do Leão, foi mandada construir também em 1501 por D. Martinho da Costa, irmão do Cardeal Alpedrinha e arcebispo de Lisboa. É um templo renascentista, do qual se destaca o grandioso portal, uma obra inspirada na tipologia dos portais traçados por Nicolau de Chanterene, de que é exemplo a porta do ante-coro do Mosteiro de Santa Maria de Celas, em Coimbra.
Na centúria de Seiscentos a vila continuou a crescer, renovando o seu tecido urbano. Datam desta época a designada Casa do Cardeal Alpedrinha, uma edificação chã da primeira metade do século, e os Paços do Concelho, um grande edifício de planta rectangular dividido em três pisos edificado em 1680. Na realidade, a povoação de Alpedrinha foi elevada a sede de concelho no ano de 1675 pelo regente D. Pedro, tendo sido construído de imediato o pelourinho local, situado na praça central da vila.
O século XVIII assistiu ao enobrecimento da arquitectura civil de Alpedrinha, com a construção de um majestoso fontanário público num dos extremos da vila. Mandado edificar por D. João V em 1714, este chafariz barroco, designado como um dos maiores do país, foi traçado sobre a calçada romana, segundo um projecto da autoria de Valentim da Costa Castelo Branco, um engenheiro do Exército natural de Alpedrinha.
No final da centúria foi construído, nos arredores da povoação, o Palácio do Picadeiro, um solar de gosto barroco traçado pelo mestre Carlos Caetano Correia de Castro, edificado sobre uma antiga residência da Companhia de Jesus e actualmente arruinado.
Considerada uma aldeia típica da serra beirã, Alpedrinha conheceu um progressivo desenvolvimento urbanístico ao longo dos séculos. No entanto é curioso verificar que a renovação do seu centro histórico foi feita, sobretudo, através de uma constante actualização dos seus modelos arquitectónicos, uma vez que o traçado urbano medieval, desenvolvido em torno da estrada romana, se foi mantendo praticamente inalterado.
Catarina Oliveira
IPPAR/2003

Imagens

Bibliografia

Título

Guia de Portugal, Beira II - Beira Baixa e Beira Alta

Local

Lisboa

Data

1984

Autor(es)

DIONÍSIO, Sant'Ana

Título

Beira Baixa. A memória e o olhar

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

MARCELO, M. Lopes

Título

Alpedrinha

Local

Alpedrinha

Data

1988

Autor(es)

Junta de Freguesia de Alpedrinha

Título

Alpedrinha e as varandas da Gardunha

Local

Castelo Branco

Data

1965

Autor(es)

CORTESÃO, Jaime