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Torre de Bera - detalhe

Designação

Designação

Torre de Bera

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Torre

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Coimbra / Coimbra / Almalaguês

Endereço / Local

EN 110 (desvio)
Almalaguês

Proteção

Situação Actual

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Despacho de encerramento de 24-02-2003

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A torre medieval de Bera, construída muito provavelmente na Alta Idade Média, entre os séculos IX e XI, quando a cidade foi duas vezes conquistada pelas tropas de Afonso III e de Fernando, o Magno, insere-se numa velha linha defensiva de Coimbra. António Nogueira Gonçalves colocou em evidência a sua posição estratégica na via que ligava o vale do Mondego a Penela, através do rio Dueça (GONÇALVES, 1949, republ. 1980, p.157). É precisamente nessa relação de objectivos militares e de organização das populações medievais que vamos encontrar o que resta desta pequena torre, modesto reduto defensivo complementar aos castelos maiores de Penela, de Miranda e, claro, de Coimbra.
Compõe-se de uma planta quadrangular regular, de que se conservam os alçados Sul e nascente. Em 1949 mantinha ainda vestígios de ter tido três pisos, mas por essa altura já toda a parte superior havia ruído. Uma das características importantes então noticiadas era a existência de rudimentares seteiras no segundo piso, claro testemunho da intenção de criar uma vantagem militar em altura perante o perigo islâmico.
Em 1952, no seu segundo texto sobre a Torre de Bera, Nogueira Gonçalves lamentava "o seu estado (...) de ruína avançada", alertando para o facto de "o ângulo noroeste" ter caído e para a existência de fendas generalizadas em todas as paredes (GONÇALVES, 1952). Actualmente, com o notável progresso dos estudos de casteleologia no nosso país, reunem-se condições favoráveis à sua inserção histórica e vitalidade patrimonial.
Continuam, no entanto, a ser numerosas as interrogações sobre esta insólita torre. Uma delas refere-se à sua exacta cronologia. Nogueira Gonçalves catalogou-a como condal, na viragem para o século XII. O facto de algum material romano se encontrar reaproveitado no aparelho - ele próprio bastante irregular - parece apontar para uma cronologia ligeiramente recuada, muito provavelmente em pleno século X. Outra questão refere-se à sua função original e consequente promotor. A opinião corrente é a de que se trataria de um edifício de "iniciativa particular", "dos senhores e habitantes locais" (GONÇALVES, 1949, republ. 1980, p.157). Apesar de evidentemente modesta, a hipótese de nas proximidades terem existido outras torres análogas (como o caso da desaparecida estrutura em Castelo Viegas) e a sua estreita relação com os castelos maiores, aponta para um programa de fortificação rural mais alargado, não exactamente ao sabor das necessidades e impulsos locais, mas programado a partir de Coimbra e abarcando uma vasta área a Sul do rio. Ainda que estejamos muito mal informados sobre a história deste edifício, é possível que a passagem ao património privado de algumas famílias importantes da região se tenha dado já em época tardia. Na primeira metade do século XV ainda se encontrava na posse ducal, datando, dessa altura, a doação do Infante D. Pedro da povoação de Almalaguês - na qual a torre estava integrada - a Guilherme Arnao.
PAF

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal: distrito de Coimbra

Local

Lisboa

Data

1952

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira, CORREIA, Vergílio

Título

A torre de Bera, Diário de Coimbra, 13-9-1949

Local

-

Data

1949

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira

Título

Coimbra e Região

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

BORGES, Nelson Correia