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Residência Silva Rocha - detalhe

Designação

Designação

Residência Silva Rocha

Outras Designações / Pesquisas

Casa da Rua do Carmo, 12 e 14 / Casa na Rua do Carmo, n.º 12 a 14 / Edifício da Residência do Arquitecto Francisco Augusto Silva Rocha (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Casa

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Aveiro / Glória e Vera Cruz

Endereço / Local

Rua do Carmo,
Aveiro

Número de Polícia: 12-14

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação para MIM - Monumento...

Cronologia

Edital n.º 37/2013, de 13-05-2013 da CM Aveiro (abertura do procedimento de classificação como de IM)
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Edital N.º 69 de 4-05-1998 da CM de Aveiro
Despacho de homologação de 19-03-1998 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 6-03-1998 do presidente do IPPAR
Parecer de 26-02-1998 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como VC
Proposta de 12-08-1997 da DR de Coimbra para a classificação como IIP
Edital n.º 107/96 de 29-07-1996 da CM de Aveiro
Despacho de 5-06-1996 do vice-presidente do IPPAR a determinar a abertura da instrução do processo de classificação
Proposta de classificação entregue na DGPC em 22-05-1996

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Nascido em 1864 na Mealhada, Francisco Augusto Silva Rocha fixou residência em Aveiro, onde foi director da Escola de Desenho Industrial, mais tarde designada como Escola Industrial e Comercial. Arquitecto responsável pelo desenho de vários edifícios "Arte Nova" da cidade, Silva Rocha não deixou de inscrever a sua própria residência na renovação estética de que foi grande impulsionador e que tão fortemente caracterizou a zona junto à Ria de Aveiro, em expansão no início do século XX. Entre outros exemplos poderíamos citar a Casa do Major Pessoa ou a Casa do Dr. Peixinho, sendo que a primeira foi desenvolvida em parceria com Ernesto Korrodi, arquitecto estabelecido em Leiria que "(...) definiu em edifícios públicos e em moradias uma arquitectura da simplicidade, onde o ornamento moderno se soube conjugar com uma grande pureza do desenho e uma compreensão regional dos elementos vernaculares, entendidos como recuperáveis para as novas construções" (FERNANDES, 1993, p. 48).
Construída em 1904, a residência Silva Rocha destaca-se pela ornamentação da fachada, que tirando partido da linha curva (um dos elementos mais importantes desta nova arte) no tratamento das molduras dos vãos e no desenho dos azulejos. No piso térreo, a porta e a janela enquadram-se num único arco abatido, decorado por duas grandes palmas, motivo específico deste edifício, e por um rosto feminino, no eixo central. No andar seguinte, a varanda assenta em mísulas decoradas com folhas de jarro, e as duas portas, protegidas por uma grade em ferro forjado com motivos florais, definem um arco idêntico e simétrico relativamente ao do piso inferior. As iniciais S R complementam as palmas que decoram o arco. Na linha da varanda, um conjunto de azulejos marca a separação entre os andares. Outros conjuntos de azulejos equilibram a composição marcando as zonas laterais da fachada ao nível do primeiro andar e no eixo das janelas do rés-do-chão, tal como os frisos que enquadram a janela das águas furtadas. Em tons de azul, branco e rosa, estes azulejos representam temáticas relacionadas com pavões e flores.
Todo o conjunto exibe motivos muito característicos da linguagem Arte Nova, que explora as formas naturais e femininas, ambas bem presentes na decoração desta fachada. Todavia, o ferro, um dos materiais por excelência do movimento Arte Nova, muito utilizado noutros países da Europa, vê-se relegado, em Portugal, para a protecção das varandas. A indústria pouco desenvolvida do nosso país poderá ajudar a explicar esta lacuna.
Para a sua residência, Francisco Augusto Silva Rocha tentou conceber um projecto como um todo, com unidade e harmonia, introduzindo a mesma linguagem da fachada na decoração dos interiores. Assim, e para além dos estuques dos tectos com motivos de inspiração floral, destaca-se o fogão de sala, em ferro forjado, desenhado por Ernesto Korrodi, enquanto exemplo de mobiliário e equipamento Arte Nova.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

A Arquitectura Modernista em Portugal (1890-1940)

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

FERNANDES, José Manuel

Título

Aveiro: cidade Arte Nova

Local

Aveiro

Data

1999

Autor(es)

BORGES, Jaime

Título

Aveiro - do Vouga ao Buçaco

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

NEVES, Amaro, SEMEDO, Enio, ARROTEIA, Jorge Carvalho

Título

Francisco da Silva Rocha (1864-1957), Tese de Mestrado em História da Arte, apresentada à Universidade do Porto

Local

Porto

Data

1999

Autor(es)

FERNANDES, Maria João