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Igreja Matriz de Paderne - detalhe

Designação

Designação

Igreja Matriz de Paderne

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Paderne / Igreja da Senhora da Esperança(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Albufeira / Paderne

Endereço / Local

-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Nos primeiros tempos do domínio português sobre o Algarve, a paróquia de Paderne estava instalada no castelo de origem islâmica, na arruinada Capela de Nossa Senhora da Assumpção, de onde passou para o centro populacional da localidade por volta de 1500. Nessa altura, já estaria em construção (ou ainda em projecto) a actual igreja matriz, estipulando o Santuário Mariano que a obra se concluíra em 1506 (OLIVEIRA, 1910, p.114).
Os mais antigos vestígios materiais remanescentes no templo confirmam uma datação em plena primeira metade do século XVI, embora nos pareçam mais tardios do que a afirmação do Santuário permite supor, mais próxima já dos meados do século. Com efeito, a abóbada da Capela do Santíssimo Sacramento, de cruzaria de ogivas com bocete central, inscreve-se ainda dentro do que se vem considerando o Manuelino, embora aqui reduzido a uma expressão quase residual e já conotado com formulários classicizantes. Outras marcas ainda ditas manuelinas são dadas pelo arco triunfal (composto por arco de volta perfeita decorado com motivos torsos, que descarregam em elevadas bases quadrangulares) e pela forma e ornamentação de alguns capitéis das naves (oitavados e decorados inferiormente com motivos vegetalistas). Até aos inícios do século XX, existiam ainda duas pedras decoradas que melhor enquadram a possível campanha manuelina: uma com a esfera armilar e outra com um mascarão, de cuja boca saíam hastes vegetalistas (IDEM, p.115).
Se são, portanto, de algum interesse os vestígios manuelinos (ou tardo-manuelinos), outros indicadores existem que apontam para uma campanha construtiva inicial já conotada com o Renascimento. Neste aspecto, os arcos formeiros do corpo afiguram-se como os principais elementos, uma vez que são de volta perfeita e possuem alguns capitéis jónicos. Na Visitação de 1554, praticamente meio século depois da data sugerida pelo Santuário Mariano, a igreja estaria praticamente concluída, faltando apenas a cobertura do corpo da igreja (LAMEIRA, 1995, p.1). Esta informação é sintomática quanto à data de 1506, que não deverá, assim, corresponder ao ano de conclusão da obra, mas sim ao de arranque.
Quanto ao arquitecto que poderá ter comandado o projecto, a igreja conserva uma preciosa relíquia, tão relevante quanto rara na província: um nome abreviado "gravado no capitel de uma das colunas junto ao arco triunfal": Bartolomeu Rodrigues (IDEM). Desconhecemos se este homem, a confirmar-se que foi arquitecto e não promotor das obras, é o responsável pela totalidade do projecto, ou se apenas pela capela-mor, mas não restam dúvidas sobre a importância deste elemento.
Ao longo dos dois séculos seguintes, foram várias as transformações por que o conjunto passou, mas que não alteraram a sua estrutura, que se manteve como no projecto fundacional. Um corpo de três naves, de cinco tramos, e uma capela-mor rectangular foi a base encontrada pelas numerosas devoções particulares das confrarias dos séculos XVII e XVIII, que se limitaram a actualizar esteticamente o interior (com novos retábulos) e a abrir capelas laterais de tipo nicho, onde se incluíram ainda mais retábulos.
O principal período de reformulação decorativa aconteceu na primeira metade do século XVIII, coincidindo com o reinado de D. João V. Entre 1717 e 1734 edificou-se o novo retábulo-mor e, em 1735, duas outras confrarias contrataram o entalhador farense, Francisco Martins Xavier, para a realização de outras peças de retabulária. Algumas destas obras, que só poderiam ser de qualidade superior dado o estatuto do entalhador, não chegaram até aos nossos dias e foram sacrificadas no século XIX, altura em que se realizaram os actuais retábulos neoclássicos que ornamentam algumas capelas.
Só na década de 90 do século XX tiveram lugar obras de restauro, a cargo da autarquia. Apesar de mal informados sobre os trabalhos então desenvolvidos, é de presumir que a maior parte das características do templo foram mantidas.
PAF

Bibliografia

Título

A talha no Algarve durante o Antigo Regime

Local

Faro

Data

2000

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

Inventário artístico do Algarve. A talha e a imaginária. vol. I (Concelho de Albufeira)

Local

Portimão

Data

1989

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

Igreja Matriz de Paderne, desdobrável

Local

Albufeira

Data

1995

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

Paróquia de Nossa Senhora da Esperança - Paderne

Local

Albufeira

Data

1997

Autor(es)

-

Título

Património histórico-monumental: Paderne

Local

Albufeira

Data

1997

Autor(es)

NOBRE, Idalina Nunes

Título

Monografia de Paderne ou Paderne do concelho de Albufeira

Local

Porto

Data

1910

Autor(es)

OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde