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Povoado do Porto Torrão - detalhe

Designação

Designação

Povoado do Porto Torrão

Outras Designações / Pesquisas

Povoado do Porto Torrão (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Beja / Ferreira do Alentejo / Ferreira do Alentejo e Canhestros

Endereço / Local

Monte de Porto Torrão / Ribeira de Vale do Ouro
Ferreira do Alentejo

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

Cronologia

Anúncio n.º 2391/2011, DR, 2.º série, n.º 39, de 24-02-2011 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 21-02-2011 do Subdirector do IGESPAR, I.P.
Proposta de abertura de 16-12-2010 da DRC Alentejo
Em Julho de 2009 o IGESPAR, I.P. solicitou à DRCAlentejo a preparação de proposta de classificação

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Localizado junto a Ferreira do Alentejo, o povoado de Porto Torrão implanta-se numa zona baixa, integrada na peneplanície alentejana, de relevo suave. Foi alvo das primeiras campanhas de escavação nos anos oitenta do século XX, sob a direcção do arqueólogo José Morais Arnaud, que desde logo reconheceu o grande valor científico do sítio, interpretado como um dos maiores povoados datados do Calcolítico (Idade do Cobre), de entre os conhecidos na Península Ibérica, e cuja dimensão na paisagem foi calculada em cerca de 100 hectares.
Nos anos de 2002 e 2003, realizaram-se aí trabalhos arqueológicos de minimização de impactes provocados pela construção da Linha de Alta Tensão Alqueva-Ferreira do Alentejo-Sines, projecto promovido pela Rede Eléctrica Nacional (REN).
Entre 2008 e 2010, no âmbito das obras de construção dos Blocos de Rega do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva - Blocos de Rega de Ferreira, Figueirinha e Valbom - o povoado foi alvo de várias escavações que implicaram uma grande operação de arqueologia de salvamento, que tinha por objectivo intervencionar as áreas onde passam as condutas de rega e que envolveu dezenas de profissionais de arqueologia de três empresas distintas.
A presença de solos férteis e de um curso de água que atravessa o sítio, a ribeira do Vale do Ouro, poderão ter contribuído para a fixação das populações do 3º milénio antes de Cristo nesta área. As recentes escavações demonstraram, entre outros aspectos de relevo, a presença de pelo menos duas linhas paralelas de fossos que circundam o povoado, escavados na rocha de base e que chegam a atingir perto de 6 metros de profundidade. No interior do povoado concentram-se inúmeras fossas escavadas no substrato geológico brando bem como outros restos resultantes das actividades domésticas que aí eram praticadas e de que são exemplo os vestígios de lareiras e de fundos de cabanas.
A intensa ocupação pré-histórica desta região está também atestada pela presença de vestígios que surgem para lá dos grandes fossos do Porto Torrão, tais como outros núcleos de fossas que aparecem na envolvente, invisíveis à superfície do terreno, pese a grande quantidade de materiais revolvidos pelas lavouras. Mas a constatação mais admirável corresponde à presença de um ímpar complexo funerário associado a este grande povoado. Os achados são tais que revolucionam e obrigam em parte a reescrever a pré-história recente do Baixo Alentejo em particular e do Sul de Portugal em geral.
A complexidade e a importância destes contextos relacionados com o mundo da Morte são inequívocas, sobretudo porque se apresentam numa diversidade de estruturas e contextos arqueológicos. Entre estes contam-se diversos tholoi, termo atribuído a monumentos de deposição colectiva de câmara circular com construção em falsa cúpula e corredor de acesso, revestidos com lajes de xisto sobrepostas ou colocadas de cutelo, como Monte do Cardim 6 e Horta de João de Moura 1. No entanto, foram identificados igualmente, em Monte do Cardim 6, outros tipos de contextos funerários, tais como fossas com enterramentos e espólio associado. Durante os trabalhos arqueológicos realizados documentou-se, igualmente, em fossas correspondendo a possíveis lixeiras, uma ocupação datável da Antiguidade Tardia.
A uma certa distância da área a classificar foram, já, identificadas outras necrópoles. Embora, pela distância a que se encontram, não tenham sido incluídas na área a classificar, tudo indica que poderão estar também associadas a este povoado.
Susana Correia (DRCALEN), Manuela de Deus, Cidália Duarte e Samuel Melro (IGESPAR) / 2011